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Faop incentiva e preserva tradição dos tapetes devocionais

Segunda-feira | 06/04/2009 | 14:24·Atualizado em 29/06/2013 | 22:07
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OURO PRETO (06/04/09) - Serragens, cores, signos, paixão e fé. Esses são os elementos que compõe a importante manifestação religiosa de Ouro Preto: a confecção dos tapetes devocionais. Todo ano, durante a Semana Santa, a população ouro-pretana se reúne na madrugada do domingo de Páscoa, para enfeitar e adornar as ruas da centenária cidade, em um momento de alegria e louvor, desconstruindo a dicotomia sagrado/profano.

O escritor Márcio Sampaio lembra que os tapetes de rua tinham a função de celebrar a chegada de reis e heróis às cidades. Já para os cristãos, o costume recorda a chegada de Jesus Cristo à Jerusalém. Em Ouro Preto essa tradição nos remete ao séc. XVIII, quando das festividades do Triunfo Eucarístico, que marcou a reinauguração da Matriz de Nossa Senhora do Pilar.

De lá pra cá, a confecção dos tapetes foi absorvida pela população e integrada à cultura popular, representando a devoção e fé do povo mineiro. Além disso caracteriza um suntuoso símbolo de religiosidade, que, entranhada na memória coletiva, galgou reflexo na identidade cultural de Minas Gerais.

Processo construtivo

A elaboração dos tapetes devocionais passa por todo um processo construtivo e preparação, que vai desde o recolhimento de serragens, borra de café, raspas de couro, ciprestes, flores, papel picado, areia, grãos, pó de gesso e o que mais a imaginação mandar; passando pelo tingimento a partir de tintas naturais encontradas na região, até a composição dos desenhos, que podem ser feitos diretamente sobre o chão, ou através de esboços em papel e fôrmas de ferro, madeira e papelão. Os motivos dos tapetes são variados, porém, a grande maioria refere-se a temas bíblicos e cristãos.

De forma a salvaguardar a arte de confeccionar tapetes devocionais, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), instituição ligada à Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais (SEC), atua como um elemento incentivador, procurando dar suporte à comunidade na manutenção do caráter efêmero do costume. Segundo a diretora da Escola de Arte Rodrigo Melo Franco de Andrade, Gabriela Rangel, a Faop tem um papel junto à comunidade de incentivar, propagar e divulgar esse fazer, esse saber e o valor dessa tradição.

Para Gabriela Rangel, como uma tradição popular, a beleza e o sentido dessa manifestação encontram-se na mobilização da comunidade para a confecção dos tapetes. Essa tradição é também refletida na fé, religiosidade e no envolvimento da população com esse momento especial que é a semana santa de Ouro Preto, analisa.

Uma das ações promovidas pela Faop na preservação da tradição dos tapetes é a mobilização de alunos, professores e funcionários em suas três unidades, e em especial o envolvimento dos Núcleos de Arte e de Conservação e Restauração. O coordenador do Núcleo de Arte, César Teixeira de Carvalho afirma que essa ação mobiliza os alunos em torno da tradição. “Nossos professores são responsáveis por orientar os alunos na concepção e desenvolvimento, até a confecção propriamente dita”, afirma.

Além de atuar na salvaguarda da tradição dos tapetes devocionais, a Faop desenvolve o projeto Tapete + Arte. Esse projeto consiste em dar um caráter artístico ao costume, procurando transpor e redimensioná-lo a tempos e espaços muito distintos das ruas de Ouro Preto na Semana Santa.

Para Gabriela Rangel, o Tapete + Arte é uma forma de expor e levar a tradição dos tapetes a lugares diversos. “Está é uma ação que a fundação desenvolve há muitos anos. Por meio do Tapete + Arte, a Faop incentiva, mantém viva e mostra o costume em outros locais”, salienta.

Anuamente, a Faop é responsável por confeccionar tapetes em frente ao Núcleo de Conservação e Restauração e o Núcleo de Arte, já que estas sedes estão localizadas no trajeto da procissão do Domingo da Ressurreição. Entretanto este ano, a partir de um convite feito pela Paróquia da Igreja Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, os funcionários e professores da Faop ficaram responsáveis pela confecção de tapetes no primeiro nível do adro da igreja, e orientarão alunos do Núcleo de Arte e do catecismo na elaboração dos tapetes nos demais níveis.

E assim, anualmente, enquanto o sino bate na catedral, sai o povo pelas ruas a cobrir com serragem e cores as pedras do chão. Os tapetes devocionais representam além de paixão e fé, tradição e cultura popular.