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Inscrições para projeto Vozes do Morro superam expectativa

Sexta-feira | 11/04/2008 | 18:50·Atualizado em 14/06/2013 | 14:04
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BELO HORIZONTE (11/04/08) – O sonho de ser conhecido pelo mundo musical e de ver o seu trabalho veiculado nas rádios e TVs mobilizou centenas de artistas solo e grupos musicais de vilas, favelas e aglomerados de Belo Horizonte e região metropolitana, no último dia de inscrições para o projeto “Vozes do Morro” do Governo de Minas. Até 17h30 desta sexta-feira (11), 479 artistas se inscreveram. Esse número pode chegar a 500, uma vez que senhas de atendimento foram distribuídas. As cidades de Belo Horizonte, Ibirité, Ribeirão das Neves e Santa Luzia integram o projeto.

A proposta do Vozes do Morro é dar oportunidade a músicos e à arte produzida na periferia que, muitas vezes, por falta de oportunidade, não tem visibilidade e permanece restrita aos círculos comunitários. O projeto Vozes do Morro vai privilegiar o ineditismo e estimular a diversidade de linguagens musicais.

Até junho serão selecionados dez artistas ou bandas que terão suas músicas apresentadas ao público por meio de spots e pequenos programas em diferentes formatos. Cada um dos dez artistas ou grupos musicais selecionados receberá 100 cópias de um CD e 100 cópias de um DVD com gravação das canções divulgadas pelo Vozes do Morro. Os selecionados participarão também de um curso de formação gerencial oferecido pelo Sebrae-MG, parceiro do projeto.

“Desenvolvemos um projeto que é uma grande janela aberta para que todos possam participar. Teremos uma divulgação ao longo de todo ano. Na primeira fase contamos com quatro bandas que fazem a apresentação da fase piloto do projeto e a partir de meados de junho começaremos a apresentar as dez bandas que forem selecionadas e que vão ser conhecidas até o final de dezembro”, explicou a presidente do Servas, Andrea Neves.

O projeto Vozes do Morro foi desenvolvido pelo Governo de Minas em parceria com o Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) e o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de Minas Gerais (Sert/MG) com apoio de emissoras de rádio e televisão de Belo Horizonte.

Oportunidade

Para o coordenador do projeto, representante da comunidade da Barragem Santa Lúcia, Cristiano da Silva, o Cris do Morro, o Vozes do Morro é uma porta para que os artistas de favelas e aglomerados tenham a oportunidade de verem sua música divulgada. “A arte está também dentro da favela. Acho que os artistas do morro estão ganhando um presente que deve ser aproveitado por todos”, disse.

O cantor de rap, Cleidson de Paula Silva, de 27 anos, estava na fila, nesta sexta-feira (11), para se inscrever no projeto. Ele é morador do Novo Aarão Reis, em BH, e concorda com Cris do Morro. Ele afirmou que o projeto é uma grande oportunidade, já que é muito difícil ser reconhecido fazendo música em favela.

“Tenho esse grupo musical há quase dez anos e acho que ainda existe muito preconceito com o rap, o hip hop e, principalmente, com as pessoas que moram em lugares pobres. Temos grandes talentos nas periferias e o projeto é a chance desses talentos aparecerem”, disse.

Emerson Paulino da Silva, de 23 anos, morador do Morro das Pedras, região Oeste de Belo Horizonte, também é cantor de rap. Ele e outros cinco amigos integram uma banda que se apresenta na comunidade e em eventos de rap e hip hop. Emerson participa de movimentos culturais e artísticos no aglomerado e está muito feliz por ter a chance de mostrar seu trabalho. “Nunca conseguimos gravar um CD por falta de patrocínio e incentivo. Gravamos um material somente agora para fazermos a inscrição. Nossa expectativa é muito grande”, disse. Para Emerson, a iniciativa é importante, também, para valorizar os músicos e artistas, fazendo com que o trabalho com a música os afaste da criminalidade.

Esse ponto foi destacado, também, pela dupla de cantores sertanejos, Marcelo Matias, de 31 anos, e Valter Maielo, de 27, moradores do Palmares, em Ibirité. Eles falaram sobre o quanto o envolvimento com a música e com a arte contribue para que os jovens se ocupem e não tenham tempo, nem vontade de participarem de atividades ilegais.

Marcelo conta que a dupla já tem mais de dez anos de existência e que já se apresentou em pequenos bares e restaurantes. Segundo ele, todos os amigos, famílias e pessoas que conhecem a dupla se encantam e que o Vozes do Morro é a chance que eles precisavam para aparecer.

“O projeto está enchendo de esperança os nossos corações. Sempre tivemos o sonho de gravar um CD e mostrar a nossa música. Acho muito importante que essa iniciativa seja do Governo”.