Investimentos em novas usinas no Estado somam R$1,3 bilhão
BELO HORIZONTE (22/10/07) - Quatro novos investimentos no setor sucroalcooleiro, totalizando aplicações da ordem de R$ 1,3 bilhão, foram anunciados, nesta segunda-feira (22), pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede). Representantes das empresas Cemam, Platina Bioenergia, Companhia Energética Vale do São Simão e Destilaria Vale do Paracatu Bioenergia, assinaram, em solenidade realizada no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), presidida pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Marcio de Lacerda, protocolos de intenções com detalhes dos projetos.
Os empreendimentos vão gerar quase 8,9 mil novos postos de trabalho e 493 milhões de litros de álcool por safra quando estiverem em pleno funcionamento. As novas usinas de álcool, três delas a serem instaladas no Triângulo Mineiro e a quarta na Região Noroeste, devem começar a operar nos próximos três anos.
“O setor sucroalcooleiro está se consolidando cada vez mais na economia do Estado. A redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) para o álcool - de 25% para 12% - na venda das usinas para os distribuidores, proposta pelo governador Aécio Neves no mês passado, vai tornar a produção do combustível em Minas ainda mais competitiva”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Marcio de Lacerda.
O Grupo Santa Elisa vai investir R$ 410 milhões na instalação da Usina Platina Bioenergia, em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. É a segunda planta do grupo no município e a terceira na região do Triângulo. O canavial da usina terá 34 mil hectares. A planta será capaz de produzir, a partir da terceira safra em funcionamento, 105 milhões de litros de álcool e 175 mil toneladas de açúcar por ano. A estimativa da empresa é que sejam criados 1,5 mil empregos diretos e indiretos. “O apoio do Governo do Estado é um dos fatores que nos impulsiona a trazer mais esse empreendimento para Minas,” informou o diretor da Platina, Marcelo Monteiro.
Outro investimento, anunciado pela Companhia Energética Vale do São Simão, prevê a implantação do projeto agroindustrial no distrito de Chaveslândia, no município de Santa Vitória. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 350 milhões. A área plantada chegará a 42 mil hectares. A capacidade de produção será, no auge, de 144 milhões de litros e 300 mil toneladas de açúcar por safra. Pouco mais de 1,2 mil empregos serão gerados pelo empreendimento. A usina também tem planos de produzir energia elétrica a partir da queima do bagaço da cana-de-açúcar.
O terceiro empreendimento anunciado para o Triângulo é da Central Energética Monte Alegre de Minas (Cemam). A implantação vai demandar investimentos da ordem de R$ 450 milhões. O projeto prevê a produção de 150 milhões de litros de álcool a partir do quarto ano de operações e 170 mil toneladas a partir do segundo ano. O número de empregos gerados quando a usina atingir sua capacidade máxima chegará a 4,3 mil.
“Diferentemente de outros estados, abrir uma usina aqui não é uma operação de guerra. O Governo de Minas é exigente como os demais, mas consegue orientar o empresário e firmar verdadeiras parcerias com a iniciativa privada, o que é bastante positivo”, afirmou o presidente da Cemam, Maurílio Biagi Filho.
Cultura irrigada
Apesar de a maioria dos projetos do setor sucroalcooleiro se concentrar no Triângulo, o potencial de outra região do Estado fez com que a Destilaria Vale do Paracatu Agroenergia elegesse o município de Paracatu, no Noroeste de Minas, como sede de sua usina. A empresa será a primeira do setor a se instalar na região. Os investimentos previstos são de R$ 85,2 milhões. A planta industrial terá capacidade produtiva para 94,4 milhões de litros de álcool/ano a partir do terceiro ano de operações. Em plena capacidade, a empresa gerará 1,8 mil empregos. Como a região apresenta algumas restrições hídricas, a empresa vai apostar no cultivo irrigado.
“Temos longa experiência com o plantio irrigado de grãos. A cana-de-açúcar é menos exigente, pois consome dois terços a menos de água”, explicou o presidente do conselho, Luiz Antônio Sabonge. Ele disse que, a cultura de cana pode ser ecologicamente benéfica. “Nós não vamos deixar de cultivar grãos. Vamos plantar o canavial em terreno de pastos deteriorados, aproveitando a área. Estamos também apostando numa eficiência vertical da planta, aumentando a produtividade por hectare. Temos planos também de vender créditos no mercado de carbono”, informou.
O empreendedor interessado em implantar uma usina em Minas tem opções igualmente interessantes em outras áreas como o Norte, Centro-Oeste e Zona da Mata, como aponta um mapeamento feita pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) em 2006, disponível para os empresários que querem avaliar o potencial do Estado, aponta o secretário.
Cana-de-açúcar
Com as quatro novas usinas, chegam a 40 os projetos de implantação e expansão em Minas Gerais, desde 2005. Somados, os investimentos previstos são de R$ 8,5 bilhões. Devem ser gerados mais de 53 mil novos postos de trabalho.
O processamento de cana-de-açúcar para a produção de açúcar e álcool vai atingir 36,5 milhões de toneladas, quando todas as usinas estiverem em operação.
Sem imagens nesta galeria.
Notícia Relacionada
Investimentos em novas usinas no Estado somam R$1,3 bilhão