Grupo de trabalho vai estudar apoio a catadores de papel
BELO HORIZONTE (18/03/09) - O Governo de Minas, por meio da Secretaria Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), vai criar um grupo de trabalho para apoiar o plano emergencial de atendimento aos catadores de papel que sofrem com os efeitos da crise econômica mundial. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (18) durante encontro que reuniu representantes dos movimentos, da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, catadores papel e o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, Agostinho Patrús Filho.
De acordo com o representante do Fórum Estadual Lixo e Cidadania, José Aparecido Gonçalves, o valor pago em alguns produtos caiu 400 % em razão da crise. “Há um ano o quilo de papel custava R$ 0,54. Hoje pagam entre R$ 0,12 e 0,16. No Norte de Minas a situação é pior, caindo para dois centavos”. José Aparecido explicou que, além da crise, existe a questão da especulação dos atravessadores.
A proposta do secretário Agostinho Patrús Filho é formar um grupo com representantes do Ministério Público Estadual, Fundação Estadual do Meio Ambiente, Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, movimentos ligados aos catadores de papel e as secretarias de Estado de Desenvolvimento Social e de Meio Ambiente. Uma reunião será agendada para os próximos dias. “É uma questão emergencial e vamos unir esforços para atender as demandas e minimizar os problemas” enfatizou o secretário.
Integrante da Rede Cata Unidos de Itaúna, Centro-Oeste do Estado, a catadora Madalena Rodrigues, contou que o trabalho aumentou e a renda diminuiu. “Hoje trabalhamos até nos sábados e domingos para ganhar meio salário mínimo. No ano passado trabalhávamos de segunda à sexta-feira, oito horas por dia e conseguíamos até três salários”, disse.
Entre as principais reivindicações do movimento estão a criação de programa de renda complementar e plano de trabalho. Segundo José Aparecido Gonçalves, Minas Gerais tem 2.600 catadores cadastrados em mais de cem municípios. Cerca de 70% desse total está na Região Metropolitana de Belo Horizonte. “Minas Gerais é referência em todo Brasil na questão da política ambiental. Agora, precisamos somar o componente ambiental e social na hora de elaborar políticas públicas e estamos com muita esperança”, ressaltou José Aparecido.
Participaram também do encontro a representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cristina Bove, além de representantes do Movimento Nacional de População de Rua e do Movimento Nacional de Catadores.
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