Faop desenvolve projetos de restauração para edificações
BELO HORIZONTE (01/06/09) - Patrimônio da humanidade, a cidade de Ouro Preto caracteriza-se pela beleza de seu conjunto arquitetônico e pela preservação de sua história e memória refletida não somente em seus santuários, mas também em suas casas, ladeiras e ruas ao longo do caminho tronco. No entanto, algumas edificações encontram-se castigadas e pertencem a famílias que não têm condições de arcar com os custos de restauração e elaboração de um projeto de restauro adequado, que conserve as características tipológicas e tecnológicas do imóvel e se enquadre dentro das exigências do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Prefeitura Municipal de Ouro Preto. Para resolver esse problema, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), órgão ligado à Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (SEC), criou o Laboratório de Restauro.
Tendo em vista uma política de educação patrimonial, o Laboratório de Restauro tem como finalidade diagnosticar e desenvolver projetos de restauração para edificações com valor histórico e cultural, habitadas por famílias de menor poder aquisitivo, residentes no centro histórico de Ouro Preto. Em um primeiro momento, serão contempladas 20 edificações.
Para desenvolver suas atividades, o Laboratório de Restauro celebrou várias parcerias. A Faop vai fazer a coordenação geral e oferecerá suporte técnico, administrativo e estágio supervisionado. O Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG campus Ouro Preto) oferecerá suporte técnico e estágio supervisionado. O Iphan sub-regional Ouro Preto dará orientação para aprovação dos projetos e disponibilização de banco de dados. A Novelis está patrocinando o projeto e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Ouro Perto (Adop) oferece apoio.
Fases
No ano de 2002, o Iphan realizou um mapeamento de aproximadamente 1.100 edificações na cidade. A partir desse levantamento, o Laboratório de Restauro, por meio de seus estagiários – alunos do Curso Superior de Tecnologia em Conservação e Restauro do IFMG – diagnosticou 80 edificações com necessidade de intervenções de conservação ou de restauro. Desse total, foram selecionadas 20, seguindo critérios de renda familiar, estado de conservação e o valor cultural dos imóveis.
O projeto encontra-se em andamento. Na etapa atual, os estagiários do IFMG juntamente com mestres (carpinteiro restaurador e pedreiro restaurador) formados pelo Núcleo de Ofícios da Faop, empreendem um mapeamento de danos dos imóveis e checagem de informações que foram levantadas previamente. A previsão é que os projetos de restauro sejam entregues às famílias até dezembro de 2009.
No entanto, há possibilidade de continuação do projeto. “O Laboratório de Restauro visa também traçar estratégias de continuidade, por meio de ações de articulação institucional - tanto para a probabilidade de desenvolver novos projetos, como para a captação de recursos para a execução das obras de restauro - financiamentos específicos ou outros mecanismos acessíveis aos responsáveis pelos imóveis”, afirma a arquiteta Cristina Simão, coordenadora do projeto, consultora da Faop e professora do IFMG.
Pioneirismo
A elaboração de um projeto de restauração apresenta um custo que dificilmente pode ser arcado por famílias que possuem um menor poder aquisitivo. Até chegar ao produto final, um projeto de restauração passa por diversas etapas que variam desde a vistoria do imóvel, até o levantamento gráfico e contextual, informatização de desenhos, checagem de dados, mapeamento de danos e proposição das intervenções a serem realizadas.
O pioneirismo do Laboratório de Restauro consiste exatamente em oferecer a famílias de baixa renda uma oportunidade de conservação das características culturais de seus imóveis, através do desenvolvimento de projetos de restauração apropriados. O programa destaca-se pela gratuidade dos projetos, que serão elaborados seguindo os parâmetros exigidos pelo Iphan e pela Prefeitura de Ouro Preto, sem custo nenhum para as famílias.
Outra característica que merece ser pontuada é a participação dos mestres de ofícios da Faop e dos alunos do IFMG, conferindo ao Laboratório de Restauro um caráter extensionista. “Além de trabalhar a educação patrimonial, o projeto permite também complementar a formação dos alunos nos âmbitos específicos e trabalhar mentalidades comprometidas com a preservação do patrimônio cultural”, comenta Cristina Simão.
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