Estado disponibiliza medicação mais eficaz contra hepatite
BELO HORIZONTE (28/10/09) - Desde setembro, os pacientes com hepatite B no Estado dispõem do Entecavir, uma medicação adotada pelos sistemas de saúde dos Estados Unidos, Inglaterra e Itália. O Sistema Único de Saúde de Minas Gerais (SUS-MG) é o único do país a fornecer o medicamento. Com a medida, Minas se antecipou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que autorizou, nessa terça-feira (27), a do fumarato de tenofovir desoproxila, um remédio utilizado em pacientes com Aids, para o tratamento da hepatite B crônica em adultos.
A grande vantagem do Entecavir em relação aos outros é que ele não causa resistência. O medicamento foi adotado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) através da Resolução 2019 SES/MG, de 14 de setembro de 2009. A droga substituiu outra, a Lamivudina, que embora apresentasse bons resultados, alguns pacientes mostravam, após um período de utilização, resistência aos seus componentes. Um sinal de que o vírus que causa a hepatite se fortaleceu.
“Depois de aproximadamente um ano, os doentes já não respondiam mais ao medicamento”, explica Soraia Zardini, referência técnica estadual do Programa de Hepatites Virais. Segundo ela, o Entecavir, embora seja um pouco mais caro, traz mais benefícios à população. “É uma medicação melhor, com resultados mais incisivos”.
Mesmo utilizando o Entecavir, o SUS-MG também adotará o fumarato de tenovir desoproxila, já que o pedido para sua utilização partiu do Ministério da Saúde (MS). Segundo a Anvisa, foi a primeira vez que o Ministério pediu a inclusão de um medicamento. O fumarato de tenofovir desoproxila já é utilizado nos países da União Europeia e nos Estados Unidos para os casos de hepatite. No Brasil, até então, o uso estava restrito ao tratamento da Aids.
Outras ações
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) exerce algumas ações para controlar a Hepatite em Minas Gerais. Desde 2004, funciona o Programa Estadual das Hepatites Virais, cujo objetivo é avaliar a situação da doença no Estado e apontar as medidas de prevenção e controle.
Para combater a hepatite B, o Estado distribui a vacina nos postos de saúde para jovens de até 20 anos de idade. A vacina também é disponibilizada em todos os Centros de Referência de Imunobiologicos Especiais (Cries) para a população pertencente a grupos de risco, como usuários de drogas, entre outros.
Não há vacina contra a hepatite C, mas Minas Gerais conta com 22 Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), onde podem ser realizados os exames para detectar a doença. Qualquer pessoa pode fazer o teste para verificar se é portadora dos vírus das hepatites B ou C e, caso seja, será encaminhada para os serviços de saúde especializados.
A doença
A hepatite é uma inflamação do fígado causada, geralmente, por vírus. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no caso da hepatite B, já são 400 milhões de portadores crônicos, enquanto a C afeta 200 milhões de pessoas.
O vírus da hepatite C é transmitido pelo sangue. No passado, a maior fonte de contaminação eram as transfusões sanguíneas, risco hoje descartado devido à realização de testes nos hemocentros. Atualmente, as principais causas de contágio são compartilhamento de objetos empregados para uso de drogas, instrumentos de manicure/pedicure, sessões de acupuntura, tatuagens e piercings.
Já o vírus da hepatite B pode ser transmitido principalmente através de relações sexuais, seringas contaminadas, ferimentos, saliva e leite materno. O vírus resiste ao meio ambiente, o que facilita a transmissão nas secreções. Os dois tipos de hepatite são praticamente assintomáticos. Muitas vezes, quando a pessoa descobre a doença, ela já está em fase avançada.
Notícia Relacionada
Estado disponibiliza medicação mais eficaz contra hepatite