Programa do Governo viabiliza integração de deficientes auditivos
BELO HORIZONTE (14/05/07) – A Rede de Saúde Auditiva de Minas Gerais já avaliou mais de 12 mil pacientes em todo o Estado, desde 2005. Com foco nos deficientes auditivos, a rede está implantada em 10 municípios, onde serviços credenciados pelo SUS permitem assistência integral ao usuário. Para fazer a avaliação, o cidadão deve procurar a Secretaria Municipal de Saúde, que vai encaminhá-lo até o serviço de referência da região.
"Atualmente, os Centros de Saúde Auditiva estão localizados nos municípios de Alfenas, Belo Horizonte, Governador Valadares, Juiz de Fora, Montes Claros e Pouso Alegre, que oferecem serviço de alta complexidade, e Diamantina, Formiga, Patos de Minas e Teófilo Otoni, que são de média complexidade. Em todos eles, o paciente será avaliado pela equipe de profissionais", explicou a referência técnica em Saúde Auditiva da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), Mônica Farina.
Assim que chega à unidade, o paciente passa por uma primeira avaliação com otorrinolaringologista, fonoaudiólogo, assistente social e psicólogo. Nos centros de referência em alta complexidade, ele também poderá receber atendimento de um pediatra ou de um neurologista, o que permite às crianças menores de 3 anos e àquelas pessoas com distúrbio neurológico associado ou perda da audição unilateral serem assistidas.
Após o diagnóstico, caso seja comprovada a deficiência auditiva, o paciente passa pelo processo de seleção e adaptação da prótese. Ele tem, ainda, direito à terapia para reabilitação e acompanhamento, o que permite ao usuário passar pelas devidas avaliações, semestralmente. Isso vai ao encontro da necessidade de se adaptar o aparelho, quando se trata de um caso de perda progressiva ou de inadequação da prótese. Ao todo, de 2005 a 2007, já foram fornecidos 18.776 aparelhos.
Aprimorando a comunicação
Ana Maria de Oliveira é mãe de Bruna que, aos 3 anos de idade, começou a sentir os efeitos da deficiência auditiva. No ano passado, a professora da jovem percebeu que ela não ouvia quase nada e avisou à Ana Maria, que a levou até uma clínica especializada. Na unidade, Bruna passou por uma avaliação com fonoaudióloga, quando foi constatada a perda da audição. Residente em Belo Horizonte, a garota foi encaminhada ao Hospital das Clínicas (HC), na capital mineira, para receber o atendimento.
Em janeiro deste ano, ela passou por uma primeira análise, por meio da qual foi concluído que o uso de aparelho seria necessário à jovem. Um mês e meio depois, Bruna foi ao HC para obter o molde, com as medidas necessárias à produção da prótese, a qual já está utilizando. Segundo a mãe da criança, isso foi fundamental para que ela tivesse uma comunicação mais apurada e eficiente, tanto na escola, quanto em casa. “Melhorou 100%. Ela era muito agitada. Hoje, a Bruna entende mais o que a gente fala. A professora falou que ela está acompanhando mais as aulas e os colegas de sala”, destacou Ana Maria.
No Hospital das Clínicas, o paciente recebe o atendimento de quatro fonoaudiólogos, dois para o trabalho nos casos em que se utiliza prótese e outros dois para aqueles em fase de terapia. Além disso, é assistido por dois otorrinolaringologistas, psicólogos, assistente social e, quando necessário, conta também com neurologista e pediatra, ambos para suporte. “O programa de Saúde Auditiva é muito válido, pois beneficia tanto crianças, quanto adultos. Melhora, assim, a qualidade de vida da população, a aprendizagem das pessoas e o convívio social”, destacou o coordenador do Serviço de Otorrinolaringologia e Prótese do HC, o professor Celso Becker.
Governador Valadares
Em Governador Valadares, o Centro de Saúde referência do município atende à população da macrorregião Leste. De acordo com o coordenador do serviço, o otorrinolaringologista, Emerson Rodrigues, alguns problemas auditivos são mais simples, como a retirada de cera. Outros, no entanto, apresentam maiores complicações, o que leva à necessidade de uso dos aparelhos. “De acordo com cada perda de audição, usamos o tratamento e a prótese apropriada. Mesmo aquele que nasceu completamente surdo, poderá usar o aparelho para interagir com o meio ambiente”, explicou o coordenador.
As perdas de audição são classificadas como leves, médias e profundas. Assim como no Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, na unidade de Governador Valadares o tratamento oferecido na área é de alta complexidade, onde são realizadas, em média, 250 consultas por mês. “Depois de receber o aparelho, o paciente faz tratamento com fonoaudiólogo. Vemos, com isso, o problema das pessoas solucionado. Dizer à pessoa que não há nada para fazer seria muito frustrante. Para a população idosa, o ganho é enorme, já que ela pode voltar a conviver e interagir com a sociedade”, analisou Emerson.
O coordenador ainda ponderou o fato de existir uma rede distribuída, geograficamente, que deixa aqueles que possuem deficiência auditiva mais próximos do acesso. Adalcina Guimarães Guilherme, 77 anos, é uma dessas pessoas. Residente na macrorregião Leste do Estado, ela afirmou que o aparelho e o tratamento mudaram sua vida. “Eu não escuto quase nada sem o aparelho. Não adianta nem conversarem comigo. Há quase dez anos sofri sem escutar. O médico disse que era um problema que eu tive na infância. Sem o aparelho, as pessoas têm que falar dentro do meu ouvido. Ninguém gosta disso. Tudo melhorou”, comemorou Adalcina.
Instalação e centros
A Rede de Saúde Auditiva foi instalada após a publicação de três portarias do Ministério da Saúde, todas em 2004. Elas instituíram a Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva, bem como trataram da organização e regulação das redes estaduais. No Estado de Minas Gerais, o programa já está implantado há quase três anos, com capacidade de atendimento mensal de 95 pacientes, nos serviços de alta complexidade, e de 57, nos de média. São beneficiados os deficientes auditivos que se encaixam nos critérios de adaptação exigidos pelo Ministério da Saúde.
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