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Maestro português rege Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

Segunda-feira | 11/08/2008 | 09:40·Atualizado em 24/06/2013 | 11:55
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BELO HORIZONTE (11/08/08) - A Orquestra Sinfônica de Minas Gerais apresenta-se, nesta terça-feira (12), no Palácio das Artes, sob a regência do maestro português Osvaldo Ferreira. O concerto tem início às 20h30 e recebe as participações especiais do pianista Luís Gustavo Carvalho e de Antonio Efrahim, no trompete solo. O espetáculo faz parte da Série de Concertos no Grande Teatro e tem no repertório obras de Honegger, Shostakovich, Britten e Haydn.

Um dos três corpos artísticos mantidos pela Fundação Clóvis Salgado/ Palácio das Artes, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais possui atuação diversificada, exibindo-se em óperas, balés, concertos e espetáculos ao ar livre, na capital e no interior. Seu repertório abrange todos os períodos da música sinfônica, do barroco ao contemporâneo. A Orquestra faz apresentações ao longo de todo o ano, participando de inúmeros projetos da FCS para divulgação da música erudita.

Osvaldo Ferreira

O regente convidado especial do concerto desta terça concluiu o Curso Superior de Violino pelo Conservatório de Música do Porto. Foi posteriormente bolsista do Ministério da Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian, concluindo o Mestrado em Direção de Orquestra em Chicago e pós-graduação no Conservatório de São Petersburgo, na classe de Ilya Mussin. Laureado em 1999 no Concurso Sergei Prokofiev, na Rússia, recebeu do maestro David Zinman uma «Fellowship» do Aspen Music Festival, nos Estados Unidos da América, onde frequentou a American Conductors Academy e recebeu o prémio «Academy Conductor» em 2001. Foi assistente de Claudio Abbado em Berlim e Salzburgo.

Osvaldo Ferreira tem sido maestro convidado regular de todas as principais orquestras e festivais de música de Portugal, tendo dirigido importantes orquestras na Rússia, na Europa Comunitária, no Brasil e nos Estados Unidos da América. Gravou para a RTP, a RDP e a Editora Numérica. A lista de músicos com quem colaborou inclui muitos dos mais importantes nomes da música portuguesa e internacional. Nas últimas temporadas, teve um papel ativo na apresentação de várias óperas. Destaque para a estréia da versão moderna e revista da ópera La donna de genio volubile, de Marcos Portugal, Don Giovanni e Il Impresario, de Mozart, e Madama Butterfly, de Puccini. Com a Camerata de Musica Antiqua de Curitiba, apresentou a obra integral Weinacht Oratorium de J. S. Bach e com a Orquestra do Algarve, apresentou um ciclo de Missas de Mozart que incluiu o Requiem. Desde há cinco anos, dirige o concerto dos laureados do Concurso Jovens Músicos da RDP, com gravação e transmissão pela RTP e Antena 2.

Desde 1997, exerce diversas atividades ligadas a importantes festivais, tais como, fundador e diretor artístico do Festival de Música de Santa Maria da Feira, diretor artístico do festival Unicamp, no Brasil, diretor da Orquestra do Festival Internacional de Música de Viana do Castelo e da Oficina de Música de Curitiba.

Desde 2003, é o maestro titular da Orquestra da Povoa de Varzim, um projeto original e apoiado pelo Instituto das Artes que em breve irá editar o 4.º CD com obras sinfônicas de autores portugueses contemporâneos.

Em setembro de 2005, foi convidado a assumir o lugar de Maestro Titular da Orquestra do Algarve, cargo que manteve até dezembro de 2007, e que lhe trouxe inúmeros elogios da crítica e das instituições da região. A criatividade da programação e o seu poder de comunicação levaram à criação de novos públicos e de audiências mais entusiastas. Em 2006 celebrou o «Ano Mozart» com a gravação de um CD duplo com obras deste compositor. Os concertos realizados em Bruxelas e Viena, com a Orquestra do Algarve, deixaram igualmente uma marca de sucesso e qualidade no público e na crítica dessas cidades.

Em 2007 foi convidado pela Região de Turismo do Algarve para assumir a direção artística do Festival Internacional de Música do Algarve.

No ano de 2008, a sua atividade iniciou-se no Brasil com a participação na Oficina de Música de Curitiba, passando também pela Orquestra Nacional do Porto, Orquestra Gulbenkian, Orquestra de Salvador da Bahia, Orquestra de Câmara de Praga e Orquestra de Novosibirsk, entre outros projetos. Em abril de 2008, Osvaldo Ferreira assumiu a direção artística de um dos maia importantes festivais de música do Brasil – Oficina de Música de Curitiba – a convite da Fundação Cultural da cidade.

