Transcrição da entrevista do governador Aécio Neves sobre a abertura do túnel de acesso à Cidade Administrativa e vistoria das obras
25/11 - 00:00
Assunto: Cidade Administrativa, Eleições 2010, PSDB e Ciro Gomes
O governo vem para cá no dia 15 de janeiro mesmo?
Esse é o nosso objetivo. Nós fizemos uma reunião hoje na Cidade Administrativa com todos os consórcios responsáveis pela obra e todos estão cumprindo o cronograma sem qualquer atraso.
A nossa expectativa é que a primeira fase da mudança, porque como já afirmei mais de uma vez, a mudança será feita em etapas por uma questão de segurança e de logística em relação principalmente aos servidores, que é uma preocupação nossa. Então nós acreditamos que até o dia 15 de janeiro estaremos em condições de fazer a primeira etapa da mudança. A data exata nós estaremos anunciando ainda no mês de dezembro. Mas estou extremamente feliz não apenas com a qualidade da obra de engenharia, com a excelência das empresas que aqui estão trabalhando, com a capacidade que tiveram de não fugir ao cronograma previamente estabelecido, mas principalmente com a eficiência que o Governo do Estado de Minas Gerais passará a ter a partir do momento em que toda a sua administração direta estiver aqui.
Portanto, nós teremos, durante o ano que vem, durante a primeira metade do ano que vem, todo o processo de mudança, como eu disse, em razão principalmente do conforto, da segurança e, sobretudo, da tranquilidade que os servidores precisarão ter e acredito que a partir de janeiro estaremos todos já trabalhando na nova Cidade Administrativa de Minas Gerais.
Governador, o senhor pode falar quem vai ficar lá e quem vem para a Cidade Administrativa?
Nós vamos inclusive, até porque há uma dúvida em relação a determinados servidores, nós estamos fazendo esse comunicado, deixando de forma muito clara definido aquilo que virá para cá e o que não virá para cá. Em linhas gerais, sem entrar em detalhes, até porque eu não os tenho aqui, toda a administração direta estará aqui, além do gabinete do governador, da vice-governadoria.
Na primeira etapa, que será essa de janeiro, estarão mudando para a Cidade Administrativa a estrutura do gabinete do governador, com o próprio governador, do vice-governador do Estado, a Secretaria de Governo, a Secretaria de Comunicação e a Secretaria de Planejamento. Essa é a primeira etapa.
Trinta dias depois da primeira mudança, nós deveremos estar vindo com outro conjunto de quatro a cinco secretarias de Estado. E assim sucessivamente, para que antes do final do primeiro semestre, nós possamos ter praticamente a totalidade da Cidade Administrativa ocupada.
É natural que durante esse período nós tenhamos algumas obras paralelas de conclusão, de arremate da obra mais estrutural. Mas já estaremos trabalhando aqui no início do ano, acredito eu que até o final do mês de março, que é quando deixo o Governo do Estado, com provavelmente mais da metade do governo.
O cronograma foi cumprido direitinho. Chegou a ter algum problema, não vai ter atraso, como vai ser?
Está absolutamente na íntegra. E eu que sempre fui um cobrador muito presente no cumprimento desse cronograma da qualidade da obra. Eu devo nesse momento dar os cumprimentos aos consórcios, são três consórcios, cerca de dez empresas que trabalham na parte da construção civil da Cidade Administrativa porque várias outras estarão trabalhando nos equipamentos na área de ar-condicionado, de duto, de energia, de serviços principalmente.
Então, as empresas que trabalharam até aqui acho que incorporaram ao seu currículo um êxito extraordinário, tanto do ponto de vista de arquitetura, como vocês sabem nós temos o maior vão suspenso em concreto do mundo no novo palácio Tiradentes, a nova sede do governo. A obra dos prédios é obra de prédio inteligente que economiza energia, que otimiza a utilização de água potável. Enfim, há um conjunto de preocupações socioambientais, tanto do ponto de vista social quanto do ponto de vista ambiental, portanto de sustentabilidade, que são atendidos nessa construção.
Portanto, eu não tenho dúvida de que não apenas os servidores terão muito conforto e segurança para trabalhar aqui, como estamos iniciando um processo de reconstrução do processo de desenvolvimento da nossa capital e da Região metropolitana. A tendência natural é que esta seja a região que pelos próximos anos, pelas próximas décadas, mais cresça. E não foi por acaso que escolhemos a região onde os indicadores econômicos são dos mais baixos. Portanto, estamos aquecendo, valorizando uma região. Essa valorização já ocorreu de forma muito clara e vigorosa, mas acontecerá ainda de forma mais vigorosa no futuro.
