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Meio Ambiente

17h24min - 18 de Abril de 2011 Atualizado em 12h51min - 25 de Junho de 2013

Planta típica da Mata Atlântica tem projeto de uso sustentável em Minas Gerais

BELO HORIZONTE (18/04/11) - A candeia, planta que se desenvolve em lugares com solos pouco férteis, rasos e, predominantemente, em áreas de campos de altitude, pode se tornar um negócio lucrativo para as comunidades das áreas onde a espécie é comum. Um estudo que vem sendo conduzido na região de Ouro Preto pelo Governo do Estado, por meio do Instituto Estadual de Florestas (IEF), busca alternativas para o uso sustentável da espécie, que é muito valorizada no mercado internacional por conter o óleo alfabisabolol, utilizado na indústria de cosméticos.

A região de Ouro Preto foi escolhida para iniciar o trabalho de incentivo ao manejo sustentável da candeia devido à grande presença da espécie na área e pela utilização tradicional feita pelos moradores locais. Outro facilitador para a implantação do projeto é a existência de unidades de conservação que funcionam como polos para o desenvolvimento do trabalho. Na região, estão localizados o Parque Estadual do Itacolomi, a Estação Ecológica do Tripuí, a Floresta de Uaimií e a Área de Proteção Ambiental Cachoeira das Andorinhas.

A candeia é uma espécie do bioma Mata Atlântica que aparece em terrenos mais elevados, entre 800 e 1,3 mil metros de altitude. “É uma espécie muito resistente, presente em campos abertos de solo arenoso”, revela a gerente de Incentivos Econômicos à Sustentabilidade do IEF, Maria das Graças Rocha.

A técnica salienta que o manejo da candeia pode representar uma alternativa de renda muito atraente para inúmeros produtores. “O baixo custo de produção, já que é uma espécie muito resistente e de fácil reprodução, aliado ao alto preço de venda dos produtos tornam a atividade muito rentável”, observa Maria das Graças Rocha. “Por outro lado, a exploração predatória da espécie exige a criação de mecanismos para retirar a produção da clandestinidade”, completa.

Maria das Graças revela que um estudo desenvolvido pelo IEF, em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla), avaliou as possibilidades oferecidas pelo manejo sustentável da candeia. “Na maioria dos casos, o transporte representa o maior gasto dos produtores, com quase 64% dos custos. Como a espécie ocorre em locais altos, muitas vezes é necessário o emprego de veículos de tração animal”, destaca.

As outras despesas no manejo da candeia são similares a outras culturas agroflorestais e decorrem da aquisição de mudas, plantio, controle de pragas e proteção da área. “Outra modalidade de custos mais baixos e de menor agressão ao solo, mas com produção menor, é a exploração em ambiente de regeneração natural, em que o produtor utiliza as árvores já existentes em determinada área”, completa a gerente do IEF.

Sustentabilidade

A resistência da madeira da candeia transforma a espécie numa das mais utilizadas por proprietários rurais na fabricação de moirões e cabos para ferramentas. O uso principal, no entanto, é para a obtenção do óleo alfabisabolol. “Na natureza, além da candeia, somente a camomila produz o óleo, mas a extração é economicamente inviável”, salienta o consultor do IEF, Ricardo Galeno.

A extração do alfabisabolol responde por 75% do uso da candeia e tem impulsionado o interesse pela espécie. A substância possui propriedades hidratantes para a pele e por isso é utilizada na fabricação de cosméticos, entre eles batons e protetores solares. O produto é muito explorado por empresas internacionais, sendo que, atualmente, uma única organização alemã é responsável pela compra de 65% da produção brasileira.

A exploração da candeia atraiu o interesse da estudante da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Nancy Khweiss. Desenvolvendo um projeto de mestrado na área de economia em sistemas agroflorestais, ela visitou o Parque Estadual do Itacolomi para conhecer o trabalho que é desenvolvido pelo IEF no manejo da candeia.

Para a norte-americana, a busca pela sustentabilidade no manejo da candeia deve passar por outras áreas do governo, além da ambiental. “É necessário estimular organizações de associações dos produtores, que teriam maior poder de negociação dos seus produtos frente às grandes empresas”, afirma.

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