Programa:

A. Honegger (1892-1955)

Pastorale d`été: Calme, Vivo, Gaio

D. Shostakovich(1906-1975)

Concerto para piano, nº 1, op.35 em dó menor: Allegro moderato, Lento,Moderato, Allegro con brio

B. Britten (1913-1976)

Sinfonia simples, op.4: Boisterous bourée, Playful pizzicato, Sentimental saraband, Frolicsome finale

F. J. Haydn (1732-1809)

Sinfonia nº 45 (Farewell symphony): Allegro assai, Minuet, Finale – Presto

Serviço

Evento: Série de Concertos no Grande Teatro - Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

Data: terça-feira (12/08)

Horário: 20h30

Entrada: Platéias I e II – R$ 15 / Platéia Superior – R$ 10

Classificação etária: 8 anos

Informações: 3236-7400

www.palaciodasartes.com.br.

Saiba mais sobre os compositores que estão no repertório da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais no concerto do dia 12 de agosto.

Arthur Honegger (1892-1955)

Compositor francês de origem suiça, Arthur Honegger teve sua primeira aula de música em Paris, sua cidade natal. Com quinze anos, freqüentou durante dois anos o Conservatório de Zurique, e em 1913 passou a ser aluno de Vincent D’Indy e Charles Marie Widor, no Conservatório de Paris. Ele conheceu, na capital francesa, artistas como Picasso e Braque, Max Jacob e Blaise Cendrars e vinculou-se ao grupo de músicos em torno de Jean Cocteau, que a partir de 1920 apareceu de público como o Groupe des six. É nessa época que saem – após um número notável de músicas de câmara e canções – suas primeiras composições maiores, que o tornariam conhecido: a peça para orquestra Pastore d’été (1920), o balé de marionetes Verité-Mensonge (1920) e a sinfonia de programa Horace victorieux (1920). No entanto, a obra indicadora de caminho para seu futuro desenvolvimento é Le Roi David, um “salmo dramático” (texto de René Morax), que estreou em 1921 no palco do teatro popular de Mézières, junto a Lausanne. Foi a primeira de uma série de obras para palco, com as quais Honegger deu novo impulso ao gênero da música de teatro. Formas clássicas estão latentes em grande parte de sua música, mas o sentido tonal é freqüentemente ampliado através do uso da politonalidade.

Dmitri Shostakovich (1906-1975)

Compositor soviético. Estudou no conservatório de Petrogrado (1919-25), onde escreveu sua Primeira Sinfônica como peça de graduação. O impacto da obra, em sua primeira audição, estabeleceu o lugar de Shostakovich, aos 18 anos, entre os compositores soviéticos contemporâneos. Embora suas obras posteriores obtivessem freqüentemente o aplauso do público, a reação oficial era desfavorável, e culminou em 1936 com um ataque no Pravda à sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk. Como resposta a essa e outras censuras, Shostakovich deu a sua Quinta Sinfonia o subtítulo “Resposta de um Artista Soviético a uma Justa Crítica”, e a obra foi aclamada como exemplo de arte soviética. Sua linguagem própria manteve-se reconhecível ao longo de toda a sua carreira. Caracteriza-se por uma harmonia tonal (embora freqüentemente dissonante), lúcido talento para a orquestração e adesão a formas e gêneros clássicos.

Edward Benjamin Britten (1913-1976)

Compositor e pianista britânico. Aluno de Benjamin e Ireland no Royal College of Music de Londres (1930-34), também estudou particularmente com Frank Bridge. O fluente estilo diatônico de Briten é tingido de elementos modais, cromáticos e ocasionalmente seriais. Quando jovem, Britten tencionava prosseguir seu aprendizado em Viena, com Alban Berg; como os pais (talvez a conselho de Frank Bridge, professor de Britten) tomaram a decisão de ir contra esse desejo do filho, o plano não pôde realizar-se. Seria interessante especular como Britten teria composto sob a influência direta da Escola de Viena (como no caso próprio Berg que por um triz não entrou no curso de Hans Pfitzner em vez do de Schoenberg). Talvez o temperamento de Britten tivesse tomado, nessas circunstâncias, a direção semelhante que tomou sem a rígida instrução do círculo de Schoenberg. Quase não se pode imaginar uma contradição maior na música do século XX, do que as notas relaxadas, improvisadas, jocoso-ecléticas da maioria das obras de Britten e a arte musical responsável e várias vezes comedida da Escola de Viena.

Franz Joseph Haydn (1732-1809)

Compositor austríaco. Nascido em Rohrau, de família pobre, foi mandado para Viena aos oito anos, e aos nove era menino de coro na catedral de Santo Estevão. Depois de deixar a catedral, sustentou-se ensinando e tocando; tornou-se também aluno e acompanhante de Nicola Porpora. Durante esse período, estudou sozinho teoria musical e composição, principalmente através das obras de C.P.E Bach. Por intermédio de alguns de seus alunos, conheceu o barão Von Fürnberg, para cujos instrumentistas escreveu seus primeiros quartetos para cordas. Haydn escreveu mais de 100 sinfonias, quase 80 quartetos para cordas, mais de 50 sonatas e 31 trios para piano. Em todas essas composições, desenvolveu as formas e o estilo clássicos, ficando conhecido como “o pai da sinfonia”.