Portanto, nós que já percebemos a importância dessa obra hoje, certamente, nos próximos anos, nas próximas décadas, vamos perceber a sua dimensão. Estamos redirecionando o desenvolvimento da nossa cidade. Eu diria que desde a fundação da cidade, no início do século 20, por volta de 1900, 1908, tivemos um grande projeto em Belo Horizonte de redirecionamento do seu crescimento e do seu desenvolvimento que foi o complexo da Pampulha, conduzido pelo presidente Juscelino, inclusive, por uma bela coincidência, ou quem sabe, nem tanta coincidência assim, foi concebida pelo arquiteto Oscar Niemeyer no início da sua brilhante trajetória. A partir da Pampulha, nós tivemos a reorientação do crescimento de Belo Horizonte que já era uma cidade planejada para o seu vetor Norte.
A partir da Cidade Administrativa, nós estamos vivendo o segundo grande momento de redirecionamento do crescimento de Belo Horizonte que crescia de forma desordenada. Na região sul, por exemplo, os problemas ambientais graves existiam e continuam existindo. Acredito que estamos fazendo algo que as próximas gerações de mineiros vão usufruir, vão aplaudir.
E quanto a transporte, governador? Os trabalhadores estão muito preocupados com isso.
Olha, todo processo de mudança está sendo feito com uma qualidade extremada, com todos os detalhes sendo analisados e atendidos de forma muito clara. A questão do transporte é um deles.
Mapeamos todos os servidores que moram aqui. Sabemos individualmente onde mora cada servidor, sabemos onde precisaremos requalificar e ampliar o serviço de linha de ônibus. Da estação Vilarinho até aqui haverá um transporte gratuito de altíssima qualidade para os servidores. Obviamente, pretendemos que, no futuro, o metrô possa ser estendido também ao Centro Administrativo, seja veículo leve sobre trilhos, enfim, uma modelagem que seja adequada do ponto de vista financeiro, mas também do ponto de vista do serviço que irá prestar.
Mas houve a preocupação de garantirmos ao servidor que mora em qualquer parte de Belo Horizonte, ou da Região Metropolitana, que ele tenha apenas uma baldeação, que ele tenha apenas, quando necessário – a maioria, esperamos que não seja nem necessário isso – apenas uma troca de condução durante o percurso da sua casa até a Cidade Administrativa.
Governador, os dirigentes do PPS, do PSDB e do DEM se reunirão hoje. Parece que depois da pesquisa o pessoal está pressionando mais o Serra. O senhor acha que a pressão vai aumentar, está na hora dele se definir mesmo?
Olha, acho que não é o caso de pressão. O governador Serra é um homem público experimentado. Ele tem a sua estratégia. Ele não tem escondido essa estratégia. Ele tem a tornado pública e temos que respeitá-lo. Ao mesmo tempo, tenho que certeza, que ele respeita a nossa visão. Isso será resolvido com diálogo, com conversas. O PSDB e os nossos aliados, os Democratas, o PPS, espero no futuro ainda outros, sabem que a nossa unidade é o instrumento mais vigoroso que temos. Talvez o mais importante para que possamos vencer as eleições. Não será o atraso de 30 dias ou a antecipação de 30 dias dessa definição que irá, de alguma forma, conturbar as relações internas da base.
É natural, e todos temos que compreender, que existam posições divergentes. O governador Serra certamente compreende que existem setores do partido ou da aliança que queiram antecipar esse processo, como compreendo também que existem setores que gostariam que esse processo fosse um pouco retardado. E isso não vai nos dividir, qualquer que seja a decisão final. Mantenho aquela posição, absolutamente clara, correta e leal para com o partido, eu acho que o que eu poderia, ou possa, eventualmente agregar ao partido demandaria uma decisão em um espaço de tempo mais curto, até para que não encontrássemos já, outras forças políticas comprometidas com os nossos adversários.
Portanto, essa é uma decisão que já tomei, já foi colocada de forma muito clara a todos interlocutores e o que é mais importante: independente de qual seja a minha posição nesse processo, nós estaremos juntos para buscar encerrar esse ciclo de poder que aí está e iniciar um outro, com um governo mais profissional, mais ousado do ponto de vista da ação política, das reformas, com uma política externa mais moderna, menos ideológica e mais focada nos interesses reais do Brasil.
Enfim, eu acho que nós temos muitos bons argumentos a partir das nossas próprias administrações, nosso modo de governo, e na nossa visão mais moderna, acredito, de mundo, para debater durante a campanha eleitoral, numa eleição que não será fácil para ninguém, mas na qual, nós da oposição, eu acredito, temos plenas chances de vencer, independente de qual seja o candidato.
O deputado Rodrigo Maia esteve aqui em Belo Horizonte e disse que qualquer que sejam os partidos da base aliada que queiram apoiar o PSDB, serão bem vindos. O senhor acha que a ideia do senhor de maior articulação está conseguindo convencer os aliados e também o PSDB a atrair, principalmente um maior apoio ao senhor?
