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Governador se reúne com presidente do Banco Mundial

Terça-feira | 15/04/2008 | 17:32·Atualizado em 21/04/2014 | 11:23
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BELO HORIZONTE (15/04/08) - O governador Aécio Neves se reuniu na manhã desta terça-feira (15), em Washington (EUA), com o presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick. O encontro fez parte da agenda de trabalho do governador na sede do Bird, onde Aécio Neves é um dos palestrantes da Conferência da Rede Mundial de Gestão Econômica e Redução da Pobreza (World PREM Conference), principal reunião da instituição.

Durante a reunião, Aécio Neves e o presidente do Bird conversaram sobre o modelo inovador de gestão implantado em Minas, em 2003, seus resultados e os projetos desenvolvidos em parceria. O Governo de Minas e o Banco Mundial são parceiros num financiamento em que a contrapartida estatal não é financeira, e sim em resultados a serem obtidos pelo Estado na educação, saúde, meio-ambiente, infra-estrutura e controle fiscal. Esse financiamento, de cerca de US$ 900 milhões, deverá ser aprovado na reunião do boarding do Bird, no dia 1º de maio, próximo.

“O presidente Zoellick enfatizou o papel estratégico que Minas está desempenhando no Brasil, na região e no mundo, hoje. É uma alegria para nós, ver que cada vez mais governadores têm idéia de ter um estado de resultados, querer alcançar resultados, modernizar a máquina pública”, afirmou o diretor do Banco Mundial para o Brasil e Caribe, John Briscoe, durante entrevista coletiva concedida em Washington, após a audiência do governador com o presidente do Bird.

Modelo para estados

O governador Aécio Neves, na entrevista coletiva, afirmou que as mudanças ocorridas em Minas Gerais, a partir do Choque de Gestão, têm um reflexo positivo para os outros estados. Segundo o governador, durante a reunião com o presidente do Bird, ele apontou o Governo do Estado do Rio Grande do Sul como outro ente federado que vem modernização o seu modelo de gestão.

“Essa mudança no processo de relação do Estado com o Bird, de alguma forma, abre uma porta para outros estados do Brasil caminharem na mesma direção. No encontro com Zoellick, falamos em especial da questão do Rio Grande do Sul, onde a governadora Yeda Crusius faz aquilo que nós fizemos há cinco anos, para voltar a abrir espaço para os financiamentos internacionais. Há interesse do banco e fico muito feliz com a oportunidade que o banco me dá hoje de apresentar esse modelo que, quem sabe, pode estar inspirando não apenas estados do Brasil, mas de outros países”, disse Aécio Neves, em entrevista à imprensa.

Financiamento

Minas Gerais retomou a negociação de empréstimos internacionais em 2004, depois de dez anos sem acesso a esses financiamentos. Os empréstimos foram negociados especialmente com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial. Desde 2004, o Estado conseguiu contratar US$ 355 milhões, sem contabilizar a nova operação a ser finalizada em maio.

Em 2006, Governo de Minas e o Bird firmaram o primeiro contrato (valor de US$ 170 milhões) sem a contrapartida financeira. Os investimentos foram realizados em infra-estrutura, garantias para PPP (Parceria Público-Privada), saneamento, reforma e modernização administrativa.

Etanol

Aécio Neves também conversou com o presidente do Banco Mundial sobre a preocupação em todo o mundo com o aumento do preço dos alimentos e de que forma o Brasil pode colaborar para a solução desse problema. Segundo ele, o país tem tecnologia capaz de adequar a produção de etanol com o aumento de escala na produção de alimentos.

“Países como o Brasil podem, com o know how que adquiriram de produção em larga escala, participar desse esforço global com determinados alimentos. Essa é uma posição que não é apenas do presidente Lula, mas uma posição do Brasil, de que é compatível a produção de etanol também em larga escala com a produção de alimentos. Se formos avaliar a curva do aumento da produção de alimentos no Brasil, ela é crescente no momento em que aumenta também a produção de etanol. Nos preocupa um pouco essa discussão que se coloca como se o crescimento da produção de alimentos tivesse como obstáculo a produção e vice-versa”, afirmou o governador.

Ainda nesta tarde, em Washington, o governador Aécio Neves se reunirá com o secretário do Tesouro Norte-americano, Henry Paulson, e fará palestra para diretores, técnicos e analistas do Banco Mundial sobre o Choque de Gestão.