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Biblioteca comunitária é reestruturada em Ribeirão das Neves

Segunda-feira | 20/08/2007 | 19:12·Atualizado em 25/06/2013 | 04:29
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RIBEIRÃO DAS NEVES (20/08/07) – Cultura e entretenimento voltam a fazer parte do cotidiano dos moradores dos bairros Fazenda Castro e Veneza, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Crianças, jovens e adultos já podem aproveitar o espaço da Biblioteca Comunitária Adélia Prado, que foi toda reestruturada a partir da ação conjunta do Programa Mediação de Conflitos, da Superintendência de Prevenção à Criminalidade/Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), e do Grupo de Projetos Comunitários (GPC), associação comunitária local.

Para marcar a entrega da biblioteca à comunidade aconteceram apresentações de teatro da oficina do Programa Fica Vivo Núcleo Veneza e das crianças de três escolas da região, além de espaços de pintura corporal e produção de chaveiros e rua de lazer, com pula-pula, cama elástica e mesas de ping-pong. Segundo Naiara Freitas, técnica do programa Mediação de Conflitos/Núcleo Veneza, “a rua de lazer é um importante meio para que as pessoas possam associar a biblioteca a bons momentos de lazer e diversão. Isso estimula a participação da comunidade.” Técnicos e estagiários do programa realizaram mini-visitas guiadas, com grupo de cinco pessoas, para explicar o funcionamento da biblioteca e a sua importância.

Fábio Coelho, 17 anos, sabe muito bem o quanto os moradores ganham com a reestruturação: “a biblioteca na comunidade dá oportunidade para que as pessoas que não freqüentam a escola tenham acesso aos livros. Todos devem ter sede de leitura, pois leitura é sabedoria. O Fica Vivo e o Mediação de Conflitos são importantes para que Ribeirão das Neves tenha oportunidade de caminhar para a leitura, pois, sem leitura, a cidade não vai crescer.” Thiago Rodrigues, 18 anos, oficineiro de futebol de campo do Fica Vivo, concorda e acrescenta: “vou estimular os jovens da minha oficina a usarem a biblioteca, inclusive para o reforço escolar.”

Já foram concluídas as reformas interna e externa, com aumento da varanda, instalação de grades, construção de banheiro e pintura, entre outras melhorias. A parceria prevê, ainda, a catalogação dos 1.700 exemplares, levantamento e acompanhamento do número de freqüentadores e elaboração de relatórios sobre o público atingido. Com a ampliação das instalações, a biblioteca vai abrigar também atividades, como concurso de redação, reunião de grupos locais, espaço de leitura e palestras, entre outros.

Conflito

Os bairros Fazenda Castro e Veneza estão localizados em uma região considerada muito carente de Ribeirão das Neves, abrigando cerca de 25 mil pessoas no entorno da biblioteca e cerca de 100 mil moradores. “O programa entende 'conflito' também como falta de acesso. A biblioteca é um equipamento comunitário de extremo destaque, pois oferece não só ocupação do tempo, mas também disponibiliza condições para o desenvolvimento dos moradores”, ressalta o coordenador do programa Mediação de Conflitos, Braulio Magalhães.

De acordo com os técnicos do programa, a reativação da biblioteca é resultado da mobilização da própria comunidade e este é um dos pressupostos para o investimento nos projetos temáticos implementados pela Mediação de Conflitos. “Os projetos estimulam a parceria, a participação e a construção de soluções conjuntas. A própria comunidade se mobilizou e o Estado atua como parceiro que fomentou e organizou essa mobilização”, explica Braulio.

O coordenador destaca que o objetivo é trabalhar demandas coletivas em escala ampliada, estimulando o associativismo. Outros projetos, seguindo essa metodologia, já foram desenvolvidos. No bairro Rosaneves, em Ribeirão das Neves, o trabalho resultou na execução do projeto “Costurando Sonhos”. Já no bairro Palmital, em Santa Luzia, o projeto ganhou o sugestivo nome de “Mulheres Criativas”. Essas ações buscam qualificar e otimizar o trabalho das costureiras locais. Em Montes Claros, é realizado o Viva a Vida, que leva informações sobre sexualidade e planejamento familiar aos alunos das escolas do bairro Santos Reis.

Mediação

O Programa Mediação de Conflitos atua em aglomerados, desenvolvendo atividades de prevenção e de resolução de conflitos extrajudiciais, estabelecendo relações baseadas no diálogo. Busca também o encaminhamento da população para acesso aos direitos e serviços essenciais, como direitos do trabalhador, da criança e do adolescente, relações familiares, regularização de moradia, acesso aos serviços públicos essenciais, apoio à organização comunitária para formação e fortalecimento de associações, cooperativas, grupos culturais e fóruns comunitários.

Em 2006, o programa promoveu cerca de 15.700 atendimentos, três vezes mais que em 2005. Atualmente, são 19 núcleos, sendo nove em Belo Horizonte - Barreiro, Cabana do Pai Tomás, Jardim Felicidade, Morro das Pedras, Pedreira Prado Lopes, Ribeiro de Abreu, Santa Lúcia, Serra e Taquaril; sete na Região Metropolitana - Betim, Contagem, Ribeirão das Neves (dois núcleos), Sabará, Santa Luzia e Vespasiano; e, três no interior de Minas - Ipatinga, Governador Valadares e Montes Claros.

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