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Encontro da Saúde debate controle e combate da hanseníase

Quarta-feira | 22/08/2007 | 17:49·Atualizado em 18/06/2013 | 23:12
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BELO HORIZONTE (22/08/07) – A Secretaria de Estado de Saúde (SES) abriu, nesta quarta-feira (22), em Belo Horizonte, o Encontro Estadual de Hanseníase. O objetivo é apresentar a atual situação da doença no Estado, promovendo uma discussão sobre as formas mais eficazes para o combate e controle da hanseníase. O evento termina quinta-feira (23), quando serão promovidas outras discussões sobre a doença, como ações epidemiológicas e sistemas de informação.

A coordenadora estadual de Dermatologia Sanitária, Maria Aparecida Grossi, informou que Minas Gerais obteve, nos últimos 20 anos, avanços significativos no tratamento da doença. Em 1986, a cada 10 mil habitantes, havia no Estado 27 casos de hanseníase, enquanto que, no ano passado, a média foi de 1,2. “Tivemos progressos, mas ainda há muito a ser feito. Não podemos nos esquecer de que a meta da Organização Mundial de Saúde (OMS) é ficar abaixo de 1 caso a cada 10 mil habitantes”, destacou a coordenadora.

Até o final de 2006, havia, em Minas, 2.278 casos de hanseníase em tratamento. Em relação às novas ocorrências, foram notificados, no decorrer de todo o ano passado, 2.547 casos. Desse total, 54,1% ocorreram em pessoas do sexo masculino, o que indica maior acesso desse público aos serviços de saúde. Outro dado importante diz respeito à faixa etária da população atingida pela doença. O número de casos novos notificados em menores de 15 anos caiu, passando de 6,6%, em 2005, para 5,3%, em 2006. “Esse é um indicador positivo, pois mostra se os focos da doença são recentes. No caso de Minas Gerais, é mais um exemplo de que as ações adotadas têm gerado bons resultados em relação ao controle da hanseníase”, afirmou a representante do Ministério da Saúde, Maria Leide Wand-del-Rey de Oliveira.

No Estado, também ocorreu diminuição de casos diagnosticados tardiamente, ou seja, aqueles que geraram deformidades, passando de 11,3% em 2005, para 10,2% em 2006. “Além disso, registramos uma elevação no índice de cura. Das 28 gerências regionais de saúde, 18 obtiveram percentuais de cura maiores que 90%”, comemorou Maria Aparecida.

Ações

Para combater a hanseníase, a SES vem adotando uma série de medidas. Só em 2006, foram realizados cerca de 100 treinamentos e sensibilizações, capacitando aproximadamente cinco mil profissionais. O objetivo é fazer com que o diagnóstico da hanseníase seja agilizado, possibilitando, assim, o tratamento e a conseqüente cura da doença. Também foram identificados os municípios prioritários. O intuito é intensificar as medidas de controle da doença nas cidades que apresentam maior número de casos.

Os municípios são: Alfenas, Ouro Preto, Periquito, Araçuaí, Bom Despacho, Lagoa da Prata, Alvarenga, Conselheiro Pena, Cuparaque, Governador Valadares, Itabirinha de Mantena, Mantena, Ituiutaba, São Francisco, Matipó, Salinas, São Sebastião do Paraíso, João Pinheiro, Almenara, Jacinto, Palmópolis, Santa Maria do Salto, Pirapora, Várzea da Palma, Abaeté, Itambacuri, Nanuque, Teófilo Otoni, Visconde do Rio Branco, Prata, Buritis, Paracatu e Unaí.

Visando estreitar os laços entre a comunidade acadêmica e os profissionais da área de saúde, a SES, em parceria com a Fundação de Ensino Superior (Fesp/Uemg), também criou o Portal Hanseníase. Por meio dele, haverá um canal constante para esclarecimento de dúvidas e aprofundamento de conhecimentos. O endereço do Portal é www.hanseniase.passosuemg.br.

A doença

A hanseníase é uma doença causada pelo Mycobacterium leprae, popularmente conhecido por bacilo de Hansen, e o contágio se dá por meio do convívio íntimo e prolongado com os portadores da forma contagiosa da doença, sem tratamento. O período de incubação da doença é de três a sete anos.

Os primeiros sintomas são: manchas brancas e vermelhas, que podem surgir em qualquer parte do corpo. As áreas afetadas ficam dormentes e, em caso de ferimentos, pode ocorrer infecção levando à reabsorção óssea, responsável por mutilações que afetam mãos, pés e face. O diagnóstico precoce, além de facilitar o tratamento e a cura, reduz o risco de contágios e mutilações. O tratamento, a base de medicamentos orais, dura de seis a doze meses. Desde os anos 70, a doença é tratada em ambulatórios, sem a necessidade de isolamento dos pacientes. Os medicamentos são distribuídos gratuitamente nos Centros de Saúde e pelo Programa Saúde da Família.