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Segurança / Defesa Social

18h09min - 27 de Outubro de 2009 Atualizado em 17h50min - 30 de Junho de 2013

Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz faz 80 anos

BARBACENA (27/10/09) - O Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz (HPJJV), localizado em Barbacena, na região do Campo das Vertentes, iniciou, nesta terça-feira (27), as festividades em comemoração aos 80 anos da unidade. Administrado pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi), da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), o hospital é voltado para a custódia e tratamento de pacientes portadores de sofrimento mental que cometeram crimes e que estão sob a guarda da Justiça.

As comemorações começaram com uma missa em ação de graças para os servidores do HPJJV, realizada na tarde desta terça. No dia 28, a partir das 14h, será a vez da confraternização dos internos, com direito a forró e lanche especial. No dia 29, haverá missa nos pavilhões, às 15h, para os pacientes. Na sexta-feira (30), às 14h, o evento será destinado às autoridades, com descerramento de placa comemorativa pelo aniversário. Durante toda a semana, haverá exposição dos produtos artesanais feitos pelos pacientes nas sessões de terapia ocupacional e laborterapia, como cestas feitas de jornal, bordados em tricô, árvores e enfeites natalinos criados a partir de garrafas pet e meias finas.

A terapeuta ocupacional Magda Navarro, responsável pelas terapias, informa que o trabalho não visa o lucro, e sim melhorias no tratamento de cada paciente. Caso algum produto seja vendido, o dinheiro é revertido aos detentos em forma de lanches e festas. “Nossos pacientes são pessoas e cidadãos que têm potenciais a serem descobertos, mas que necessitam de tratamento, tanto aqui como lá fora. Desde que haja um cuidado, a chance de reincidirem na prática de algum delito é muito baixa. Há casos concretos de ex-pacientes que retomaram a vida, conseguiram bons empregos, entraram na faculdade. Com apoio profissional e cuidado da família, é plenamente possível que eles vivam dentro da normalidade”, acredita.

Os pacientes da unidade também podem exercer atividades na horta local, atividade coordenada pelo agente penitenciário Nilton Tadeu Sá Fortes. Com simplicidade, ele conta as melhorias que isso traz: “Produzimos verduras e legumes que são utilizados nas nossas refeições. Os internos aprendem a lidar com a terra, plantar, fazer canteiros, a distância ideal de uma muda para a outra, o tempo de maturação de cada vegetal, e dá pra notar que eles ficam contentes de fazer isso. Muitos chegam aqui tristes, depressivos e, pouco tempo depois, você vê a recuperação, porque esse trabalho mexe com a mente e com a autoestima deles”, afirma.

Os pacientes do HPJJV também têm assistência religiosa e espiritual. O padre Alvim Valério Gonçalves, que trabalha na unidade há 20 anos, define os internos como pessoas que precisam de carinho e atenção. “Me chamam de padre, de pai, de irmão, de amigo. Nossos laços não se restringem à religiosidade. Sou muito próximo deles, sinto como se fossem da minha própria família”, diz.

Sobre o HPJJV

O HPJJV tem, atualmente, 190 pacientes, sendo 35 mulheres e 155 homens. O atendimento é realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por enfermeiros, médicos psiquiatras, clínicos e neurologistas, assistentes sociais, psicólogos e terapeuta ocupacional. De acordo com o especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e assessor do hospital, Pedro Mousinho, são três os casos de encaminhamento judicial para a unidade: “Atendemos presos condenados do sistema que necessitem de tratamento psiquiátrico temporário, aqueles em cumprimento de medidas de segurança considerados inimputáveis pela Justiça, (incapazes de entender e responder, em sã consciência, pelo delito cometido) e em caso de necessidade de Exame de Sanidade Mental e de Cessação de Periculosidade, feitos por médico-perito”, explica.

José Maria Fortes de Carvalho, que assumiu a diretoria-geral da unidade em agosto deste ano, trouxe para o local uma “bagagem” de humanização e de ressocialização da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Barbacena, onde é consultor jurídico e conselheiro. “Quando vim pra cá, cheguei com a consciência de que iria trabalhar com uma população diferenciada. E sou testemunha de como as atividades extras, como a laborterapia, a terapia ocupacional e o trabalho na horta e no jardim são positivas. O dia-a-dia dos pacientes melhora, a agressividade fica controlada, observamos até uma diminuição dos medicamentos ministrados. Eles atendem muito bem aos estímulos que lhes são oferecidos”, destaca.

O psiquiatra e diretor de atendimento do hospital, Sebastião Vidigal, ressalta que, com os 80 anos da unidade, é preciso ir além, partindo para um tratamento dinâmico, feito por uma equipe multidisciplinar, que também considera a figura do agente penitenciário como parte do processo. “Esse agente passará a ser chamado de agente de tratamento”, pontua. As ações, que envolverão adequação de espaços, projetos terapêuticos e programas de reciclagem de toda a equipe, têm como parâmetro a reforma psiquiátrica do Sistema Único de Saúde (SUS). “Equipes coesas passarão a atuar conjuntamente. O paciente passará a vivenciar o real significado dessa reforma, porque ele será observado em sua individualidade, graças a essa interação grupal. Assim, será possível superar o estigma da loucura para passarmos, então, ao reconhecimento da cidadania desses sujeitos”, explica.

O HPJJV foi criado pelo Decreto nº 7471, de 31/01/1927, e inaugurado em 15/06/1929 com o nome de Manicômio Judiciário. Por força do Decreto nº 5021, de 29/05/1956, o nome da unidade foi mudado para Manicômio Judiciário Jorge Vaz, em homenagem a seu primeiro diretor, Jorge de Paula Vaz. A partir de 1987, passou a se chamar Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz, nome que vigora até hoje.

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