Palácio da Liberdade restaurado é atração no domingo
BELO HORIZONTE (28/07/08) - Crianças, jovens, adultos e idosos. A atenção e o encantamento são os mesmos, em todas as idades, quando o assunto é a história de Minas e a riqueza arquitetônica do Palácio da Liberdade. A visita guiada à sede do Governo de Minas, que vem se tornando um dos mais agradáveis programas turísticos da capital, atraiu aproximadamente 700 pessoas, nesse domingo (27), entre 8h30 e 13h.
Para começar, assistiram à solenidade da Troca de Guarda e o hasteamento das bandeiras do Brasil e de Minas, nos jardins do Palácio, ao som do Hino Nacional. Adaptada da cerimônia londrina no Palácio de Buckingham, a Troca de Guarda acontece quando os militares do Regimento que faz a segurança do Complexo de Palácios (Liberdade e Despachos) trocam de turno. Enquanto uma nova turma assume o trabalho, a anterior retira-se, em marcha.
“Achei tudo lindo, maravilhoso. BH é tudo de bom”, afirmou a administradora Heloisa Helena de Resende Silva, residente em Brasília, que está visitando a irmã, em Belo Horizonte, e aproveitou o domingo para conhecer o Palácio da Liberdade. Ela integrou um dos quase 50 grupos de 15 pessoas que passearam pelos 30 principais cômodos do imponente edifício, inaugurado em 1897 pela Comissão Construtora da Nova Capital. A visita guiada parte do Hall da Escadaria, toda fabricada na Bélgica em estilo art-nouveau. Em seguida, os visitantes conhecem a beleza dos salões Nobre, Dourado, das Comendas, do Banquete, do Couro, da Rainha e a Sala de Retratos.
A pequena Tayná Bastos, de sete anos, disse, extasiada: ““Tudo aqui é tão lindo e tão grande que não sei nem o que falar ou para onde olhar”. Vilma Soares Lima, moradora de Belo Horizonte há mais de 54 anos, confessou que ficou emocionada e que sentiu “uma grande alegria de participar da cerimônia”.
A abertura do Palácio à visitação pública integra um conjunto de projetos estruturadores do Governo de Minas para a proteção do patrimônio priorizando o acesso da população aos bens culturais protegidos. Exemplo em Belo Horizonte, a criação do Circuito Cultural Praça da Liberdade se ergue como um conjunto de centros de atividades culturais, científicas e de lazer, ao redor do próprio Palácio da Liberdade. Em breve, outros espaços culturais na Praça serão abertos à população, como o Espaço TIM/UFMG do Conhecimento, na antiga Reitoria da UEMG, e o Museu das Minas e do Metal, que ocupará o prédio ao lado, que já abrigou a Secretaria de Educação.
Marco na história de Minas
Com mais de cem anos de história, o Palácio da Liberdade é um marco referencial da história republicana de Minas e do Brasil. Inaugurado em 1897 pela Comissão Construtora da Nova Capital, o palácio foi projetado pelo engenheiro-arquiteto pernambucano José de Magalhães em estilo eclético, com predominância de elementos neoclássicos com forte influência da arquitetura francesa.
O requinte da edificação exigiu mão-de-obra especializada e importação de parte dos materiais da Europa. As armações de ferro das escadarias e as estruturas metálicas da cobertura vieram da Bélgica, as telhas, de Marselha, e o pinho-de-riga, madeira utilizada no piso, da Letônia. Para a pintura e decoração do Palácio, foi contratado o artista Frederico Antônio Steckel, do Rio de Janeiro, de onde saiu com uma equipe de decoradores nacionais e estrangeiros. O resultado de seu trabalho pode ser admirado nos tetos, nas paredes e cimalhas, também os ornamentos com aplicação de enfeites em papier-mâché pintados. As peças do mobiliário, tapeçarias, cristais, porcelanas e talheres também foram trazidos da Europa, principalmente da França.
Obras realizadas no Palácio da Liberdade
Em 1920, durante o Governo de Arthur Bernardes, foi realizada a primeira reforma do prédio, inclusive dos jardins, para receber a visita dos reis da Bélgica, durante visita a Belo Horizonte. Em 1925, foi apresentada, com grande repercussão, a nova ornamentação do Salão Nobre, feita pelo artista Antonio Parreiras. Em 1958, a pedido da esposa do governador José Francisco Bias Fortes, foi construída a Capela de Santana nos jardins do Palácio da Liberdade.
No governo Israel Pinheiro, em 1968, foram colocadas grades na frente e nas laterais e instalados holofotes nos jardins. Em 1980, durante o governo de Francelino Pereira, o Palácio da Liberdade passou por uma importante intervenção para estabilizar as fundações e o solo, com a introdução de 700 estacas-raízes de cerca de 20 metros de profundidade. Também foi realizada a recuperação da cobertura, rede hidráulica, elétrica, piso e elementos artísticos.
Obras de restauração nos forros dos Torreões foram realizadas em 1993. Nos anos de 1996/97 nova intervenção, desta vez os elementos artísticos/bens integrados foram restaurados, assim como o Quiosque, localizado nos jardins. Depois de reparos na cobertura da edificação, em 2003, no ano seguinte, o Palácio da Liberdade passou por obras completas de restauração, sob supervisão e coordenação do Iepha, inclusive recuperando elementos artísticos. O Palácio ganhou redes indoor de comunicação de dados, com tecnologia de ponta implantada através do Sistema Wireless. O prédio também ganhou segurança e moderno sistema de comunicação e de combate a incêndio.
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