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Hospital de Rio Casca torna-se referência em ortopedia

Sexta-feira | 26/09/2008 | 15:28·Atualizado em 29/06/2013 | 09:59
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BELO HORIZONTE (26/09/08) - Cerca de 150 mil pessoas da Zona da Mata mineira têm assegurados, desde o início deste ano, atendimento de qualidade em ortopedia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Investimentos do Programa de Melhoria da Qualidade dos Hospitais do SUS/MG (Pro-Hosp), do Governo de Minas, possibilitaram a criação do moderno Centro de Trauma e Ortopedia do Hospital Nossa Senhora da Conceição, no município de Rio Casca. Em apenas seis meses de funcionamento do centro, o hospital contabilizou 216 cirurgias ortopédicas de alta complexidade, como prótese total de joelho e colo de fêmur, serviços que não eram oferecidos pela unidade.

Somente para a implantação do centro de ortopedia do hospital, o Pro-Hosp destinou R$ 200 mil. Ao todo, o programa investiu R$ 1,141 milhão para melhorar a estrutura física do hospital de Rio Casca. Estão sendo liberados nesta quarta fase do programa mais R$ 435 mil para outras obras e equipamentos. Desse valor, R$ 285 mil se destinam à ampliação do centro cirúrgico e à Central de Material Esterilizado (CME), segundo informou a empreendedora pública da Secretaria de Estado da Saúde, Lismar Campos.

O médico Marcos Lamim, provedor do hospital, afirmou que, antes das obras, a ortopedia era um gargalo na microrregional. Além da população de Rio Casca, a unidade atende outros 13 municípios: Abre Campo, Acaiaca, Alvinópolis, Diogo Vasconcelos, Raul Soares, Jequeri, Santa Cruz do Calvário, Santo Antônio do Grama, São José do Goiabal, São Pedro dos Ferros, Urucrânia, Oratórios e Sericita. Antes os pacientes eram encaminhados para Ponte Nova e Belo Horizonte.

Melhorias

O Centro de Trauma de Ortopedia tem à frente os ortopedistas Delano Bitencourt e Paashe Pereira, que ratificam a referência em cirurgias ortopédicas. Entre as principais melhorias com os investimentos do Pro-Hosp, os especialistas citam a aquisição do moderno equipamento de raio-x panorâmico para coluna vertebral, em filme 91x35 cm, para diagnosticar escoliose e encurtamento de membros inferiores. Antes, o paciente que precisasse realizar o exame tinha de percorrer cerca de 200 quilômetros até Belo Horizonte. De acordo com a técnica em radiologia, o centro de ortopedia realiza agora entre dez a 15 radiografias por semana.

O salto na qualidade do serviço já é percebido pelos pacientes que procuraram por atendimento no hospital de Rio Casca. É o que conta a dona de casa Odete Teixeira da Silva, de 67 anos, que já se locomove com desenvoltura duas semanas após passar por uma cirurgia de joelho. “Esperei mais de oito anos para fazer essa prótese de joelho esquerdo. Andava com dificuldade, tomava analgésico todos os dias. Renasci depois que fiz a cirurgia”, ressaltou. Dona Odete, que gastava mensalmente R$ 450 só em medicamentos, se prepara para colocar prótese no outro joelho daqui a uns meses.

Também o comerciante Gilmar Rodrigues Antunes, 50 anos, disse que esperou por seis anos para a cirurgia de prótese de quadril. Três dias depois da operação e ainda de muletas, Gilmar voltava ao hospital para a consulta de retorno. “Eu andava pouco, sentia muitas dores. Já não sinto dor alguma e é visível a facilidade para eu me locomover”. O comerciante, que mancava por causa de desnivelamento dos membros inferiores, acredita que voltará a nadar e fazer outros exercícios de menor impacto em pouco tempo.

Outros diferenciais

Além da qualidade no atendimento em ortopedia, a população conta ainda com clínicas médica, ginecológica e obstétrica, pediátrica, cardiológica, psiquiátrica, psicológica, gastroenterológica, endocrinológica, angiológica e neurológica. A região dispõe de transporte do Sistema de Transporte Sanitário (Sets) da Secretaria de Estado da Saúde. Segundo o administrador do hospital, Marcelo Mello, 99% do atendimento do hospital é feito pelo SUS.

O hospital, desde 2006, carrega o título de “Amigo da Criança”, conferido pelo Ministério da Saúde, por causa da redução do número de cesarianas, de incentivo ao aleitamento materno e dos trabalhos diversos de humanização. Em cerca de quatro anos, houve redução de cesáreas de 32% para 22%.

A maternidade, segundo a enfermeira-chefe Gabriela Rodrigues Machado Costa, segue moderno modelo de humanização. Toda parturiente tem direito a acompanhante, visita o hospital antes do parto para familiarizar-se e se beneficia de técnica de relaxamento, massagem, música ambiente e aromaterapia, o que facilita o parto natural e o aleitamento. As obras na maternidade, com recursos do Pro-Hosp, custaram cerca de R$ 100 mil.

O Centro de Estudos é outro diferencial. Nele, médicos, enfermeiros e demais funcionários se reúnem para discutir casos e estudar. A educação continuada também é financiada pelo Pro-Hosp. O hospital tem moderna farmácia, lavanderia e cozinha, horta para consumo próprio de folhas e leguminosas sem agrotóxicos, além de pátio para o lazer de pacientes, médicos e enfermeiros.

Após os investimentos do Pro-Hosp, em quatro anos, as cirurgias e internações pularam de 130 por mês para cerca de 260/mês; o pronto-socorro, que fazia cerca de 1.200 atendimentos, faz hoje mais de 1.600 por mês.

A unidade promove ainda, mensalmente, cine-pipoca para funcionários e familiares. Além disso, o administrador Marcelo Mello informou que já está pronto o depósito de resíduos sólidos. “Falta somente comprar os containers e firmar convênio com o Sistema de Transporte Sanitário para o recolhimento e destinação do lixo, até final de novembro, quando serão liberados os containeres pelo Consórcio Intermunicipal da região e começará a coleta para destinação final, concluiu.

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