Detentas do Presídio Bicas II fazem vestidos de noiva
SÃO JOAQUIM DE BICAS (18/05/10) - Vestidos brancos para noivas e para damas de honra são as principais peças que cinco detentas do Presídio de São Joaquim de Bicas II estão aptas a produzir. Elas concluíram este mês o curso de costura que teve três meses de duração. O certificado foi entregue como prova de que o grupo já domina todas as etapas do processo de produção dos vestidos. O curso é fruto de uma parceria entre a Diretoria de Trabalho da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), a empresária Maria do Rosário Elias, a professora Hildete Veríssimo e a unidade prisional.
A solenidade de entrega dos certificados aconteceu no refeitório do Presídio de Bicas II, com a presença do subsecretário de Administração Prisional, Genilson Zeferino, do diretor geral do presídio, Anderson Leite, e de representantes das diretorias de trabalho e de ensino da Seds, além de detentas convidadas pelas formandas, de representantes da Comissão de Direitos Humanos e demais pessoas diretamente envolvidas com o curso.
Na avaliação do subsecretário Genílson Zeferino, cursos de capacitação para atividades das mais diversas áreas são fundamentais para ampliar a chance de reinserção dos presos no mercado de trabalho, após o cumprimento de suas penas “Essa capacitação é imprescindível para a ressocialização e deve servir como uma lanterna para iluminar o futuro dessas pessoas, que com certeza contam com gente que nelas acreditam”.
Peças delicadas
As aulas que tornaram as presas aptas para cortar e costurar começaram em janeiro deste ano e foram finalizadas em abril. A professora Hildete diz que algumas internas já dominavam determinadas técnicas, mas foi preciso trabalhar com calma, uma vez que a confecção de vestidos de noiva exige muita dedicação. “Todas as alunas formandas estão capacitadas a trabalhar por conta própria. Elas aprenderam a fazer peças de noivas e de damas de honra, que são muito delicadas e cheias de detalhes. Portanto, estão prontas para produzir qualquer tipo de roupa”, garante.
A detenta Ladymeia Cristo, uma das cinco que conseguiram o certificado, conta que no início tudo o que ela e as colegas visualizavam eram apenas um monte de pano branco. “Agora, somos capazes de confeccionar quatro diferentes modelos de vestidos. Lá fora, quando a gente acabar de cumprir nossas penas, só vai fica sem trabalhar quem quiser”, comemora.
De acordo com Hildete, os primeiros contatos com as internas a deixava tensa. Ela confessa que chegava a ter medo de ficar sozinha com as alunas, problema que logo foi superado. Hoje ela considera cada uma das formandas como se fossem suas filhas e que, inclusive pretende manter o contato com todas.
A turma de cinco presas foi a primeira a ser capacitada em um curso de costura no Presídio de São Joaquim de Bicas II. A parceria com a empresária Maria do Rosário permitirá a montagem de uma alfaiataria na ala masculina, para produzir também ternos. Rosário disse que seu intuito é formar costureiras e costureiros profissionais. “Quando venho para cá não digo e nem sinto que estou indo para uma unidade prisional, mas para uma fábrica”, concluiu.

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