Potencial mineiro para aeroporto-cidade é tema de debate
BELO HORZIONTE (06/11/08) - O Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN), por suas características, tem grande potencial para o desenvolvimento de um aeroporto-cidade. O local tem ampla área interna e no entorno, fácil acesso à capital e à Região Metropolitana, tecnologia de ponta para aviação e o mais importante, apoio político para torná-lo real. A afirmação é do diretor do Kenan Institute of Private Enterprise da Universidade da Carolina do Norte (EUA), John Kasarda, criador do conceito aeroporto-cidade, no Fórum Internacional de Aeroportos-cidades: Minas Gerais no caminho da nova economia realizado nesta sexta-feira (7), em Belo Horizonte e organizado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede) e Câmara Americana de Comércio (Amcham), com a participação de 500 empresários.
Segundo Kasarda, o conceito pressupõe, além de ampla infra-estrutura de terminais de passageiros e de carga, a operação de aeroporto industrial no local, a ocupação ordenada da região de entorno, a atração de empresas com produtos e serviços de alto valor agregado e de distritos industriais com tecnologia de ponta, a existência de vias de acesso duplicadas e conservadas, de rede de ensino, de complexos residenciais, hotéis e áreas de lazer e de cidades vizinhas com qualidade de vida.
Atualmente, existem 16 projetos de aeroportos-cidades em andamento no mundo. Belo Horizonte é o único em toda a América do Sul.
Ampliação
De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Raphael Andrade, o projeto do Governo de Minas para o AITN contempla a expansão dos terminais de passageiros e de carga, a extensão da pista em mais 660 metros para aviões cargueiros de grande porte, a ampliação do estacionamento, melhorias no sistema viário interno com a interligação à MG 424 e futuramente à MG 010 e, ainda, a modernização das instalações, de modo a alcançar a capacidade anual de 20 milhões de passageiros, 370 mil movimentos de aeronaves e 150 mil toneladas de carga transportadas.
“A consolidação do Aeroporto Internacional Tancredo Neves como hub logístico é o primeiro passo para alcançarmos nosso objetivo e fator de grande importância no plano estratégico do Governo para o desenvolvimento da economia do Estado. Buscamos dotar Minas Gerais de instrumentos modernos de desenvolvimento, capazes de inserir o Estado cada vez mais na nova economia mundial”, afirmou.
As ações em favor da consolidação do AITN como um dos principais terminais de transportes de passageiros e de cargas do país começaram a ser desenvolvidas em 2003, em parceria com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e outros órgãos federais e municipais. Um dos objetivos é aumentar as possibilidades de inserção das empresas mineiras que têm grande potencial de incrementar os negócios se houver disponibilidade de infra-estrutura. Atualmente, 40% do valor de comércio internacional são transportados por avião. A expectativa é que o tráfego de carga aérea triplique até 2025.
Os primeiros resultados já começaram a aparecer e empresas do setor aeronáutico anunciaram investimentos significativos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em julho, a Gol Linhas Aéreas confirmou a duplicação do centro de manutenção de aeronaves, inaugurado em 2006, dos atuais 47,7 mil metros quadrados para 91 mil metros quadrados. Em maio, a Trip Linhas Aéreas assinou protocolo de intenções que prevê a transferência do centro de manutenção de aeronaves da companhia para o Estado e a realização de estudos para a implantação de um centro de treinamento de aeronaves. O anúncio mais recente foi da TAM Executiva, empresa de táxi aéreo do grupo, que divulgou planos para instalar junto ao Aeroporto da Pampulha um centro de manutenção de (aviões e helicópteros).
Aeroporto industrial
Nos próximos dias será anunciada a empresa vencedora da concorrência para a execução das obras de infra-estrutura básica do Aeroporto Industrial, que vai ocupar uma área de 46 mil m² dentro do AITN.
Mediante investimentos da ordem de R$ 10 milhões do Governo de Minas, as obras da primeira etapa prevêem a urbanização da área, construção de um entreposto aduaneiro, realocação da cabine de medição de energia elétrica e interligação à rede elétrica do aeroporto internacional.
Resultado de convênio firmado entre o Governo de Minas e a Infraero, as obras são o passo inicial para a concretização do projeto, que tem a meta de estimular a implantação no Estado de empresas de alta tecnologia que têm no modal aéreo o principal meio de transporte de matérias-primas e produtos finais.



Notícia Relacionada
Potencial mineiro para aeroporto-cidade é tema de debate