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Horta transforma área de risco em fonte de renda para famílias carentes

Terça-feira | 23/08/2005 | 14:51·Atualizado em 29/06/2013 | 18:47
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BELO HORIZONTE (23/08/05) – Um terreno que servia de ponto de drogas e depósito de lixo na Vila Pinho (Barreiro) foi transformado em fonte de sustento de 12 famílias carentes da região. A área de 11 mil metros quadrados, hoje, abriga uma horta comunitária, num projeto da Emater-MG e da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, com patrocínio da Fundação Banco do Brasil. Os alimentos produzidos são consumidos pelas próprias famílias envolvidas no projeto e o excedente é vendido, sendo o lucro dividido entre os participantes. Esse ano, a horta comunitária da Vila Pinho foi incorporada ao projeto Minas Sem Fome.

Para afastar os traficantes da região, em 2002, a Polícia Civil ocupou o terreno da Vila Pinho, pertencente à Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, e iniciou uma série de atividades de inclusão social com a comunidade. “Selecionamos 40 famílias da vila e formamos uma associação (Associação Francisco de Assis) que desenvolve diversos projetos, como a horta comunitária, dança de salão e karatê. Com esse trabalho, reduzimos em 40% o número de homicídios no bairro”, explica o delegado Sebastião Francisco dos Santos.

A Associação Francisco de Assis tentou, em 2002, montar uma horta comunitária no terreno cedido pela PBH, mas o projeto não avançou por falta de apoio técnico e recursos financeiros. No ano passado, a idéia foi retomada com apoio da Emater-MG e da Secretaria Municipal de Abastecimento. O projeto, desenvolvido pela Emater-MG, foi patrocinado pela Fundação Banco do Brasil, que destinou cerca de R$ 65 mil para a implantação da horta. Nessa semana, o projeto também está recebendo sementes, adubo, regador e enxadas do programa Minas Sem Fome.

Apenas do plantio de julho a fevereiro, a associação colheu 10 toneladas de milho verde e seis toneladas de quiabo e abóbora. Desde fevereiro, a associação já colheu 1.200 pés de alfaces, rúcula, cenoura, entre outros. “Com a irrigação, direcionamos o plantio somente para verduras e legumes, pois a idéia básica do projeto é a alimentação das famílias participantes. A horta tem uma produção maior e chega a ter de cinco a seis safras por ano”, explica o gerente da Emater-MG (BH/Oeste), Edson Vilela de Carvalho.

O aposentado Luiz Rodrigues Lima, 62 anos, que coordena todas as atividades da horta, é um dos mais empolgados com o projeto. “Aqui é um paraíso. Na lavoura, você está vendo crescer o que irá comer no futuro”, diz. Ele conta que no início muita gente não acreditou na idéia, mas hoje existem muitas famílias interessadas em participar do projeto. De acordo com o técnico agrícola da Emater-MG, Valdir Altair Guimarães, o projeto foi feito para atender 40 famílias, mas esse número só poderá ser atingido na medida em que a horta for sendo estruturada e gere renda suficiente para receber mais pessoas.

O trabalho na horta comunitária ajudou Claudineci de Moura Ferreira, 18 anos, a sair de uma depressão. “Fiquei grávida muito nova. Eu me senti sozinha e cheia de responsabilidade, daí não agüentei a pressão. Hoje, fico o dia inteiro na horta e me sinto muito bem”, lembra. Ela conta que a nova atividade também mudou seus hábitos alimentares e ela emagreceu 10 quilos em oito meses. “Antes eu comia muita batata e pouca folha. Agora, até a minha filha de dois anos é fã de verdura na minha casa”, diz a agricultora.

Atualmente, a horta já gera um excedente de produção que é vendido na própria comunidade e fornecido para algumas creches da região. “Do dinheiro apurado, 20% vai para um fundo da associação para ser reaplicado na horta ou para alguma despesa extra. O restante é dividido entre as famílias do projeto. Queremos chegar a um salário-mínimo por família”, explica o gerente da Secretaria de Abastecimento, Desidério Junqueira Neto. Há três anos no projeto, o agricultor José do Carmo Filho, 60 anos, diz que a horta comunitária mudou a realidade da Vila Pinho. “Ela foi a melhor coisa para o bairro. Aqui era só lixo e hoje as pessoas abrem as janelas para ver o verde”, comemora.

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