Povos indígenas têm suas tradições valorizadas com incentivos do Governo de Minas Gerais

Jogos, danças, reflexões, momentos de oralidade e batizados são algumas das manifestações e rituais que perpetuam os costumes das comunidades. Em 9 de agosto, celebra-se o Dia Internacional dos Povos Indígenas

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Criança indígena batizada em rio
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Dança dos Pataxós no Centro Cultural Txwudayda (Crédito: Arquivo pessoal)

Na manhã de 19 de abril, a aldeia Xucuru Kariri, localizada em Caldas, Território Sul, se levanta bem cedo, para, todos juntos, pintar o corpo das simbólicas cores vermelho e preto, pigmentos oriundos do jenipapo e urucum, como um ritual que precede celebrações tradicionais de seu povo.

Jogos, danças, reflexões, momentos de oralidade em volta da fogueira se alongam por dois dias na tribo e envolvem cada habitante de lá. Esse resgate ancestral é viabilizado pelo incentivo do Edital de Premiação das Festas Tradicionais das Comunidades Indígenas ou Grupos Tribais, da Secretaria de Estado de Cultura, que está com inscrições abertas até o próximo 4 de setembro. 

O cacique da aldeia, Jal Xucuru Kariri, explica que a data é símbolo de luta e resistência dos indígenas. “O vermelho do nosso corpo significa nosso sangue que já foi derramado. O preto é nosso luto pelo que já aconteceu”, conta o líder tribal.

Jal menciona que a causa também envolve outros rituais. “Como estamos reunidos celebrando nossa memória, aproveitamos para dançar o Toré, contar histórias em volta da fogueira, brincar de jogos típicos, praticar e ensinar nosso artesanato. É um momento muito bom para reviver costumes que marcaram nossa história e vivência”, relata.  

O edital é lançado anualmente e, de 2015 para cá, já investiu cerca de R$ 600 mil na valorização da cultura indígena dos povos aldeados em terras mineiras. Em todas essas edições, pelo menos 13 das 17 comunidades existentes no estado já foram contempladas mais de uma vez.

Jogos dos Xucuru Kariri (Crédito Arquivo pessoal)

Para os pataxós que vivem em Carmésia, Território Metropolitano, o incentivo vem como oportunidade de perpetuar a tradição indígena, como, por exemplo, realizando batizados de novos curumins.

Também realizado em abril, o ritual é chamado de Awê Heruê Niamissun. Alexandre Pataxó, representante da comunidade, explica como acontece a iniciação. “Dois membros da tribo, com notório saber da nossa cultura, entram no rio e recebem os pequenos para um banho de água corrente e repetição de preces em nosso dialeto”.

A celebração também é acompanhada com atividades indígenas seculares, como os jogos: equilíbrio do bambu, disputa da zarabatana, arco e flecha, derruba o toco corrida do maracá, cabo de guerra, tendas de artesanato e a dança Awê.

Sobretudo, o sentimento que rege o encontro pataxó é o de pertencimento e continuidade da causa indígena. Para tanto, são convidados universitários, como elos de uma corrente de reflexão sobre a importância da valorização indígena de geração para geração. Os momentos de diálogo acontecem no Centro Cultural Txwudayda da aldeia.

Edital de Premiação

O Edital de Premiação das Festas Tradicionais das Comunidades Indígenas ou Grupos Tribais está em sua 3ª edição e é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura. O objetivo é reafirmar a importância das tradições e rituais da cultura indígena como elemento fundador da formação da identidade brasileira.

Ao todo, recursos da ordem de R$ 195 mil serão destinados à valorização das manifestações culturais indígenas. As inscrições podem ser feitas até o dia 4 de setembro no site www.cultura.mg.gov.br. O resultado será divulgado dia 18 de setembro no mesmo endereço.



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