Transcrição da entrevista do governador Aécio Neves após encontro com o arquiteto Oscar Niemeyer
24/11/09 - 00:00
Assunto: Niemeyer, Cidade Administrativa, Pesquisa CNT/Sensus, Eleições 2010, PSDB e Ciro Gomes
Visita a Oscar Niemeyer.
Na verdade, eu vim fazer mais uma visita ao doutor Oscar, já se recuperando. Enfim, as notícias que eu tenho é que ele está muito bem. E teve dois objetivos. Primeiro, agradecer as referências muito positivas que ele fez a mim em uma última entrevista que deu a um jornal carioca e convidá-lo, já prepará-lo para que possamos fazer juntos a inauguração da nova Cidade Administrativa de Minas Gerais, a nova sede do governo mineiro. Dentro de - não tenho a data exata ainda -, mas dentro de no máximo de 60, 70 dias, ela estará sendo inaugurada já com a transferência das principais secretarias, a própria Governadoria e a Vice-governadoria.
Acho que é um grande reencontro de Oscar Niemeyer com a sua própria história. Ele mesmo me diz sempre que sua história começou em Minas, com Juscelino e com o complexo da Pampulha. De alguma forma, ele conclui essa sua relação com Minas Gerais com um extraordinário projeto da nova Cidade Administrativa, que vai abrigar 16 mil servidores do Estado, talvez uma população flutuante, que demandará os serviços do Estado, em torno de 8 a 10 mil pessoas. E na verdade, é um grande eixo novo de desenvolvimento para a nossa região metropolitana.
Com a Cidade Administrativa estamos levando o eixo de desenvolvimento do Estado, da região metropolitana, para o seu vetor norte, próximo ao aeroporto Tancredo Neves em Confins. Portanto, algo que vai ordenar o crescimento da cidade para os próximos anos.
Governador, e as eleições? Como o senhor vê o resultado dessa última pesquisa?
Em primeiro lugar, acho que as pesquisas não vão se alterar muito daqui por diante. Mas para nós do PSDB é muito positiva porque quando colocadas as simulações de chapas, quando os nomes do PSDB são colocados, em ambos os casos aparecemos em primeiro lugar. Tanto quando o governador Serra é colocado como candidato a presidente e eu como seu vice, vice-versa e também na simulação com o deputado Ciro Gomes como vice-presidente.
Acho que é um dado positivo para o PSDB, mas não vejo possibilidade de até o início efetivo da campanha eleitoral a partir de junho, julho, ou mesmo do programa eleitoral, que haja uma mudança muito profunda nesses indicadores. Mas olhando o retrato, a radiografia atual, acho que para nós da oposição, ela é estimulante.
Essa indefinição não atrapalha não?
Olha, espero que ela ocorra o mais rapidamente possível. Acho importante que ela ocorra. Acho que a partir de janeiro seria um bom momento para que o PSDB concluísse as negociações em relação aos palanques regionais. Essa é uma preocupação que nós temos, para aí, a partir de março, iniciarmos a campanha.
Temos discutido isso internamente e minha posição é absolutamente clara. O meu nome, até o final do mês de dezembro, está à disposição do partido para construir uma aliança mais ampla do que a que temos atualmente. Se a opção do partido for a de retardar um pouco mais esse processo, eu vou respeitar essa decisão, estarei engajado na campanha do nosso candidato, mas aí prefiro me dedicar à construção da nossa vitória tanto para o governo quanto para a Presidência da República, como candidato ao Senado em Minas Gerais.
Saiu uma declaração ontem de que o governador Serra anteciparia para janeiro essa definição. Isso foi conversado no partido?
Olha, não tenho essa informação. Não conversei com ele nesses últimos dias. Provavelmente, conversaremos nos próximos dias e vejo isso como algo positivo, se efetivamente ocorrer.
PSDB nas pesquisas.
Olha, acho que são cenários distintos que tem que ser analisados com muita cautela. Eu, por exemplo, segundo essa última pesquisa, continuo tenho o maior índice de desconhecimento dentre todos os candidatos. Cerca de 30% da população ainda não me conhece. O que, obviamente em uma análise como essa, é um dado positivo porque mostra um potencial ainda de crescimento. E ao mesmo tempo tenho a menor rejeição de todos candidatos que é algo positivo no campo do PSDB.