Olha, eu sempre achei que era importante que nós fugíssemos da tentativa de se criar um plebiscito na próxima eleição. Essa eleição não poderá ser mais ou menos plebiscitária do que foram outras eleições. Então, nós temos de construir nosso discurso olhando para o futuro. E nós pudermos, desde já, agregar forças políticas com as quais nós necessitaremos estar até para garantir a governabilidade do país, eu faria isso. E é o que tenho feito nas conversas que tenho tido já com a base, o núcleo da nossa aliança, que são os Democratas e o PPS, quanto com outros partidos que mostram alguma simpatia por uma eventual candidatura minha. E isso, o PSDB conhece essas potencialidades. Mas eu acho que o governador Serra também tem condições de buscar atrair alguns aliados, forças partidárias, forças não partidárias da sociedade civil.
Eu estou muito otimista. Eu vejo que essas pesquisas quando surgem, elas sempre geram um certo frison nas pessoas. Em nós, que já estamos na atividade política há algum tempo, elas não preocupem e nem estimulem tanto. Nem quando elas nos são altamente favoráveis e eu podia dizer que nessa última pesquisa divulgada, no meu ponto de vista pessoal, ela é extremamente favorável porque nos três cenários de chapas, onde meu nome é colocado, nós lideramos. Tanto quanto candidato a vice-presidente quanto como candidato a presidente, em dois desses cenários, nós lideramos. Isso não faz com que nós achemos que já vencemos as eleições. E mesmo quando há um crescimento do nosso adversário.
Eu não acho que nós teremos uma mudança profunda nas próximas pesquisas, daqui até o início do programa eleitoral. Serão nuances de determinado momento, de uma exposição maior desse ou daquele candidato.
Acho que é natural que a candidata apresentada pelo presidente da República, pela altíssima exposição que tem, continue crescendo alguns pontos nas pesquisas. Mas é preciso que se observe que ao mesmo tempo que ela cresce alguns pontos, ela cresce muitos pontos no nível de conhecimento. Ela já se aproxima dos 90% em nível de conhecimento. E seus resultados nas pesquisas, por mais que tenham crescido alguns pontos, não cresce na mesma proporção em que cresce o seu conhecimento. Isso não quer dizer que não seja uma forte adversária. Será uma forte adversária.
Mas eu faço essa análise apenas para dizer que devemos nos preocupar menos com pesquisas eleitorais e mais com o que vamos dizer aos brasileiros; mais com que os brasileiros devem pensar ou enxergar numa candidatura das oposições, numa candidatura do PSDB.
Portanto, o que eu defendo é que nós tenhamos a visão para o futuro. Reconheçamos os avanços que o Brasil vem vivendo desde o governo do presidente Itamar Franco, a elaboração do Plano Real, passando pelos avanços do governo do presidente Fernando Henrique. Não temos que escondê-los, não temos de ter absolutamente nenhuma vergonha de nada que foi feito no governo do presidente Fernando Henrique. Porque o Brasil será sempre, no futuro, fora das paixões políticas, analisado antes e depois do Plano Real.
A grande ruptura que houve no Brasil não foi quando o presidente Lula assume o governo e substitui o presidente Fernando Henrique, porque ali houve, do ponto de vista macroeconômico, na verdade, uma continuidade. E aí, essa continuidade tem sido positiva para o Brasil.
A grande ruptura que houve na nossa história contemporânea foi com a inflação. E isso foi conquistado pelo PSDB. Se inicia no governo do presidente Itamar e concretiza-se no governo do presidente Fernando Henrique.
Mas as pessoas não querem ficar assistindo essa competição: quem fez mais, quem fez menos. Até porque os momentos eram diferentes. As pessoas querem saber o que ficou por fazer, como fazer, que convergência política é possível e é necessária para se fazer; e quem tem melhores condições para fazer.
O deputado Ciro Gomes disse que retiraria a candidatura caso o senhor conseguisse se viabilizar como candidato do PSDB. Se ele conseguir se viabilizar, o senhor faria o mesmo por ele? O apoiaria mesmo Serra se candidatando?
Não. Eu tenho um compromisso com o PSDB. Ele é absolutamente claro. Serra e eu estaremos juntos. Eu agradeço a gentileza e generosidade do companheiro Ciro. Ele é sempre muito bem vindo a Minas Gerais, seja eu governador, esteja eu sem mandato. As nossas circunstâncias políticas não impõem, para mim, limites para as minhas relações pessoais. E nunca imporão.
Portanto, o deputado Ciro Gomes é hoje um homem que atua no campo governista, mas vê na minha candidatura a possibilidade de romper-se com uma certa dicotomia que se anuncia para essa eleição. Eu agradeço de público, mais uma vez, essas declarações, mas ele sabe que, naturalmente, se a minha candidatura não se viabilizar, o campo político no qual eu atuo é o campo das oposições. Mas não uma oposição enraivecida, colérica.
Eu acho que o Brasil quer convergências. E o meu papel, mais do que qualquer outro, mais até do que ser candidato, é ajudar na construção de uma nova convergência, onde nós não percamos mais tempo. Perdemos muito ao longo dos últimos anos para fazer, principalmente, as reformas que permitirão ao Brasil crescer numa velocidade muito maior do que a que vem crescendo hoje e pode crescer. Desde que haja uma nova convergência, disposição política e coragem para fazer o que precisa ser feito.