Combate à Pobreza Rural garante alimentação orgânica a famílias de baixa renda no semiárido
CLARO DOS POÇÕES (04/10/11) – Um investimento pouco superior a R$ 15 mil, viabilizados pelo Governo de Minas através do Programa de Combate à Pobreza Rural – (PCPR), há três anos vem garantindo alimentação orgânica e melhor qualidade de vida a vinte famílias de baixa renda, residentes no município norte-mineiro de Claro dos Poções. Mesmo nesta época do ano em que o longo período de seca castiga a região do semiárido, na comunidade de Vaquejador as famílias mantêm uma horta comunitária e, por isso, não enfrentam problemas com a falta de alimentos, embora haja redução da produtividade das lavouras.
A horta ocupa área de aproximadamente 1,5 hectare. Com a utilização de tarifa diferenciada de energia elétrica, pelo fato do sistema de irrigação ser ligado apenas no período noturno, as famílias garantem a produção de feijão e milho, suficiente para o consumo durante todo o ano. A colheita de couve, beterraba, tomate, feijão, alho, abóbora, cenoura, alface, cebola, quiabo e repolho também se destaca na comunidade e, nos últimos anos, passou a se constituir numa fonte de geração de renda para os agricultores.
Animado com a iniciativa pelo fato do projeto envolver pais e mães de famílias que não possuem emprego fixo e, antes, eram dependentes do apoio do poder público para sobreviverem, o extensionista da Emater-MG, José Carlos Dias Santos salienta que além de garantirem a produção da própria alimentação diária, o empreendimento possibilita o alcance de melhor qualidade de vida para crianças e adultos, através do acesso a uma alimentação saudável. Isto porque, “aliado à vantagem de toda a produção ser orgânica, as famílias passaram a consumir produtos que antes não eram comuns no dia-a-dia, como é o caso de brócolis, rabanete e rúcula”.
Com previsão de a partir do próximo ano ter a área ampliada, em virtude da Prefeitura ter interesse de comprar parte da produção de alimentos para a composição do cardápio da merenda escolar, a implantação da horta comunitária em Claro dos Poções só foi viabilizada através de parceria estabelecida pelo Governo do Estado com a Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Vaquejador. A Secretaria de Estado do Desenvolvimento dos Vales Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas – (Sedvan) por meio do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais – (Idene), repassou à entidade pouco mais de R$ 12 mil para a compra de equipamentos de irrigação e equipamentos agrícolas.
À Associação dos Produtores Rurais coube contrapartida de aproximadamente R$ 3 mil, enquanto a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – (Emater), vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – (Seapa) elaborou o projeto e mantém a prestação de serviço de assistência técnica aos agricultores.
José Carlos Dias destaca que pelo fato do Programa Nacional de Alimentação Escolar estabelecer que 30% dos produtos destinados à merenda dos estabelecimentos de ensino deve ser proveniente da agricultura familiar, abre boas perspectivas para o incremento de projetos comunitários, como é o caso da horta conduzida pelas famílias da comunidade de Vaquejador. “Além de garantirem a produção de alimentos para o consumo próprio, a comercialização do excedente cria uma fonte de trabalho e renda o que, consequentemente, contribui para a melhoria da qualidade de vida dos pequenos produtores” – salienta o extensionista da Emater.
Associativismo
Mesmo tendo assumido a responsabilidade de trabalhar de madrugada na irrigação da horta, o produtor rural João Duarte da Fonseca se revela “satisfeito com os resultados alcançados”. Isso porque, explica, “antes da implantação da horta as famílias ficavam na dependência do recebimento de ajuda do poder público, agora temos uma alimentação diversificada e de boa qualidade, além da possibilidade de vender o excedente da produção”.
João Fonseca explica que para participar do projeto a única exigência da Associação é que as famílias beneficiadas sejam integrantes da entidade. “É uma forma de fortalecer o associativismo e viabilizarmos a ampliação da horta comunitária” – conclui o agricultor.



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