Fhemig faz alerta para o abuso de bebida alcoólica durante o Carnaval

Hospital João XXIII reforça estrutura para aumento no número de pacientes alcoolizados. Médicos dão dicas para folião ter uma festa sem riscos

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Como ocorre em todos os anos, o setor de Emergência do Hospital João XXIII, da rede Fhemig, preparou a estrutura adequada para o aumento do número de pacientes e faz um alerta aos foliões para os cuidados necessários contra o abuso de bebidas alcoólicas neste Carnaval, em Belo Horizonte. A cidade espera 3,6 milhões de pessoas nas ruas.

Segundo o coordenador de plantão da Emergência do hospital, Marcelo Lopes Ribeiro, o número de pessoas alcoolizadas, desidratadas e vítimas de pequenas agressões atendidas durante o Carnaval é alto – muitas vezes, de 30 a 40 ao mesmo tempo. Esta é uma realidade do cenário atual, já que em outros tempos, como grande parte da população de BH viajava nesta época, o mais comum era a chegada de vítimas de acidentes nas estradas.

“Alguns pacientes chegam muito alvoraçados, outros prostrados, com vômitos ou dor abdominal. Fazemos os exames necessários, e no final o que se constata é o abuso de álcool. A maioria deles, quando questionados, diz que estava em um bloquinho de carnaval”, afirma o médico.

Ao beberem, as pessoas acabam se exaltando e brigando até sem motivo, e muitas vezes, podem sair vários feridos destas confusões. Portanto, a orientação ao folião é se afastar quando houver inícios de discussões mais calorosas. “As ruas de Belo Horizonte estão ficando muito cheias, e a segurança não consegue conter os ânimos de todos os foliões. Portanto, é melhor prevenir e se afastar de problemas”, diz Ribeiro.

As consequências de abusar do álcool durante vários dias seguidos são várias: uma das mais comuns é a queda de imunidade da pessoa, fazendo com que ela fique mais susceptível a doenças, que vão desde uma simples gripe a uma amigdalite ou até mesmo uma faringite.

Outros problemas graves que podem aparecer em decorrência do abuso das bebidas, são a desidratação do organismo e o sobrecarregamento do fígado. Este último pode gerar sintomas bem desagradáveis para o paciente, como vômitos e diarreias em grande quantidade – o que acaba contribuindo também para a desidratação.

Prepare-se antes da folia!

A hidratação durante as festas de Carnaval é extremamente importante, mas como o folião costuma se esquecer de beber água entre as bebidas alcóolicas, Marcelo Ribeiro sugere a ingestão de soro caseiro antes e depois dos blocos.

“Bebendo o soro antes de sair de casa, quando retornar as chances de uma desidratação são praticamente zero. A pessoa pode até ter náuseas, dores de cabeça, mas estará hidratada”, afirma o coordenador de plantão.

Outra forma de evitar os problemas consequentes do abuso de álcool é comer algo antes de sair de casa. De acordo com Ribeiro, o importante é se alimentar, independentemente se a comida é considerada saudável ou não. “A pessoa deve estar nutrida. Se há uma ingestão de proteínas e carboidratos, é o suficiente”, explica o médico.

Deve-se ter cuidado também ao beber nas latinhas, que costumam ficar armazenadas em uma água suja. Segundo Ribeiro, pode haver contaminação por uma bactéria existente nesta água, e a pessoa acaba associando erroneamente seu mal estar à bebida alcoólica. “Antes de beber direto na latinha, limpe-a com água ou um lenço umedecido”, recomenda..

Atenção redobrada com as crianças

A pessoa responsável pela criança não deverá ingerir álcool, já que precisa estar atenta a todos os movimentos e tomar cuidados extras. Segundo o diretor do HJXXIII e pediatra Sílvio Grandinetti, os incidentes mais comuns com crianças em blocos de Carnaval são as quedas da própria altura e a desidratação.

“É preciso oferecer líquido (água, suco, água de coco) constantemente a elas, e alimentos leves, para que elas não passem mal”, afirma o médico. O protetor solar também é fundamental para evitar queimaduras solares. “É importante lembrar que o ideal é que as crianças pulem Carnaval com outras, em blocos destinados a elas, com percursos curtos”, diz Grandinetti.

A identificação das crianças é importante para caso elas se percam dos pais. “Uma opção é colocar uma pulseira no braço, ou pendurar um crachá, com nome, telefones e endereço”, sugere o pediatra. Além disso, a organização “Criança Segura” recomenda que os pais segurem os pulsos dos filhos ao invés das mãos, pois o risco é menor de eles escaparem para brincar e sumirem no meio da multidão.

Mergulho em águas rasas

Quem escolher como destino durante as festas de Carnaval lugares que tenham nas proximidades rios e cachoeiras deve ter atenção com os perigos causados por mergulho em águas rasas. Todo o cuidado é pouco, pois mesmo que a pessoa esteja acostumada a nadar no local, a ingestão de álcool contribui para que ela perca a noção da profundidade das águas dos rios, que pode mudar de acordo com a época do ano.

O HJXXIII registra o maior número de casos de afogamentos e lesões graves de coluna durante os feriados prolongados. Na maioria das vezes, o afogamento de adultos acontece quando a pessoa ingere bebida alcoólica de forma excessiva, a ponto de diminuir os reflexos. Além disso, muitos entram na água sem saber nadar.

O mergulho em águas rasas é a quarta causa de lesão medular no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde. A maioria dessas lesões afeta pessoas com idade entre 10 e 30 anos. 

Um mergulho mal calculado - seja em rio, piscina ou mar - pode ser suficiente para deixar uma pessoa paralisada por toda a vida. Ao cair do alto, de cabeça, num local raso ou onde há pedras ou bancos de areia, o choque faz com que o pescoço seja dobrado enquanto o resto do corpo continua a se mover, causando fratura de uma das vértebras.

Veja algumas dicas:

- Não mergulhe em locais desconhecidos;

- Busque informações sobre a profundidade do local em que você pretende mergulhar;

- Entre primeiro no local, sem mergulhar;

- Evite brincar de empurrar amigos para dentro de piscina, cachoeira, lagoa ou mar.



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