Angola quer Minas como parceira na formação de pesquisadores
BELO HORIZONTE (24/08/07) - Em visita a Minas Gerais, nesta sexta-feira (24), delegação angolana, liderada pelo vice-ministro da Agricultura, Zacarias Sambeny, manifestou seu interesse em firmar parceria com o Estado, após conhecer o funcionamento do Sistema de Ciência e Tecnologia em Minas Gerais.
Os angolanos foram recebidos pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Alberto Portugal. Os visitantes demonstraram grande interesse pelo modelo de formação de pesquisadores em Minas, através da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Eles também se interessaram pelo funcionamento dos Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) que promovem a inclusão social dos cidadãos mineiros, por meio de uma infra-estrutura de informática e de telecomunicações, fortalecendo a profissionalização e o desenvolvimento das comunidades.
O secretário Alberto Portugal sugeriu aos visitantes que, por meio do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural de Angola (Minader), sejam realizados estudos para a consolidação de uma parceria entre Minas Gerais e Angola nas áreas de inclusão digital e formação de pesquisadores.
O secretário Alberto Portugal acredita que estreitar as relações de Minas Gerais com Angola na área de ciência, tecnologia, educação técnica e superior é uma grande oportunidade de ajudar o país na sua reconstrução após 30 anos de guerra. Ele lembrou que o Brasil, especialmente Minas Gerais, tem condições muito similares àquele país do continente africano, sobretudo no aspecto dos recursos naturais.
“Temos uma ligação étnica muito forte e um vínculo cultural. Agora vamos trabalhar para estabelecer uma sólida relação para o fornecimento de tecnologia e vamos ajudá-los a construir uma base de desenvolvimento científico e tecnológico”, declarou o secretário.
O vice-ministro da Agricultura de Angola, Zacarias Sambeny, também ficou atento ao funcionamento dos CVTs e à necessidade de trabalhar a inclusão digital em todo o território angolano, beneficiando primeiramente os jovens que ainda estão excluídos da informatização e o produtor rural.
O subsecretário de Inovação e Inclusão Digital de Minas Gerais, William Brandt, mostrou que é possível integrar o produtor rural de Angola para aprender novas técnicas, além de dar a ele oportunidade de saber a cotação dos seus produtos e até mesmo vendê-los pela internet.
Já o diretor de Planejamento, Gestão e Finanças da Fapemig, Paulo Kleber Duarte Pereira, deixou clara a possibilidade da parceria, inclusive envolvendo o CNPq, Finep e Capes. “Pesquisadores angolanos poderão vir, fazer mestrado e doutorado aqui com o apoio da Fapemig e do CNPq num programa nacional, como também temos a possibilidade de os nossos pesquisadores irem para lá, trabalhar em projetos e programas”, disse.
O vice-ministro da Agricultura, Zacarias Sambeny, afirmou que depois de 30 anos de guerra, Angola experimenta um período de otimismo e crescimento forte de sua economia com uma grande dinâmica em termos de reabilitação do tecido humano. A área social, segundo ele, tem tido êxito, principalmente na saúde, educação, abastecimento de água, energia e saneamento básico. Assinalou também que a infra-estrutura está sendo toda reconstruída a partir da malha rodoviária e ferroviária.
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