Observatório de Inovação é tema de palestra da Sectes
BELO HORIZONTE (27/03/09) - A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) realizou, nesta sexta-feira (27), mais uma edição do Ciclo de Palestras: Ciência, Tecnologia e Inovação em foco: A experiência do Observatório da Inovação e Competitividade do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). O doutorando em Sociologia e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) Demétrio Gaspari Cirne de Toledo foi convidado para falar sobre as principais pesquisas realizadas pelo Observatório e investimentos em inovação. O evento foi transmitido ao vivo para comunidade da Inovatec no Peabirus.
O Observatório desenvolve trabalhos em duas áreas: pesquisas para o poder público, na formulação e avaliação de políticas de inovação e competitividade; e pesquisas acadêmicas direcionadas ao empreendedorismo, ciência, tecnologia, internacionalização de empresas e os impactos econômicos da inovação sobre a economia e a sociedade.
São objetivos do Observatório: desenvolver pesquisas multidisciplinares sobre inovação e competitividade nas empresas brasileiras, produzir conhecimento relevante para a formulação de políticas públicas voltadas para o aumento da inovação e competitividade da economia e incentivar a relação entre o sistema nacional de C,T&I e setor público.
Segundo Demétrio Toledo o Brasil encontra-se a meio caminho quando o assunto é inovação. “Estamos abaixo das economias mais desenvolvidas, mas à frente dos principais países emergentes e possuímos vantagens não-desprezíveis tanto em relação a economias avançadas como as emergentes”. Para ele, o fato de termos um sistema de C&T que cobre todas as áreas básicas de produção científica favorece o desenvolvimento principalmente de setores como biotecnologia, engenharia aeroespacial, prospecção de petróleo, biocombustíveis e ciências agrárias.
Na opinião do especialista é preciso investir pesadamente nas áreas "portadoras de futuro", ou seja, aquelas em que atualmente há uma vantagem relativa, mas que ainda não foram plenamente desenvolvidas como biofármacos e energias alternativas. Além disso, ressaltou que é necessário aumentar o número de mestres e doutores no país, e, sobretudo, criar melhores condições para a incorporação de pesquisadores nas empresas brasileiras. Ele acrescentou ainda que não adianta investir pesadamente em inovação dentro das empresas se a mão-de-obra altamente qualificada que uma economia precisa não estiver disponível.
Durante o evento a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) lançou a 2ª fase do Projeto Inventiva, que apóia o desenvolvimento de protótipos de produtos ou processos inovadores. A iniciativa, que beneficia inventores independentes e micro-empresas, resultou da parceria entre a Fapemig, o Sebrae-MG, o Instituto Euvaldo Lodi (Iel) e o Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais (BDMG).
Com o principal objetivo de fomentar a inovação tecnológica em Minas Gerais, por meio do financiamento e de ações de estímulo, o Projeto Inventiva destinou R$ 500 mil ao conjunto de propostas aprovadas, observando, para cada uma, o limite de R$30 mil. A primeira fase foi lançada em abril de 2007 e concluída no ano passado com investimento de R$ 200 mil.
Segundo o presidente da Fapemig, Mario Neto Borges, o Inventiva preencheu uma lacuna, pois, até seu lançamento, não havia na instituição uma linha para apoiar a construção de protótipos. “Isso mostra o que Minas Gerais tem feito no sentido de juntar esforços de seus mecanismos e agentes, sintonizados na proposta de tornar o estado competitivo nos cenários nacional e internacional”, disse. O projeto é voltado para pesquisadores independentes, micro-empresas e instituições de ensino e pesquisa que atuem em parceria com o inventor ou pesquisador e a micro-empresa. Todas as etapas de desenvolvimento do produto ou processo devem ser realizadas em Minas.

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