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Funed é referência estadual no recebimento de serpentes

Quarta-feira | 28/11/2007 | 15:10·Atualizado em 27/06/2013 | 23:29
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BELO HORIZONTE (28/11/07) – A ocorrência de queimadas e de chuvas excessivas neste período do ano e a devastação ambiental podem ser as causas do aparecimento de serpentes na zona urbana. "Os animais têm seu habitat natural destruído e, por isso, se deslocam para outras áreas em busca de alimentos e de abrigo", afirma o chefe do Setor de Animais Peçonhentos da Funed, Rômulo Righi de Toledo. Segundo ele, isso pode explicar o aparecimento de uma jibóia, medindo aproximadamente 1,5 metro, em uma via pública na região do Palmital, em Santa Luzia. O animal foi trazido até a Funed pelo Corpo de Bombeiros na noite de terça-feira (27).

A serpente foi recebida pela equipe da fundação e passará por uma avaliação para verificar o estado de saúde do animal, analisando a existência de ferimentos, mobilidade, peso, presença de alguns sintomas de enfermidades e espécie. Depois disso, o animal será encaminhado para doação a criadores credenciados junto ao Ibama. Segundo Rômulo Righi de Toledo, atualmente a Funed possui sete serpentes dessa espécie, que na fase adulta atinge de dois a quatro metros, criadas em cativeiro. "Nossa intenção é manter apenas três jibóias aqui na Funed e doar as demais”, diz.

O chefe do setor explica que a criação e manutenção de serpentes na instituição têm como finalidade a extração de venenos, matéria-prima da produção dos soros anti-peçonhentos. A jibóia, por ser uma serpente não-venenosa, integra a parte de visitação ao público mantida pela instituição, na qual encontram-se expostas aproximadamente 20 espécies de ofídios e peças anatômicas. Atualmente, a Funed é responsável pela produção de um terço dos soros anti-peçonhentos distribuídos em todo o Brasil, por meio do Programa de Imunização do Ministério da Saúde.

Orientações

Em caso de aparecimento de cobras em propriedades residenciais ou comerciais, o cidadão deve acionar o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar para fazer a coleta. Apenas pessoas que já passaram por treinamentos e têm segurança sobre o manejo das serpentes podem levar a cobra diretamente para a Funed, referência estadual no recebimento dos animais, sendo o destino final de todas as serpentes recolhidas em Minas Gerais.

Em caso de picada, a vítima deve ser levada para o pronto-socorro mais próximo. A única medida que pode ser feita em casa é a lavagem do local afetado com água e sabão. O serviço de toxicologia do hospital é responsável pela aplicação do soro antiofídico, dividido em quatro grupos. A identificação do soro apropriado é definida a partir da observação das reações físicas, exame de sangue e urina. Caso seja possível, o animal deve ser levado ao médico para auxiliar no tratamento.

Comunidade

Há mais de 20 anos, o Setor de Animais Peçonhentos da Funed desenvolve um trabalho de responsabilidade social que, por meio das visitas, abre as portas da fundação a grupos de escolas, empresas, universidades, prefeituras, com o objetivo de disseminar conhecimento sobre a biologia de animais peçonhentos (cobras, aranhas e escorpiões) e, principalmente, dar orientações sobre como evitar acidentes e o que fazer após um ataque, envolvendo noções de primeiros-socorros. "Também é um trabalho de conscientização e prevenção social. Buscamos mostrar que o atendimento imediato é o mais importante", afirma Rômulo Righi de Toledo.

Os grupos de visitantes podem optar por participar também do treinamento prático. Após a palestra e entrega de cartilha didática, a equipe passa pela exposição permanente do serpentário e recebe orientações sobre manejo das cobras. É apresentada a forma de utilização do gancho, ferramenta utilizada na coleta das serpentes, além do uso da caixa de transporte e de questões jurídicas envolvidas na atividade.

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