Hospital lembra Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose
BELO HORIZONTE (23/03/09) - A tuberculose ainda continua sendo a doença infecciosa que mais mata adultos no mundo. Só no Brasil, morrem cerca de 6 mil por ano, vítimas da doença. Referência estadual para o tratamento da tuberculose, o Hospital Júlia Kubitschek promove, todos os anos, no Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, 24 de março, programação para conscientizar a sociedade.
Nesta terça-feira (24), as atividades começam às 13h, com panfletagem pelas alas do hospital para pacientes, familiares e funcionários. Às 14h, o diretor Henrique Timo Luz e a coordenadora do Serviço de Tisiologia, Helena Rachel Weinreich, fazem palestras sobre o tema. A partir das 14h30, o Grupo Teatral Loucademia de Arte apresenta as comédias “O Jiló” e “O Canhão”, no auditório da unidade. Os atores são pacientes atendidos no NAPS (Núcleo de Atenção Psicossocial) de Ribeirão das Neves.
“Apesar de ter cura, a doença ainda é muito negligenciada e carrega um grande estigma”, lembra a coordenadora da Tisiologia, Helena Rachel.
HJK é referência no tratamento da tuberculose
O Hospital Júlia Kubitschek, vinculado à Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), se tornou referência no tratamento da TBC por sua grande capacidade de leitos e de atendimento ambulatorial, profissionais treinados e atendimento aos pacientes que têm o bacilo multi-resistente. São 34 leitos de isolamento, além dos outros 54 destinados à Pneumologia. Anualmente, são realizados, no HJK, de 300 a 400 atendimentos a pacientes portadores do Bacilo de Koch. Esses atendimentos acontecem todas as terças-feiras, pela manhã, no ambulatório. A maioria desses pacientes continuam – ou deveriam continuar - o tratamento nos centros de saúde de sua região.
O HJK, criado em 1960, pelo então presidente Juscelino Kubitschek, para atender aos pacientes atingidos pelo Bacilo de Koch. Atualmente, o HJK possui corpo clínico especializado em Tisiologia e executa diagnósticos por meio de exames com tecnologia de ponta e pela realização de consultas e cirurgias torácicas.
“A tuberculose continua sendo um grande problema de saúde pública, ao mesmo tempo em que é um paradoxo: o diagnóstico dos casos é fácil e pouco oneroso. Além disso, o tratamento atual é feito com medicamentos de grande eficácia: 95% ou mais, desde que tomados diariamente por seis meses”, esclarece Helena Rachel.
Tuberculose tem cura
A tuberculose (TBC) existe desde antes de Cristo, e continua presente na humanidade, principalmente onde as condições de vida são mais precárias. A transmissão se dá através da tosse. Quanto mais cedo forem feitos o diagnóstico e o início do tratamento, maiores as chances do paciente. Os sintomas mais comuns da tuberculose pulmonar são: tosse, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento. Apesar da versão pulmonar ser mais conhecida, a tuberculose pode também atingir outros órgãos, como rins, ossos, pele, intestino, meninges, olhos, entre outros.
Cerca de um terço da população mundial é portadora do bacilo da TBC. Segundo a Organização Mundial de Saúde, somente em 2005 ocorreram 8,8 milhões de casos novos. O Brasil ocupa o 16º lugar no ranking entre os países, com cerca de 50 milhões de pessoas infectadas e 85 mil novos casos por ano. Em Belo Horizonte, em 2008, foram notificados 740 casos novos. A capital atende também moradores da região metropolitana.
A tuberculose predomina na faixa etária produtiva: 70% dos casos ocorrem entre 15 e 59 anos de idade. Acontecem 5 mil óbitos anuais (14 mortes por dia) no país, em média. É a quarta causa de morte por doenças infecciosas. Entre os casos de tuberculose, cerca de 15% tem infecção pelo HIV associada. A tuberculose é a maior causa de morte dos pacientes com Aids. É também a nona causa de internação por doenças infecciosas.
Tratamento precisa ser feito até o fim
As ações de controle da tuberculose são realizadas pelos centros de saúde (ou unidades básicas de saúde). Essas ações vão desde a prevenção, com a vacinação dos recém-nascidos com a BCG, até o diagnóstico e o tratamento ambulatorial. Os medicamentos são fornecidos por essas unidades, e o tratamento dura seis meses.
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