16h57m - 17 de Fevereiro de 2012 Atualizado em 07h43m
Educadores mineiros relatam a experiência de trabalharem na escola em que estudaram
Profissionais da rede pública de Minas colocam em prática lições aprendidas na adolescência
Antes alunos, hoje educadores. A situação que parece curiosa torna-se mais interessante quando o cenário não muda com o passar dos anos. Poder trabalhar na escola em que estudou é uma situação que permeia o dia a dia de vários profissionais da educação em Minas Gerais. Se antes, no papel de alunos, eles buscavam o tão sonhado aprendizado, hoje, esses profissionais ocupam as funções de professores ou até mesmo assumem a gestão do espaço que já conhecem bem.
Valéria Duarte Malta está há quatro anos no papel de vice-diretora. Porém, bem antes disso, ela já havia passado pelos portões da Escola Estadual Santa Maria, no município de Santa Maria de Itabira, na região Central do Estado. Foi no período de 1994 a 1999, quando cursou os últimos anos do ensino fundamental e o ensino médio. “Fisicamente não houve muita mudança no espaço. Ainda existem as dez salas de aula de antigamente. A estética visual é muito boa”, destaca a vice-diretora.
Se na estrutura não houve muitas mudanças, não se pode dizer o mesmo da parte pedagógica. “Os alunos contam com uma ajuda muito maior, como o transporte escolar, a merenda para o ensino médio e o livro didático gratuito para os estudantes. A demanda também cresceu”, analisa.
Sobre a oportunidade de trabalhar na escola em que estudou, Valéria faz as suas observações. “Quando entrei nesta função, tive um pouco de dificuldade em ter que trabalhar com educadores que foram meus professores, mas isso já passou e eu me adaptei. Do lado positivo, eu destaco o fato de já conhecer a cultura local. Sei a trajetória de nossos alunos, de onde eles vieram”, avalia.
Quem também busca tirar proveito dos antigos professores é Carolina Andréa Freitas de Faria Silvoni, que, desde 2007, leciona matemática na Escola Estadual Joaquim Botelho, em Coromandel, no Alto Paranaíba. “É uma experiência muito boa. Como não faz muito tempo que estudei aqui, trabalho com educadores que foram meus professores na época de estudante. Acabo pegando muitas dicas com eles, que possuem uma bagagem profissional maior que a minha”, explica a professora de 28 anos, que foi aluna escola entre os anos de 1994 e 1997.
Sobre a sala de aula, Caroline destaca que o tempo fez com que os estudantes surgissem com novas demandas. “Na minha época, por exemplo, o ensino da matemática não exigia tanta aplicação prática, mas não posso dar a mesma aula da minha época para os alunos de hoje. Com um mundo cheio de tecnologias, as aulas têm que ser mais dinâmicas e por isso, mais práticas. Procuro trabalhar dessa forma, principalmente em conteúdos como a geometria”, analisa a professora que leciona para alunos do 6º ao 8º ano.
Responsável pelo acompanhamento pedagógico na Escola Estadual Osório de Morais, também em Coromandel, Janaína Junqueira Valaci Cruvinel explica que a escolha de sua profissão não foi por acaso. “Sou formada em pedagogia com ênfase em supervisão. As pessoas que me influenciaram a escolher essa área foram duas especialistas que trabalhavam na escola quando eu era estudante. A forma carinhosa e o jeito paciente de tratar as crianças me encantaram”, lembra a especialista, que estudou os anos iniciais do ensino fundamental entre os anos de 1982 e 1987.
Exercendo a função de Especialista desde 2009, Janaína avalia a experiência como prazerosa. “Faz parte do meu trabalho acompanhar a parte pedagógica dos alunos, dos professores e da família. Faço com gosto, pois aprendi na escola que é assim que deve ser”, conta.
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