DRPD promove o reencontro entre mãe e filho, após 14 anos
BELO HORIZONTE (16/10/07) - A Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida (DRPD) da Polícia Civil proporcionou, nesta terça-feira (16), um encontro emocionante nas dependências do Departamento de Investigações (DI). Após 14 anos de separação, mãe e filho se reencontraram. Alex Camilo da Silva, de 20 anos, entregue pela mãe aos seis anos para a adoção, percorreu um longo caminho, para finalmente abraçar a mãe biológica, Marly Camilo Pereira, de 42 anos.
“Nunca perdi a esperança. Eu sabia que um dia meu sonho se tornaria realidade”, afirmava ansioso, enquanto aguardava a chegada da mãe no auditório. Sem desprezar a família adotiva, que segundo ele lhe deu toda a formação com princípios de honestidade que hoje possui, ele buscou ajuda nos conselhos tutetares, delegacias e até mesmo no Centro de Valorização da Vida (CVV) até chegar à DRPD. “Ele nunca saiu da minha lembrança, mas eu tinha que cumprir a determinação do juiz e por isso não fui atrás”, justificou a mãe.
Ciente de que não tinha condições de sustentar o filho e a filha caçula, que tinha problemas de saúde, apesar da dor da separação, ela viu na alternativa a única possibilidade de dar um futuro melhor para o filho. “Eu não tinha nem onde morar. É melhor entregar para a adoção, que no desespero fazer alguma maldade”, refletiu. No coração de mãe, ela disse que sempre teve a certeza de que aquela família trataria bem do filho.
Depois de viver dez anos em Diamantina, para onde a família se mudou, Alex veio morar com a mãe e o pai adotivos em Betim, na região metropolitana. No último dia 9, orientado pela atendente do CVV, ele procurou a delegacia, apresentando a única informação que tinha sobre a sua mãe, o nome. Usando como técnica de investigação, o método de exclusão, o experiente agente Cláudio Monteiro conseguiu chegar à“desaparecida”, uma das seis Marly Camilo Pereira, detectadas em listagens como a do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e outras listas que a polícia tem acesso. Além da perspicácia, o policial não poupou empenho para percorrer no final de semana de folga, os becos da Vila Mantiqueira, um dos aglomerados em Venda Nova, até chegar à porta da mãe. “Para a gente que convive diariamente com esse tipo de problema, o esforço vale à pena. É muito gratificante saber que podemos contribuir para a felicidade dos outros”, comemorou Monteiro.
A busca por familiares desaparecidos é uma das vertentes do Programa Volta, uma parceria da Polícia Civil com o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), que a DRPD vem desenvolvendo nos últimos anos. “Todas as ações da Divisão convergem para um único objetivo, reencontrar entes queridos que estão desaparecidos. Há casos mais complexos, que demandam outras linhas de investigação”, afirmou a delegada Cristina Coeli, titular da DRPD. Os laços de sangue, segundo ela, são preponderantes para não deixar a esperança acabar. Além da mãe, Alex reencontrou a irmã caçula, que na época, tinha três anos. Hoje, uma jovem de 18 anos. “Agora tenho duas famílias. Era tudo o que queria”, repetiu várias vezes Alex.
Divisão de Referência da Pessoa desaparecida
A Divisão de Referência da Pessoa desaparecida (DRPD) conta hoje com duas delegadas, nove agentes de polícia e dois escrivães. Em junho de 2006, quando foi criada a campanha Volta, o Governo estadual autorizou a contratação de duas psicólogas e duas assistentes sociais. Elas formam o Núcleo de Psicologia e Serviço Social da Divisão( Nupss).
Esse Núcleo foi criado especialmente para atender os casos de desaparecimentos voluntários. Tal medida tornou-se necessária pois 90% dos cerca de mil desaparecimentos registrados anualmente no Estado são dessa natureza. O Nupss também coordena o Projeto Conviver. A iniciativa promove aulas sobre cidadania, sexualidade, direitos humanos, dentre outros, para crianças entre 10 e 12 anos de idade, alunas da rede pública de ensino em áreas mais pobres da cidade.
Neste momento, 1.370 pessoas encontram-se desaparecidas em Minas Gerais, sendo 255 referentes a crianças e adolescentes. Desse total, 832 ocorrências foram registradas em Belo Horizonte e região metropolitana, sendo 158 relativas a menores de 18 anos. Desde junho de 2006, início da campanha Volta, até hoje, a DRPD solucionou 1.177 casos.
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