Núcleo criado pelo Estado potencializa internacionalização de universidades mineiras

Sob coordenação da Sedectes, Numies trabalha na formulação de políticas públicas e parcerias para inserir instituições de ensino mineiras no exterior. Resultados já podem ser vistos na prática

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Comitiva composta por Sedectes e Fucam em Missão à Argentina
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Minas Gerais é o maior estado brasileiro em número de instituições públicas de ensino superior, sendo 11 federais, duas estaduais, cinco institutos federais e um centro tecnológico. Para expandir esse potencial acadêmico e científico, o Governo do Estado tem feito uma aposta estratégica nas áreas de ciência, inovação e tecnologia. Uma dessas ações foi a criação do Núcleo Mineiro de Internacionalização do Ensino Superior (Numies), coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes), que agora, com seu regimento interno elaborado, terá seu trabalho potencializado.

Instituído em abril do ano passado pelo governador Fernando Pimentel, o Numies tem como finalidade formular políticas públicas e parcerias para a internacionalização das Instituições Públicas de Ensino, Ciência, Tecnologia e Inovação sediadas no estado.

O objetivo é articular a negociação de acordos de cooperação técnica e financeira, aprimorar o ensino técnico, profissionalizante, tecnológico e superior, bem como estabelecer o intercâmbio de informações com organismos internacionais, governos estrangeiros e centros de pesquisa, ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo no exterior.

“Mesmo durante a elaboração do regimento interno, que acaba de ser concluído, o Numies estava em plena operação e com resultados concretos. Agora, temos mais força ainda para avançar na internacionalização das universidades mineiras”, explica a coordenadora do Núcleo, Alana Dourado.

O Numies foi inspirado nas redes de universidades existentes em outros países, que impulsionam o compartilhamento de conhecimento e a internacionalização. Em Minas Gerais, atualmente, poucas instituições de ensino superior estão em um processo avançado de internacionalização. “Queremos mapear e montar esta rede de universidades com excelência em diferentes áreas, para sermos atrativos no cenário internacional”, acrescenta Alana.

Entre as ações já desenvolvidas pelo Núcleo estão workshops e missões internacionais, viabilização da participação de professores em colóquios e palestras internacionais, além da recepção de delegações nacionais e internacionais interessadas em conhecer o ensino superior mineiro.

O início das atividades foi marcado por uma parceria com holandeses, em março do ano passado, por meio da organização de um workshop internacional e de uma missão ao país com o tema de ciência aplicada em prol do desenvolvimento sustentável.

Esta articulação teve importantes desdobramentos, sendo que um deles se concretiza em outubro, durante mais uma edição do Biobased Battle – competição entre estudantes mineiros e holandeses em busca de transferência de tecnologia da academia para o setor produtivo. Alunos da Uemg e da Unimontes participarão.

Segundo o subsecretário de Ensino Superior da Sedectes, Márcio Rosa Portes, o “peso” do Estado viabiliza cooperações que seriam mais custosas ou até impossibilitadas se fossem feitas bilateralmente.

"Tínhamos muitos encontros meramente protocolares, com delegações internacionais que nos procuram de forma espontânea, por exemplo. Dali muitas vezes não saía um resultado prático. Com o Numies, estes encontros passam a ser mais produtivos no sentido de resultarem em parcerias reais, concretas”, enfatiza Portes.

“Somos o estado do conhecimento, capaz de produzir conhecimento de alto valor agregado e de padrão mundial. A partir daí, abre-se esta segunda possibilidade, que é a de trazer conhecimento que possa agregar ao que nós já temos, gerando, ao final, algum tipo de solução para a sociedade”, completa o subsecretário.

Exemplo disso é que, na semana de 23 a 26 de junho último, professores da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) participaram, via Numies, do V Colóquio Internacional de Povos e Comunidades Tradicionais, que aconteceu na Universidade de Kassel, na Alemanha.

Professores da Unimontes participam de Colóquio na Alemanha. (Foto: Arquivo pessoal)

A coordenadora do Núcleo de Intercâmbio e Cooperação Interinstitucional da Unimontes, Maria Ângela Braga, conta que o Núcleo viabilizou a participação de dois professores no evento, que, por sua vez, está diretamente ligado à proposta de uma das pós-graduações da universidade. “Eles vão trazer este conhecimento para a comunidade acadêmica e estudantil aqui”, ressalta.

O professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Social da Unimontes, Rômulo Barbosa, foi um dos professores que participaram do Colóquio, e ressalta que o tema se consolida como uma das grandes áreas de estudo da universidade, tanto na pesquisa quanto na extensão.

“Com esta participação, a Unimontes passa a ser reconhecida, também fora do Brasil, como um dos centros de produção de conhecimento sobre estes povos e comunidades tradicionais. E pudemos, ainda, ampliar nossas articulações acadêmicas, tanto com outras universidades brasileiras, que estavam presentes, quanto com instituições internacionais”, conclui Barbosa.

Missão à Argentina

Em maio, o Governo de Minas Gerais, via Numies, fez uma visita à Argentina. O vice-presidente da Fundação Caio Martins (Fucam), Gildázio Alves dos Santos, participou da missão, que teve como objetivo o repasse de tecnologia argentina na área de agricultura familiar.

“Fomos muito beneficiados pelo Numies, pois articulávamos essa visita há mais de um ano, sem sucesso. Foi um momento muito importante para nós, porque precisamos atualizar e avançar na perspectiva tecnológica. A Fucam está em três territórios do estado e o que vimos lá nos acendeu muita esperança de avançar na área de retenção de recursos hídricos, com a tecnologia deles. Em contrapartida, também poderemos contribuir com eles, por exemplo, na área de compras públicas de produtos da agricultura familiar, na qual os argentinos não estão avançados”, explica Santos.

A ideia é que o acordo de cooperação entre Minas Gerais e o Instituto Nacional em Tecnologia Agropecuária (INTA) da Argentina comece em três áreas, sendo elas recursos hídricos, agroecologia e criatividade – neste último caso, aplicação de tecnologia e inovação na agricultura familiar.

“Procuramos estas instituições de alta expertise de lá para aprendermos as técnicas utilizadas. Na outra ponta, este conhecimento vai chegar aos técnicos, professores e alunos que trabalham diretamente com a agricultura familiar no estado”, diz o subsecretário de Ensino Superior da Sedectes, Márcio Rosa Portes.

Missão à China

Também em maio, o Numies realizou missão à China. A Agência de Atração de Investimento e Comércio Exterior (Indi) foi parceira na articulação das reuniões, além de fazer apresentações sobre o ambiente econômico e de inovação em Minas Gerais.

O principal parceiro visitado foi o Departamento de Educação da Província de Jiangsu, província irmã de Minas Gerais desde 1995. Na ocasião, foi apresentado um portfólio de pesquisadores de excelência em Minas Gerais, com seus respectivos grupos de pesquisa e áreas de expertise para ser apresentado às universidades chinesas a fim de facilitar a identificação de parceiros que desejem cooperar com os pesquisadores mineiros.

De acordo com o vice-presidente do Indi, Ricardo Ruiz, a missão teve como novidade o estabelecimento de uma nova relação entre o Estado e sua província irmã na China, com uma pauta de cooperação científica tecnológica na área educacional. “Até o momento, estávamos trabalhando basicamente com a atração de investimentos diretos chineses. Agora, a ideia é prospectar conexões educacionais, científicas e tecnológicas entre universidades mineiras e as de Jiangsu”, conta.

Adesão ao Núcleo

No regimento do Numies estão previstas três categorias de membros. Associados (instituições públicas), parceiros (instituições privadas) e colaboradores (organizações internacionais); Fora os membros, há ainda os interlocutores internacionais, que não são membros do Núcleo, mas a outra metade da cooperação, com os quais o acordo é celebrado.

Atuamente, as seguintes instituições são membros: Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG); Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS); Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas (IFSUDESTE); Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM); Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG); Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop); Fundação Caio Martins (Fucam). Fapemig, Uemg, Unimontes e a Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais (Seccri) integram o comitê executivo, que é presidido pela Sedectes.

Para ser membro do Numies é preciso responder ao formulário de adesão e enviar uma carta de interesse. Para ser parceiro, é preciso assinar um instrumento que demonstre este interesse, tal qual um Protocolo de Intenções, um Memorando de Entendimento, um Acordo de Cooperação ou mesmo um Projeto de Cooperação, bem como preencher um formulário com informações da instituição.

“Um dos pré-requisitos para adesão ao Núcleo é o preenchimento deste formulário com informações da instituição de ensino. Isso permite, para nós, a compreensão do perfil das IES, para que possamos acertar nas políticas”, enfatiza a coordenadora do Núcleo, Alana Dourado.



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