ESP-MG levará propostas de vida saudável para o IV Encontro Nacional de Agroecologia

Pela primeira vez o evento, que deverá reunir 2 mil pessoas em Belo Horizonte, terá a promoção da saúde como pauta

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A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG) terá importante papel no IV Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), que acontecerá em Belo Horizonte no primeiro semestre deste ano. Pela primeira vez, o evento terá a promoção da saúde como um dos temas.

Segundo a pesquisadora da ESP-MG, Ana Flávia Quintão, o IV ENA, promovido pela Articulação Nacional de Agroecologia, será importante pela convergência de movimentos e ações no sentido de produzir alimentos, vidas, territórios e águas livres de agrotóxicos.

“O Brasil é país que mais consome agrotóxicos no planeta terra e temos aqui agrotóxicos proibidos no resto do mundo. Esse tipo de encontro é uma possiblidade de promoção de saúde, vida e dignidade”, explica Ana Flávia.

A ESP-MG integra do Grupo de Trabalho de Agroecologia, que conta também com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda), a presença de representantes de redes e movimentos sociais, profissionais da saúde e outras áreas.

Também fazem parte o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Brigadas Populares, Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Faculdade Patos de Minas (FPM), entre outras instituições.

O grupo tem o objetivo de promover espaços ativos de interlocução com o Governo do Estado sobre políticas para agricultura familiar, agroecologia e segurança alimentar e nutricional. Ana Paula destaca a importância de trabalhar e aprimorar a relação entre saúde e meio ambiente para qualidade de vida.

"São temas interligados, pois não existe saúde sem ambiente. Tudo que nós somos, toda nossa constituição física vem das coisas que nós retiramos do ambiente, alimento, água, o ar que respiramos. Se nós vivemos em um ambiente tóxico e adoecedor, a nossa saúde está completamente comprometida, se vivemos em um ambiente saudável, temos um equilíbrio entre as relações humanas e com os outros seres vivos”, afirma a pesquisadora.

Campo-cidade

A relação campo-cidade para o crescimento da agroecologia é um dos assuntos em discussão. Segundo a assessora técnica da Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas, Lorena Anahi é hora de se posicionar e rever conceitos.

“Buscamos projetar novas formas de conexão entre o urbano e o rural, trabalhando a quebra dessa dicotomia entre campo-cidade, rural-urbano que às vezes nos coloca em movimentos que não são confluentes. Esse é para identificarmos as possibilidades de conexão, seja pelas lutas pelos bens comuns, pelos recursos naturais, pela democracia e do acesso ao alimento sem veneno”, diz Lorena.

Expectativas

Marcos Jota, agrônomo da Articulação Mineira de Agroecologia, aponta que a escolha de Belo Horizonte para o evento é emblemática, pois a cidade tem uma trajetória de muitos anos com agroecologia, principalmente a agricultura urbana agroecológica e o estado de Minas Gerais tem muitos movimentos e organizações que a mais de 30 anos se dedicam a essa temática.

"Teremos a presença de agricultoras e agricultores do Brasil inteiro para reafirmar a importância da agroecologia, da alimentação saudável para a sociedade brasileira e também para fazer a denúncia de todas as dificuldades e crimes que nós enfrentamos relacionados a agroecologia e a necessidade da reforma agrária”, explica.

Cozinheira da comissão de alimentação do evento, Maria Fernanda Moreira espera que as pautas do evento fortaleçam a mudança na forma de interação com o alimento que produzimos.

"Minha expectativa é conseguir articular todos esses atores que têm se envolvido no âmbito da agricultura, da permacultura, alimentação e da cultura em geral. É importante pensar a alimentação como aquilo que foque na terra, na saúde, no uso da terra e até no respeito aos animais. Destaco ainda uma transformação no pensamento social sobre o fluxo de dinheiro", afirma Maria Fernanda.

O evento

O IV ENA foi tema de uma reunião preparatória promovida pela ESP-MG, na sexta-feira (2/5). Esta edição, que terá como tema "Agroecologia e Democracia: unindo campo e cidade", será realizada entre os dias 31 de maio e 3 de junho, em Belo Horizonte, e irá contar com cerca de 2 mil pessoas de todos os estados do Brasil.

O público será formado por 70% de agricultores (as) familiares, camponeses (as), povos indígenas, comunidades quilombolas, pescadores (as), outros povos e comunidades tradicionais, assentados (as) da reforma agrária e coletivos da agricultura urbana; 50% de mulheres e 30% de jovens diretamente envolvidas na construção da agroecologia.



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