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Agricultores do Projeto Jaíba terão irrigação mais simples

Sexta-feira | 24/08/2007 | 18:13·Atualizado em 30/06/2013 | 03:46
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JAÍBA (24/08/07) – Os produtores rurais instalados no Projeto Jaíba estão na expectativa de trocar o "olhômetro" pelo computador na hora de irrigar suas culturas e, ainda, lucrar com isso. É que estão sendo realizados os últimos ajustes para a implantação do Irriga Fácil, um software que promete reduzir o desperdício de água e energia elétrica nas culturas mantidas com irrigação.

A Emater-MG, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), está instalando 15 unidades demonstrativas em pequenas propriedades no perímetro irrigado do Jaíba e quatro no Projeto Gorutuba, ambos no Norte de Minas, região de longos períodos de seca. As propriedades selecionadas serão acompanhadas por pelo menos um ano, para que sejam aferidos os resultados práticos do projeto. O sistema será aplicado tanto em culturas anuais, como milho, feijão e mandioca, quanto nas perenes, como as frutíferas e o café.

Para ajudar na mobilização e troca de conhecimentos entre os produtores da região, a Emater-MG realiza palestras e organiza encontros de produtores e técnicos, para tirar as dúvidas do sistema e explicar as vantagens. Baseado no chamado Método Resende, desenvolvido por Morethson Resende, então pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, o Irriga Fácil permitirá aos agricultores conhecer de forma simplificada as necessidades hídricas de cada cultura, dia a dia.

Pela parceria, os técnicos da Emater-MG irão abastecer a planilha do software com dados como estimativa da perda de água da superfície do solo e das plantas, as características dos ciclos produtivos de cada espécie e séries históricas de índices pluviométricos (estas fornecidas pelo Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet). Após o processamento das informações, os produtores receberão uma folha impressa com o calendário de irrigação. Nele, estarão impressos a duração e o momento corretos da irrigação em cada dia e o volume de água a ser utilizado ao longo de todo o ciclo de cada cultura.

"Para facilitar ainda mais, os produtores podem retirar, nos escritórios da Emater, uma tabela simplificada, que indica apenas o tempo correto de irrigação, para cada dia. Eles podem colar esse papel ao lado da bomba d´água", explica o coordenador estadual de Irrigação da Emater-MG, Antônio Martinez de Carvalho. "O objetivo é estimular o uso racional da água e da energia elétrica, contribuindo não apenas para melhorar o rendimento dos produtores, mas também para a preservação e a conservação dos recursos naturais", ressalta.

Além da Emater-MG, Embrapa Milho e Sorgo e Inmet, participam da parceria para a implantação do Irriga Fácil a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Banco do Nordeste. Martinez destaca que o sistema estará disponível para todos os produtores rurais dos perímetros irrigados do Jaíba (cerca de 1,6 mil) e do Gorutuba, onde estão instalados aproximadamente 460 pequenos agricultores.

Expectativa

O produtor Marco Antônio Oliveira é um dos que estão na expectativa de economizar e ainda ver a produção aumentar, com a implantação do Irriga Fácil. Em vez de percorrer um hectare, dividido meio a meio entre os pés de limão e de café, para verificar se as plantas precisam de água, com o novo sistema ele terá apenas de consultar uma tabela colada ao lado da bomba d´água. Ali estará indicado por quanto tempo o sistema de irrigação deverá funcionar, a cada dia, durante todo o ciclo de cada cultura.

"Por enquanto, eu faço o manejo da irrigação no olhômetro mesmo. Dou uma olhada, ponho a mão na terra e decido se está precisando de água, mas a quantidade certa fica difícil calcular. E isso, às vezes, causa problemas, porque água demais também não é bom, pode provocar doenças. Acho que com esse novo sistema que a Emater está trazendo vamos poder economizar e ainda produzir mais", afirma Oliveira.

Ele está colhendo este ano os primeiros frutos dos pés de café plantados em fevereiro de 2006. "Este ano deu só uma catada, a safra mesmo vai ser em 2008", informa. Na cultura de limão, formada no início de 2005, a produção chegou este ano a 500 quilos. No total, o gasto com água e energia fica em torno de R$ 140 por mês, quantia que Marco Antônio pretende reduzir, com o uso mais racional do sistema de irrigação. "E também estou projetando uma produção maior de limão e café", completa.

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