Profissionais das GRS são capacitados para fazer Inquérito de Tracoma
BELO HORIZONTE (18/04/06) – Representantes das gerências regionais de saúde estão em Belo Horizonte desde hoje participando de capacitação das equipes de campo para a realização de atividades do Inquérito Epidemiológico Nacional de Tracoma, durante a etapa mineira. A abertura contou com a presença do subsecretário de Políticas e Ações de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), José Maria Borges, e do coordenador estadual de Oftalmologia Social, Jules Ayoub.
O Treinamento do Inquérito de Tracoma para as GRS tem a coordenação do Ministério da Saúde (MS), com a participação da Coordenadoria de Oftalmologia Social, Diretoria de Vigilância Epidemiológica e técnicos designados pelas GRS dos 68 municípios sorteados pelo MS. A capacitação será estendida até esta quinta-feira (20), quando está agendada uma prática de campo na Escola Estadual Barão de Macaúbas e a apresentação do plano de trabalho.
Maurício Nunes de Azevedo é coordenador de Atenção à Saúde (CAS), da GRS de Coronel Fabriciano, e está participando do treinamento. Com ele, está também Maria de Lourdes Segal, referência técnica de oftalmologia da mesma GRS. Bastante otimista com a capacitação, Azevedo disse que espera fazer um trabalho de prevenção em parceria com outros setores, já que, segundo ele, isoladamente será mais difícil para a CAS. “Pelo que sei, a incidência de tracoma está aumentando e por isso estamos aqui para aprender como proceder”, explicou o coordenador. Ele informou, ainda, que na regional em que trabalha foram escolhidas sete escolas para o trabalho de campo de inquérito.
Em maio de 2004, a Secretaria de Vigilância em Saúde do MS deu início à terceira etapa do Inquérito Nacional para avaliar a situação do tracoma no país, com ações desenvolvidas em alguns estados, inclusive Minas Gerais. A SES, por meio da Coordenadoria de Oftalmologia Social, vem, desde então, apoiando e se empenhando para viabilização da proposta no Estado, dando continuidade ao estudo em Minas. “Com o apoio de todos, conseguiremos fazer um belo trabalho, já que Minas Gerais é um Estado grande e isso dificulta”, explicou Jules Ayoub.
Segundo informações do MS, o último Inquérito aconteceu entre 1974 e 1976. Os dados do referido estudo, associados às informações atuais sobre a doença, permitem supor que a inexistência de notificação pela maioria das unidades federadas se devia provavelmente à interrupção das atividades de vigilância epidemiológica e controle. “Com o que aprendermos aqui, faremos um trabalho de campo de inquérito. Na nossa GRS, depois desse treinamento, iremos a três municípios”, confirmou Maria Aparecida Soares, da GRS de Coronel Fabriciano, que participa da capacitação.
Em 2002, o MS retomou as atividades para a realização do projeto. Na primeira etapa, foram realizados trabalhos de campo nos estados de São Paulo, Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. Em 2003, já em uma segunda fase, nos estados do Paraná, Sergipe, Tocantins, Rio Grande do Sul, Bahia, Acre, Roraima e Espírito Santo. Agora na sua terceira etapa, acontece também em Minas Gerais. O subsecretário José Maria Borges reforçou a importância dos trabalhos que serão novamente realizados. “É sempre bom estarmos retomando aquilo que terá um impacto positivo à saúde da população”, destacou.
Tracoma
Trata-se de uma afecção inflamatória crônica da conjuntiva (membrana fina e transparente que reveste o olho) e da córnea, uma ceratoconjuntivite (inflamação da córnea e da conjuntiva) crônica palpebral, em decorrência de infecções sucessivas cada vez mais agravantes, que pode levar a cicatrizes na conjuntiva palpebral. Costuma durar meses e até anos e, em casos mais graves, evoluem para seqüelas, provocando lesões corneanas importantes, podendo levar à cegueira.
O agente etiológico do tracoma é a Chlamydia trachomatis, uma bactéria de vida obrigatoriamente intracelular. Além do tracoma, esta bactéria é responsável pela conjuntivite de inclusão, pelo linfogranuloma venéreo e por outros quadros de doenças sexualmente transmissíveis.
O homem, com infecção ativa, é a principal fonte de transmissão da doença. Os indivíduos até 10 anos de idade com infecção ativa são considerados o maior reservatório de transmissão da doença em uma comunidade. Crianças com tracoma também podem portar C. trachomatis nos tratos respiratório e gastrointestinal. A transmissão da doença ocorre de pessoa a pessoa, através do contato direto com as mãos contaminadas com secreção ocular, ou contato indireto através de objetos contaminados.
Todos os indivíduos são suscetíveis à doença, sendo que crianças reinfectam-se com maior freqüência dependendo das condições do meio. A resposta imune celular é considerada necessária para a cura da infecção, mas, provavelmente, também contribui para o desenvolvimento das lesões conjuntivais cicatriciais.
Os anticorpos responsáveis pela proteção podem ser diferentes dos que causam reações deletérias. Se fosse possível estimular especificamente a resposta imunológica protetora, então existiria uma vacina de tracoma eficaz.
Agência Minas
Telefone: (31) 3250-7116
e-mail: imprensasecom@governo.mg.gov.br
Sem imagens nesta galeria.
Notícia Relacionada
Profissionais das GRS são capacitados para fazer Inquérito de Tracoma