Aécio discorda de transferência de vôos para a Pampulha
O governador Aécio Neves solicitou formalmente à Anac explicações sobre a possibilidade da retomada de vôos diretos partindo do Aeroporto da Pampulha com destino a outras capitais do país. Aécio afirmou que a possível volta dos vôos seria um retrocesso no desenvolvimento do Estado.
BELO HORIZONTE (14/08/08) - O governador Aécio Neves é contra a retomada de vôos diretos partindo do Aeroporto da Pampulha com destino a outras capitais do país e solicitou formalmente à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) explicações sobre a possibilidade disso acontecer. Em entrevista nesta quinta-feira (14), no Palácio da Liberdade, Aécio Neves afirmou que a possível volta à Pampulha dos vôos para capitais seria um retrocesso no processo de desenvolvimento do Estado.
“Eu não apenas pedi explicações, como manifestei formal e oficialmente a minha posição absolutamente contrária à tentativa de retornarmos ao passado em Minas Gerais, com retorno de vôos da Pampulha, diretos para outras capitais. Seria um desserviço ao planejamento estratégico, ao desenvolvimento que Minas vem vivendo”, afirmou Aécio Neves, após a solenidade de assinatura de decreto regulamentando os Acordos de Resultados e o Prêmio por Produtividade dos servidores estaduais.
Os vôos nacionais foram retirados da Pampulha em 2005 e transferidos para o Aeroporto Tancredo Neves, em Confins, como parte das ações estratégicas do Governo do Estado para o desenvolvimento do Vetor Norte da capital, que incluiu também a construção da Linha Verde, com investimentos de R$ 350 milhões.
O governador ressaltou que a transferência dos vôos da Pampulha para Confins possibilitou a reativação do Aeroporto Tancredo Neves, antes sub-utilizado, criando um hub (centro de distribuição de vôos), que tem permitido ligações diretas de Minas com a Europa e outras partes do mundo.
“Infelizmente, não houve ao longo de todos os últimos anos, de todo este governo, qualquer investimento da Infraero no Aeroporto da Pampulha e tão pouco no Aeroporto Tancredo Neves, em Confins. Na verdade, o governo federal, nesse aspecto, é devedor do Estado de Minas. Fizemos, com recursos exclusivos do Estado, a Linha Verde, que está garantindo o acesso muito mais rápido ao Aeroporto Tancredo Neves, cuja renda é da Infraero, não é sequer do Estado. Não é possível que venha uma decisão unilateral, absolutamente contrária aos interesses do Estado”, disse o governador.
Transferência dos vôos
Há três anos, quando 130 vôos foram transferidos para Confins, a situação do aeroporto na Pampulha era de saturação. Com capacidade para 1,5 milhão de passageiros por ano, a Pampulha tinha volume superior a 3 milhões, com 90 mil pousos e decolagens, em 2004. Já o Aeroporto Tancredo Neves, inaugurado em 1984, com capacidade para 5 milhões de passageiros/ano e estrutura moderna, estava sub-utilizado, com apenas 388 mil passageiros em 2004.
“Temos que valorizar, fortalecer o Aeroporto Tancredo Neves, em Confins, e continuar cobrando da Infraero investimentos para a ampliação do terminal, que já neste ano alcança os 5 milhões de passageiros, que é o seu limite. O Aeroporto da Pampulha deverá ser utilizado para a aviação privada e em especial para a aviação regional, para os vôos que façam escalas no interior do Estado, incrementando a economia e o próprio turismo em Minas Gerais. Mas vôos diretos da Pampulha para outras capitais, não. Essa é a posição no governo, que compartilho com o município”, afirmou Aécio Neves.
Elo regional
Do Aeroporto da Pampulha saem diariamente cerca de 40 vôos com destino a cidades do interior de Minas, fazendo dele um importante elo entre as regiões do Estado. A aviação regional cresceu 60% desde a transferência dos vôos para Confins, segundo dados da Infraero. Em 2007, o Aeroporto da Pampulha recebeu 759,8 mil passageiros.
A transferência dos vôos foi determinada em 13 de março de 2005, pela portaria nº 1891/DGAC do Departamento de Aviação Civil (DAC), com apoio da Infraero, do Governo do Estado de Minas Gerais e da prefeitura municipal. Desde então, investimentos importantes têm sido feitos pelo Estado e empresas privadas, na aviação regional. Trip Linhas Aéreas, Air Minas e Ocean Air são as empresas que operam na Pampulha, atualmente.
Em maio passado, a Trip assinou protocolo de intenções que garante novos investimentos e ações da empresa em Minas Gerais. O protocolo dá continuidade aos entendimentos mantidos entre a companhia aérea Total e o Governo de Minas, em 2007, pouco antes de empresa ter sido incorporada pela Trip. O protocolo de intenções prevê a transferência do centro de manutenção de aeronaves da Trip para Minas Gerais e a realização de estudos para investimentos de R$ 40 milhões na implantação de um centro de treinamento de aeronaves ATR em Minas, com a criação de 150 postos de trabalho.
A Trip Linhas Aéreas é hoje a maior empresa de aviação regional no Brasil. Com a incorporação da Total, no ano passado, a nova Trip passou a atender 10 em Minas Gerais: Belo Horizonte, Montes Claros, Diamantina, Governador Valadares, Ipatinga, Araxá, São João del-Rei, Patos de Minas, Uberaba e Uberlândia. Até 2009, mais oito cidades de Minas passarão a ser atendidas pela companhia: Almenara, Nanuque, Paracatu, Pirapora, Varginha, Poços de Caldas, Manhuaçu e Juiz de Fora.
Proaero
Por meio do Proaero, o Estado está investindo na ampliação, modernização e revitalização dos 151 aeroportos públicos de Minas, sendo 45 com pistas pavimentadas e balizamento diurno, 25 com pistas pavimentadas e de uso noturno e 81 sem pista pavimentada. O Proaero é um dos sub-programas do projeto estruturador do Estado “Inserção Competitiva das Empresas no Mercado Internacional”.
Até 2010 estão previstos investimentos de R$ 240 milhões, a serem aplicados na construção, recuperação e manutenção de aeroportos. Estão programadas obras em 25 aeroportos, entre eles, os de Ubá, Itabira, Barão de Cocais e Ponte Nova.
A meta do Governo de Minas é revitalizar os 151 aeroportos e construir mais 12 aeroportos, até 2010. Com a conclusão do programa, a Rede Aeroportuária Estadual será composta por 163 aeroportos, sendo 35 pavimentados operando visuais diurnos, 72 pavimentados com balizamento noturno operando 24 horas e 56 não pavimentados operando diurno.