Futuros pesquisadores têm projetos de aplicação imediata
BELO HORIZONTE (28/02/08) – Durante o V Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica, que aconteceu em Belo Horizonte nos dias 26 e 27 de fevereiro, os 47 estudantes de graduação, bolsistas do Programa de Iniciação Científica e Tecnológica Institucional da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapemig) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) tiveram a oportunidade de apresentar os projetos de pesquisa, que foram desenvolvidos ao longo de 2007.
Segundo o pesquisador da Epamig e um dos coordenadores do evento, Ivair Gomes, esse foi um excelente seminário, “principalmente pela qualidade dos trabalhos apresentados, que demonstrou de maneira bastante clara, didática, todo o trabalho de iniciação científica que tem sido feito na Epamig para a formação de futuros pesquisadores em Minas Gerais. São projetos de aplicação praticamente imediata, de pesquisa aplicada, que atendem a demandas específicas, seguindo orientação da direção da empresa.”
Um dos projetos que chamou a atenção do pesquisador foi o que trata de adubação verde. Intitulado Quantificação de matéria fresca e seca de adubos verdes de verão em monocultivo e em consórcio, da pesquisadora/bolsista Josiane dos Santos (Sul de Minas), o projeto é simples e fácil de ser colocado em prática, barato e muito eficiente. “A bolsista trabalhou com adubação verde: plantas de pequeno porte, que, depois, são cortadas e misturadas com a terra. A vantagem é que além de oxigenar a terra, elimina o uso da adubação nitrogenada, cara e à base de petróleo. É uma técnica de agricultura sustentável e com pouco uso de fertilizantes que emitem CO2 (gás carbônico), um dos gases do efeito estufa. É uma excelente possibilidade para o produtor rural, principalmente para o pequeno produtor. A bolsista avaliou algumas cultivares para essa adubação verde e chegou à conclusão sobre a mais adequada. Descreveu-a, explicou os motivos da sua utilização, e tudo de forma direta, prática. Se qualquer produtor precisar, hoje, de adubação verde na sua propriedade, poderá ter acesso aos resultados dessa pesquisa sem qualquer dificuldade”, explicou Ivair.
Pimenta sem fungo
Outro projeto que foi destaque no seminário e bem direcionado para a agricultura familiar: “Controle alternativo de Oídio (doença) em pimenta malagueta da Zona da Mata de Minas Gerais”, do pesquisador/bolsista Raul Carvalho da Silva (Agronomia, Universidade Federal de Viçosa). Segundo o bolsista, “é grande a incidência de Oídio (fungo que se fixa na parte externa das folhas) nas culturas de pimenta malagueta, na Zona da Mata, e isto está causando grandes prejuízos nas produções dos pequenos produtores, principalmente pelo fato de eles não terem muitos recursos para investimentos em controle de doenças. Por isto, estou buscando formas alternativas de combate às doenças e, desta forma, melhorar a produção deles. A pimenta é uma excelente alternativa para o pequeno produtor, tem boa rentabilidade e benefícios sociais, pois mais de 50% do custo de produção são destinados à mão-de-obra. Isto gera uma grande demanda por mão-de-obra, o que é muito bom para a agricultura familiar”, explicou.
De acordo com o jovem pesquisador, o estudo apresentado já está sendo executado. A primeira fase está implantada: O oídio (fungo) está sendo analisado no campo, na Fazenda Experimental da Epamig no Vale do Piranga (Zona da Mata), sob condições variadas de temperatura e umidade. “Já temos os indícios que mostram o sucesso desse controle alternativo: ele é eficiente, sim. Precisamos, ainda, saber o quanto é eficiente e qual o melhor produto que terá que ser usado. Em até oito meses teremos o resultado final que será divulgado pela Epamig”, informou o pesquisador.
Evolução da pesquisa agropecuária
. Projetos elaborados: Em 2002: 36 - Em 2007: 235
. Projetos em execução: Em 2002: 105 - Em 2007: 291
. Projetos concluídos: Em 2002: 21 - Em 2007: 50
. Recursos para projetos elaborados:
. 2002: R$ 1 milhão 222 mil
. 2007: R$ 21 milhões 606 mil
. Recursos para projetos em execução:
. 2002: R$ 3 milhões 225 mil
. 2007: R$ 18 milhões 219 mil.
O índice de aprovação de projetos de pesquisa passou de 13% em 2002 para 64% em 2007. A Epamig tinha em 2002 145 pesquisadores, hoje conta com 215.
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