Gerências de saúde debatem Dia Nacional de Humanização
BELO HORIZONTE (29/11/07) – Envolver ações conjuntas entre gestores, trabalhadores, usuários e a comunidade com o objetivo de fortalecer os princípios do SUS, provocando reflexão crítica sobre a atual realidade dos serviços de saúde e participação ativa de todos. Foi assim a videoconferência realizada nesta quinta-feira (29) em comemoração ao Dia Nacional de Humanização, com a participação de profissionais das Gerências Regionais de Saúde (GRS) e gestores da Secretaria de Estado de Saúde (SES).
A Política Nacional de Humanização no Estado é uma política pública que pretende construir uma forma de atendimento e funcionamento dos serviços de saúde, que estimulam os profissionais e usuários a se envolverem com questões fazendo acontecer ações através de sensibilização sobre esta realidade e mobilização social com os atores envolvidos.
“A humanização é sistêmica e global. Temos realmente que discutir as relações de trabalho, termos co-responsabilidade com a saúde, com o atendimento ao usuário e com o dinheiro público. Se estivermos preocupados com gestão e profissionais de saúde, faremos a humanização”, destacou a coordenadora de Política de Humanização e referência técnica em Urgência e Emergência, Fátima Guedes.
A Política Nacional de Humanização (PNH) está implantada em projetos estruturadores da saúde como Urgência e Emergência, no acolhimento aos pacientes e Saúde da Família, quando são realizadas capacitações. Além disso, como prioridades da PNH, estão a redução das filas e o tempo de espera com ampliação do acesso e atendimento acolhedor e resolutivo baseados em critérios de risco, informações ao usuário, o acompanhamento de pessoas de sua rede social e os direitos do código dos usuários do SUS e uma gestão participativa aos seus trabalhadores e usuários, assim como educação permanente aos trabalhadores envolvidos.
De acordo com a subsecretária de Políticas e Ações de Saúde, Helidéia de Oliveira Lima, é necessário discutir diariamente a mudança de postura comportamental para melhorar o atendimento levado à população. “O objetivo é possibilitar uma reflexão acerca das condições de acesso aos serviços, qualidade de atendimento, condições de trabalho, participação comunitária e outros aspectos revelados, atualmente, no cotidiano dos serviços de saúde”, falou.
Política de Humanização
Durante a videoconferência com as 28 GRS, foi discutida a PNH, sua importância para a política nacional, onde o desafio é transformar as práticas de saúde, melhorar a assistência e efetivação do sistema.
Com a presença da consultora da Política Nacional da Atenção e Gestão no SUS e representante do Ministério da Saúde (MS), Ana Augusta Coutinho, questões como a necessidade de rever e cuidar de modos de trabalho na saúde, a ausência de diálogo com usuários e dentro da equipe, dificuldade de lidar com o cuidado individual, baixo investimento na qualificação, entre outros, foram levantadas para que a política na saúde reafirme os princípios da universalidade, integralidade, equidade e igualdade da assistência à saúde sem preconceitos e privilégios de qualquer espécie. “É preciso um movimento ativo para que as mudanças aconteçam, voltados para práticas no processo de produção da saúde envolvendo usuários, trabalhadores e gestores”, avaliou.
Dentre as diretrizes da PNH estão a ampliação do acesso do usuário ao SUS, a implantação do acolhimento com classificação de risco nas unidades de saúde, acolhimento dos familiares de forma aberta, com acompanhantes, bem como estimular e fortalecer Grupos de Trabalho de Hu¬manização com plano definido.
Presente no auditório da SES, a usuária do Sistema Único de Saúde Ivânia dos Santos Rodrigues afirmou ser o momento rico para quem precisa e trabalha no SUS. “Todos nós usamos o serviço público de saúde, de zoonoses a medicamentos. Acontece que muitas vezes, as pessoas não sabem usar de forma correta o SUS e os benefícios que ele proporciona” finalizou.
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