Por outro lado, o outro nome do PSDB apresentado, o governador Serra, continua liderando as pesquisas. Então, temos duas alternativas que se colocam bem. Uma com o maior índice de conhecimento, e além disso, com a maior preferência por parte do eleitorado e outro nome que não tem os mesmos indicadores nas pesquisas, mas que mostra um potencial de crescimento.
A grande questão é que vamos estar juntos, não há hipótese de deixarmos de estar juntos. Temos um compromisso com o Brasil de renovar a administração pública, de modernizar a administração pública, de ousar mais nas reformas, o que não ocorreu nesse período de governo. Então, a única tranquilidade que os nossos companheiros podem ter é de que Serra e eu estaremos juntos no momento da definição. No que depender de mim, ela deverá ocorrer entre dezembro e janeiro do próximo ano.
Ainda com relação à pesquisa mostrando alto índice de rejeição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Isso preocupa o senhor? A campanha do PSDB vai ter que esconder o ex-presidente?
Não, acho que de forma alguma. Devemos ter muita serenidade ao encarar esse dado. Se o dado é esse, é injusto com a história do presidente Fernando Henrique, com a importância que ele teve para o país. Se nós hoje estamos avançando e temos avançado em inúmeros indicadores sociais e mesmo econômicos, devemos muito ao fim da inflação.
O Brasil será sempre lido no futuro como o Brasil antes do Plano Real e depois do Plano Real. E aí o presidente Itamar e o próprio Fernando Henrique tiveram um papel absolutamente decisivo.
Devemos demonstrar para a população de forma muito clara a importância que ele teve, mas Fernando Henrique não é candidato à Presidência da República, pelo menos me parece que ainda não é. Essa não é uma questão efetivamente nos preocupa.
E o crescimento da Dilma?
Vi um crescimento da ministra Dilma principalmente no nível de conhecimento. Se não estou enganado, me lembro que nós tínhamos um índice de conhecimento muito parecido no início do ano, a ministra Dilma e eu. Ela hoje é desconhecida por apenas 13% da população e acho que o crescimento que ela vem tendo, mérito dela e talvez do presidente Lula, não acompanha na mesma proporção o índice de conhecimento. O índice de intenção de voto dela não acompanha o crescimento que ela vem tendo no conhecimento da população.
Então, acho que é o que eu disse: não acredito que vamos ter mudanças profundas que possam alterar radicalmente o quadro daqui até lá. É natural que os que tenham mais exposição, o candidato que tem uma presença mais firme e mais forte na mídia cresçam alguns pontos. Eu acredito em mudança na pesquisa ou pelo menos na consolidação das pesquisas após o início da campanha eleitoral, após a homologação dos candidatos, a definição das chapas e o início da propaganda eleitoral.
E a chapa puro sangue?
Não acho que ela seja útil ao processo. Repito o que tenho dito sempre, acho que é natural que compartilhemos a nossa chapa com outros partidos que estejam do mesmo campo que nós.
E o senhor e o Ciro?
Tenho uma amizade com o Ciro que independe dos humores de A ou de B. O Ciro foi companheiro nosso no PSDB, tenho por ele um respeito pessoal muito grande e vejo nessa pesquisa uma sinalização também que eu diria interessante.
Pesquisas eleitorais.
As coisas estão caminhando. Como eu disse para vocês, essas pesquisas daqui por diante tendem a expressar algo muito parecido. Mas hoje a minha vinda aqui é realmente para dar um abraço no Oscar, ver que ele está realmente recuperado. Espero que ele possa estar conosco lá na inauguração da obra, que é a grande obra hoje em execução do Oscar Niemeyer no Brasil. Uma obra extraordinária, que está criando um vetor novo de crescimento para a cidade de Belo Horizonte. Depois da Pampulha, é a mais importante obra de desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, e que vem com a marca do gênio, a marca do Niemeyer.
No final, quando o senhor fala que é um resultado interessante aquela chapa do senhor com o Ciro Gomes, o senhor quer dizer o seguinte: “que precisa ser melhor analisada pelo meio político”?
Não. Acho que o que eu tinha que dizer era isso. Repito, o que disse anteriormente: estou muito feliz porque nas três vezes que sou colocado participando de uma chapa, nós estamos liderando as três simulações. E acho que o índice baixo de rejeição e também de conhecimento é um fator estimulante neste momento.
O governador José Serra não teve esse mesmo desempenho.
Mas ele teve um bom desempenho. Está liderando as pesquisas. Acho que o PSDB está muito bem.