ÁUDIO: Minas amplia realização de mamografias em 22%
O Programa de Controle do Câncer de Mama em Minas Gerais, lançado em abril de 2012, já está dando resultados positivos. O estado apresentou aumento de 22% no número de mamografias realizadas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em seis meses foram 176.288 exames realizados, enquanto durante todo o ano de 2011 foram 143.932 exames.
Segundo a gerente estadual do Programa de Controle do Câncer de Mama, Colo e Útero, Renata Gomes, o aumento é uma consequência das mudanças no programa de controle da doença. Minas modificou pontos chaves do fluxo de atendimento à mulher. “A mudança mais importante foi a ampliação da faixa etária prioritária para 45 a 69 anos. Enquanto na maioria dos estados a idade prioritária é a partir dos 50 anos, em Minas Gerais, já aos 45 anos a mulher é aconselhada a fazer mamografia. E o Estado oferece o exame gratuitamente para elas no SUS”, disse.
A ampliação da faixa etária tem como objetivo melhorar o prognóstico do Câncer de Mama nas mulheres mineiras. As taxas elevadas de mortalidade são consequência de um diagnóstico tardio da doença. ”Aproximadamente 25% das mortes podem ser evitadas se a mulher descobrir o câncer ainda em estágio inicial. Aumentar a faixa etária garante o acesso do exame a uma ou mais mulheres, favorecendo o diagnóstico precoce da doença”, explicou Renata.
Desburocratização
Outra medida citada como responsável pelo aumento do acesso aos exames foi a desburocratização do atendimento. Antes, os exames de rastreamento eram realizados somente após uma consulta médica. Com o novo fluxo de atendimento, a mulher não precisa mais ir ao médico para pedir uma requisição, ela pode solicitar um formulário em qualquer Estabelecimento de Saúde Pública, preenchê-lo e marcar o procedimento em uma unidade de saúde que disponha de um mamógrafo.
Minas Gerais possui 511 mamógrafos para atender a população. Além de seis Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom), dois Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), serviços de oncologia pediátrica e de radioterapia.
Após os laudos, os exames devem ser enviados para a Unidade de Saúde de referência. Para facilitar a definição diagnóstica do Câncer de Mama foi criado um sistema de classificação que estabelece o fluxo e a prioridade no atendimento das mulheres em função dos resultados encontrados.
Todos os resultados do exame de mamografia deverão, assim, ser disponibilizados com os adesivos informando a classificação do exame e o procedimento a ser realizado.
Treinamento
Para tornar o processo ainda mais ágil e eficaz, a Secretaria de Estado de Saúde (SES), através da coordenadoria de controle do Câncer de Mama, está realizando a capacitação de todos os funcionários envolvidos no atendimento à mulher.
O objetivo principal é esclarecer e detalhar o novo fluxo de atendimento para os profissionais de coordenadorias de atenção primária dos municípios, gestores de saúde, prestadores de serviços de mamografias e profissionais dos Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACONs) de referências.
“O treinamento está sendo realizado em todas as macrorregiões de saúde do Estado. Queremos que não fiquem dúvidas em relação ao direito de toda mulher a realizar o procedimento”, explica Renata.
A doença em números
O câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo, e o mais comum entre as mulheres, respondendo por 22% dos casos novos a cada ano. Porém, se diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom.
No Brasil, no entanto, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. Em 2010, ocorreram 12.812 mortes por causa da doença.
Em Minas ocorreram 1.071 óbitos por câncer de mama e a taxa bruta de mortalidade foi de 10,6 óbitos por 100.000 mulheres mineiras. Para 2011, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que serão 4.250 mulheres com a doença a taxa bruta de incidência será de 41 casos novos por 100.000 mineiras.