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Igreja projetada por Lina Bo Bardi em Uberlândia será restaurada

Segunda-feira | 20/08/2007 | 18:15·Atualizado em 30/06/2013 | 03:47
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UBERLÂNDIA (20/08/07) – A Igreja do Espírito Santo do Cerrado, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, projetada pela arquiteta italiana Lina Bo Bardi, estará, em breve, totalmente recuperada. Um projeto para sua restauração acaba de ser aprovado e os recursos, no valor de R$ 310 mil, já estão previstos na dotação orçamentária do Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural de Minas Gerais (Iepha/MG) para o próximo ano. As intervenções serão acompanhadas pela equipe de arquitetos do escritório de Lina Bo Bardi, de São Paulo.

Recentemente, a igreja foi interditada porque apresentava problemas sérios em sua estrutura. Obras emergenciais foram feitas, com fiscalização do Iepha/MG, órgão do Sistema de Cultura do Estado. De acordo com o arquiteto do Instituto, Wellington Farias Carvalho, que acompanhou os trabalhos, foram feitas substituição das peças estruturais danificadas, impermeabilização das calhas em concreto e a troca das peças da cobertura. O relatório das obras realizadas pelo Iepha/MG e o laudo técnico de estabilidade da estrutura seguem agora para a análise do Ministério Público Estadual para reabertura da igreja, que foi tombada pelo Iepha/MG em 1997.

História

Em 1976, o frei franciscano Egídio Parisi pediu a Lina Bo Bardi, radicada no Brasil desde 1947, um projeto para a construção da igreja em Uberlândia. Atéia e comunista, a arquiteta, cujo primeiro trabalho no Brasil foi o projeto do Museu de Arte de São Paulo, a princípio, recusou. Mas um novo pedido foi feito com a intermediação do artista plástico Edmar Almeida. Como argumento, ele explicou que a obra seria feita em mutirão pelo povo e que o dinheiro viria da Alemanha. A alegação foi ao encontro dos ideais socialistas de Lina, que não só aceitou fazer o projeto – o que fez com a colaboração dos arquitetos Marcelo Carvalho Ferraz e André Vainer -, como o doou à comunidade.

Lina definiu o estilo da igreja como paleo-cristão ou oca-indígena. Em 1976, teve início sua construção, orçada, à época, em 90 mil marcos. A simplicidade arquitetônica não foi fruto apenas dos parcos recursos financeiros empregados na obra, mas, acima de tudo, do engajamento político-ideológico da arquiteta, que gostava de envolver a comunidade nos trabalhos. Tudo isso fez com que a Igreja do Espírito Santo do Cerrado resultasse numa obra singular.

Lina Bo Bardi optou pela utilização de materiais do próprio local, como tijolos de barro, estrutura de madeira (aroeira da região, piso de cimento com pequenos seixos rolados e cobertura de telha canal). Parte da construção da igreja foi executada com mão-de-obra em sistema de mutirão. As obras foram concluídas em 1982.

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