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Diversidade marca encontro para inclusão da pessoa com deficiência

Quarta-feira | 16/04/2008 | 18:07·Atualizado em 23/06/2013 | 12:33
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TEÓFILO OTONI (16/04/08) - A seletiva para a 3ª Jornada da Inclusão da Pessoa com Deficiência foi realizada nesta quarta-feira, em Teófilo Otoni, no Norte de Minas, com nove apresentações, entre dança e shows de cantores, além da exposição de quatro artesãos e um grupo de capoeira, mostrando a presença da cultura popular no evento.

A troca de experiências e o aprendizado marcaram as apresentações, comandado pelo ator Marcos Frota, parceiro da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A partir do encontro, serão selecionados alguns artistas para participarem da jornada no fim do ano, em Belo Horizonte. Ao longo de dois meses, Frota visitará outras 26 cidades para conhecer, catalogar e finalmente indicar quem estará no evento na capital.

“Estamos iniciando uma nova etapa da Jornada, que nas duas edições anteriores foram realizadas com muito sucesso. A idéia agora é ampliar a busca por trabalhos de inclusão através da arte no Estado. Eu, como mineiro de Guaxupé, me sinto realizado por percorrer Minas Gerais em uma causa tão nobre, que é incluir e ajudar a vencer o preconceito”, afirmou Frota.

Ele ainda destacou o trabalho realizado pela SES nas políticas de saúde para as pessoas portadoras de deficiências, na qual a jornada está inserida. “A Secretaria de Saúde de Minas demonstrou uma grande sensibilidade ao ter esta iniciativa. A parceria que firmamos é importante não só para mim, mas para demonstrarmos que é possível superar adversidades e aplicarmos a força transformadora da arte na realidade”, avaliou.

A funcionária da Coordenação de Atenção à Saúde da Gerência Regional de Saúde de Teófilo Otoni, Elizete Jardim, relatou como o envolvimento em promover a seletiva mobilizou várias pessoas, trazendo aprendizado. “Temos uma equipe muito unida e que se ajuda muito. Soubemos que deveríamos entrar em contato com os municípios e associações, com trabalhos de arte para portadores de deficiência e nos mobilizamos imediatamente. Com certeza valeu a pena, pois estas apresentações emocionaram bastante. Só perdeu quem não esteve presente”, brincou.

Superação

Logo na chegada, ela chamava a atenção por sua simpatia. O namorado, sempre acompanhando, parecia conversar com ela para lhe dar tranqüilidade. Foi assim que Clarissa, cantora há 16 anos, esteve durante o evento. No palco, porém, ela soltou a voz em clássicos da música popular brasileira, como “Madalena” e “Como nossos pais”. Foi aplaudida de pé. Marcos Frota anunciou inclusive que vai indicar a cantora para o quadro “Superação”, do programa “Domingão do Faustão”, em que artistas com deficiência mostram suas habilidades.

Além do talento, estava ali uma bela história de amor e superação, que não foi atrapalhada por uma doença congênita que limitou o crescimento de Clarissa e sua locomoção. O amor pela arte trouxe, inclusive, um companheiro, o ator Fabrício Chaves. Juntos há cinco meses, eles explicam que após um encontro em que houve a oportunidade de falar suas preferências artísticas, ali nasceu uma grande paixão. “Já tivemos outros encontros, mas quando pudemos conversar e nos expressar, sentimos algo diferente”, contou Clarissa.

Já Fabrício não deu bola para eventuais questionamentos por ele assumir um relacionamento com uma pessoa portadora de deficiência. “O que sinto e penso é mais importante. Não possuo deficiência, mas se tivesse medo em expor meu namoro, aí sim haveria algo estranho”, comentou.

Afinação em dupla

A tradição da música sertaneja é formada por grandes duplas, que cantam suas modas, emprestando a voz aguda para falar das angústias da vida no campo e a decepção com as pessoas da cidade. Todos estes requisitos estavam na apresentação de Zé Ivaldo e Wellington. O primeiro, já veterano com participação em show de calouros de São Paulo, o segundo cantando em bares de Poté, cidade a 40 km de Teófilo Otoni, onde vivem. Encontraram-se há quatro anos e decidiram formar a dupla.

“A mensagem que queremos deixar é para que as pessoas não desistam. Claro que a música não é fácil e com as limitações de uma deficiência, podem aparecer mais obstáculos. Mas é possível seguir em frente, para lembrar uma música do Almir Sater”, disse Wellington, que não tem os movimentos das pernas em decorrência de paralisia infantil, adquirida em 1978, quando tinha apenas um ano e sete meses de idade.

Zé Ivaldo, cego desde os 17 anos, endossa as palavras do parceiro, adicionando que a amizade também é fundamental. “Damos apoio um para o outro. É um verdadeiro irmão para mim. A gente procura sempre estar unido para superar as dificuldades”, disse.

Capoeira

Outra apresentação que levantou o público foi a do grupo de capoeira Ginga, da Apae de Teófilo Otoni. O professor Paulo Leal, ou Cebolinha, como é conhecido pelos alunos, explicou como o esporte pode ser importante para a inclusão do deficiente.

“O grupo é formado por alunos com Síndrome de Down e posso dizer a evolução que eles tiveram. Não só na parte aeróbica ou a auto-estima, que são evidentes, mas no desenvolvimento social, com a educação e a cortesia ao tratar as pessoas. O Ginga existe há 14 anos, e já temos dois ex-alunos que agora são professores. É uma verdadeira recompensa ver isso no dia-a-dia”, concluiu.