Encontro capacita profissionais de Centros de Prevenção na temática do negro e morador da periferia

Na busca de um atendimento cada vez mais qualificado, analistas que atuam no Programa Mediação de Conflitos estão participando de capacitações mensais

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Crédito: Carlos Alberto/Imprensa MG


Se colocar no lugar do outro e compreender o que é estar naquele lugar é um facilitador na hora de prestar qualquer auxílio. Para que o trabalho dos analistas sociais que atuam no Programa Mediação de Conflitos (PMC) seja cada vez mais qualificado, a Subsecretaria de Políticas de Prevenção à Criminalidade (Supec), da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), vem realizando, mensalmente, encontros de formação.

No encontro mais recente, na Escola da Advocacia Geral da União, na região centro-sul da capital, a realidade do negro morador de periferia foi o eixo principal da discussão na temática “Identidades, raça e periferia”.

Cerca de 70 técnicos e gestores que atuam em Centros de Prevenção à Criminalidade de Belo Horizonte e da Região Metropolitana foram capacitados para garantir um atendimento cada vez mais qualificado às especificidades do público que é majoritário no programa. Dentre os atendidos pelo Mediação de Conflitos, cerca de 60% se autodeclaram negros (pretos e pardos).

Para Benilda Regina Brito, mestre em Gestão Social e ativista de movimentos feministas e negros, é essencial que os profissionais que trabalham diretamente com esse público entendam as relações que acontecem nos territórios e as condições de vulnerabilidade dessas pessoas para garantir uma atuação de excelência.

“Nós somos pessoas diferentes, com oportunidades diferentes, ocupando o mesmo espaço. Para mediar conflitos, é fundamental que a gente possa ver e se colocar no lugar de cada um, para que consigamos mudar essa realidade”, explicou.

Em sua palestra, Benilda apresentou dados sobre o racismo no Brasil, lembrou um pouco da história da escravidão e da cultura de desvalorização dos negros no país e contou sobre sua luta para ser reconhecida e respeitada como mestre em Gestão Social sendo uma negra vinda da periferia. “É preciso que essas pessoas sintam que quem as está ouvindo sabe de suas dificuldades e está ali para que juntos possam chegar a uma solução, qualquer que seja o conflito”, acrescentou.

Durante o encontro, realizado nessa quarta-feira (16/5), também foram colocados em pauta conceitos como os de racismo, preconceito e discriminação, além do compartilhamento de experiências. Segundo especialistas, o Brasil é o país com a segunda maior população de negros do planeta fora do continente africano.

Analista social no Programa Mediação de Conflitos, Poliana de Oliveira acredita que a discussão da temática é fundamental para que os profissionais possam se identificar com a realidade em que atuam. “A gente ganha muito nessa formação, para ter uma atuação mais qualificada dentro desse cenário de perdas de direitos e de negação da identidade. Essa discussão nos auxilia muito na condução dos trabalhos, a fim de fortalecer os assistidos no reconhecimento de suas histórias”, avaliou.

Esse foi o quarto encontro de capacitação do Programa Mediação de Conflitos em 2018. Desde janeiro, também já foram temas: “Mulheres, negras, moradoras de periferia”, “Intervenções em grupo – fomentando a organização comunitária” e “Veículos comunitários no viés da proteção social”. Os temas são definidos de acordo com as demandas recebidas dos territórios de atuação e também a partir de intervenções realizadas pelas equipes.

O programa

O Mediação de Conflitos é um programa de prevenção social à criminalidade que atua em territórios marcados pela violência e pelo baixo acesso a direitos, a partir dos fundamentos da Mediação Comunitária. O objetivo é a resolução pacífica de conflitos, com foco na prevenção e na redução de homicídios em razão de violência doméstica, familiar e contra a mulher, e também na resolução de conflitos entre vizinhos e na violação de direitos.

Os trabalhos são feitos por meio da participação social e institucional, da organização comunitária e de orientações para acesso a direitos. O programa tem caráter participativo e inovador, incentivando o diálogo e possibilitando o fortalecimento dos vínculos de grupos e comunidades.



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