18h58m - 04 de Julho de 2011 Atualizado em 12h21m
Transcrição entrevistas Anastasia, Aécio, Serra, Alckmin e FHC - velório Itamar
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Evento: Velório do senador e ex-presidente da República, Itamar Franco
Local: Palácio da Liberdade - Belo Horizonte
Data: 04/07/2011
Governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia
Mais uma vez eu gostaria de registrar o sentimento de todos os mineiros, e tenho certeza de todos os brasileiros, de pesar pela morte do senador Itamar Franco. A presença aqui em Minas, de grandes nomes da nossa República, ontem e hoje, estando ao lado do presidente Fernando Henrique Cardoso, dos governadores Serra e Geraldo Alckmin e do senador Aécio Neves, só demonstra de fato esse grande apreço que todos os brasileiros tínhamos e temos pela memória do nosso senador Itamar Franco. Volto a dizer que Minas Gerais perde a sua grande reserva moral, uma pessoa cuja autoridade moral era indiscutível, inatacável e eu gostaria de registrar, mais uma vez, que tive a oportunidade, ao longo do último ano, juntamente com o senador Aécio e com o governador Serra, visitamos Minas Gerais ao lado de Itamar e aprendemos muito com ele, com sua sensibilidade social, com sua dedicação, com seu coração, e em especialmente com a sua preocupação com as pessoas mais pobres. Minas Gerais está de luto, é de fato uma perda irreparável que estamos enfrentando neste semestre, lamentavelmente perdemos três grandes nomes grandes da política mineira – senador Eliseu Resende, vice-presidente José Alencar, e agora o senador Itamar Franco.
Senador Aécio Neves
Uma palavra bem breve para vocês, primeiro agradecendo a presença entre nós, figuras não apenas ilustres da cena política brasileira, mas amigas do presidente Itamar Franco e amigas de Minas Gerais. Presidente Fernando Henrique, governador Geraldo Alckmin, governador Serra, governador Marconi Perillo, que aqui estão, inúmeros senadores que vêm prestar sua homenagem ao homem de Estado. Itamar Franco foi isso a vida inteira. Homem de uma absoluta retidão moral e de princípios. Poucos homens construíram uma trajetória tão reta e tão fiel e leal aos valores de Minas e aos princípios que devem nortear a vida pública. Eu, pessoalmente, além da perda do homem público, choro e lamento a perda do amigo querido e pelo menos neste instante uma felicidade, de ter visto que os mineiros, no ano passado, deram a ele em vida, ou fizeram a Itamar em vida, uma extraordinária homenagem, dando-lhe uma belíssima vitória no Senado, e nos poucos meses que ele esteve no Senado foi uma figura única, respeitado por aliados e por adversários, e que deu o tom que deverá prevalecer daqui por diante, de uma oposição sempre leal ao Brasil, mas firme e clara na defesa dos interesses dos brasileiros. Portanto, é um dia de enorme tristeza, Minas se despede de um dos maiores homens públicos da sua história contemporânea, e me orgulho muito de tê-lo não apenas como um dos meus líderes políticos, mas como dos amigos mais queridos.
Ex-governador de São Paulo, José Serra
A memória de Itamar Franco merece a nossa homenagem. Itamar Franco foi presidente do Brasil num período difícil, soube reconduzir o país, mantendo-o dentro da normalidade democrática, abriu caminho para o Plano Real, que estabilizou a nossa economia, e sempre um exemplo de integridade na vida pública, de transparência, é um homem a quem o país deve muito. E o Congresso Nacional, agora, perdeu também um grande parlamentar. Itamar, nestes seis meses, se destacou pela sua ação parlamentar, de homem experiente no Senado, não tenho dúvida de que vai fazer muita falta a todos nós, ao Brasil, àqueles que lhe eram próximo, aos amigos, e a Minas Gerais. Um homem cuja memória deverá ser sempre reverenciada por nós todos. Quero dizer, também, que pessoalmente, na última campanha, uma das coisas que me deu mais satisfação, foi ter tido aqui em Minas, ao lado do Aécio Neves, do Anastasia, o apoio do presidente Itamar, que foi muito firme, muito seguro, muito solidário.
Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin
O Brasil e o povo brasileiro estão tristes com a perda de Itamar Franco. Ele vai fazer muita falta na política brasileira. Ficam os seus exemplos, exemplos de uma política de servir ao país e à nossa população. Exemplos de caráter, exemplos de coragem, exemplos de destemor, exemplos de inovação desde a época em que foi prefeito de Juiz de Fora – ele o foi por duas vezes –, senador da República, governador e presidente num curto espaço de tempo. Com sua ousadia, com seu espírito público, trouxe tranquilidade e deu as bases para mudar o Brasil sob o ponto de vista econômico, junto com o presidente Fernando Henrique e com o Plano Real. Nosso sentimento e nossas orações.
Ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso
As minhas primeiras palavras são de saudade. Eu recebi como um choque a morte do Itamar. Nós tivemos uma relação estreita durante muitos anos. Itamar sempre foi um homem simples, extremadamente simples. O modo de viver, o modo de falar, o modo de se relacionar, alegre. As relações entre nós dois, durante muitos anos, foram, eu diria, entremeadas por brincadeiras um com o outro. Itamar foi um homem que nunca, nunca se deixou fascinar pelo poder. Sempre manteve o seu modo de viver, do jeito como ele tratava as pessoas e sempre teve um sentimento ético, que faz falta ao Brasil nesse momento. Eu acho que essas duas características pessoais do Itamar foram as que deixaram em mim a maior marca de reconhecimento nele. Além disso, eu devo ao Itamar, por ter aberto espaço para um obscuro político da época, sociólogo, não economista, mal treinado ainda no Itamaraty, por virtude de Itamar, por decisão de Itamar, de me convocar para ser ministro da Fazenda, uma época muito difícil. O Plano Real foi feito por uma equipe, eu chefiei essa equipe, mas nada disso seria feito sem o apoio irrestrito do presidente da República. Mesmo quando Itamar, lá no fundo da alma dele podia não estar totalmente convencido, mas ele confiava e deu a mim uma força que era difícil imaginar que algum presidente pudesse dar. E devo dizer mais: fez isso sem nenhum sentimento menor, nenhuma disputa de vaidade. Abria espaços como quem sentia aquilo com naturalidade, o que não é fácil para qualquer pessoa. Ele deixa, realmente, uma marca muito profunda. Mineiro, tinha o jeito dos mineiros. Brasileiro, tinha um pouquinho o jeito que tanto eu quanto o Aécio temos: de carioca, porque os mineiros são muito próximos do Rio de Janeiro. Não chegava a ser paulista, como eu consegui ser com muita dificuldade, mas ele tinha a compreensão de São Paulo. Era um brasileiro. Então, eu choro hoje de saudades pelo Itamar. Eu posso ter certeza que o Brasil todo chora a morte do Itamar. Mas ele ficará na nossa memória para sempre.
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