Projeto de aquecimento solar dá prêmio nacional à Cohab-MG
MACEIÓ (24/04/08) - A Companhia de Habitação de Minas Gerais (Cohab) recebeu, na noite de quarta-feira (23), o Selo do Mérito 2007, concedido pela Associação Brasileira de Cohabs - ABC juntamente com o Fórum de Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano. O prêmio distingue as principais iniciativas em Habitação de Interesse Social no país e foi um reconhecimento ao programa de instalação do aquecimento solar em todas as novas 7.500 casas que a companhia está construindo pelo Programa Lares– Habitação Popular (PLHP).
A solenidade de premiação foi realizada em Maceió (AL) e o prêmio foi entregue ao presidente da Cohab-MG, Teodoro Alves Lamounier, pelo ministro das Cidades, Márcio Fortes. Segundo Lamounier, a instalação de aquecedor nas unidades habitacionais da segunda etapa do PLHP contém importante fator de ganho de renda.
Levantamento realizado no conjunto Dicalino Cabral em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde 346 casas receberam o aquecedor solar, apontou que os mutuários utilizam o dinheiro economizado nas contas de luz em alimentação, transporte, prestação da casa, remédios, melhorias no imóvel, construção de muro e até mesmo consumo de energia com aparelhos de som, batedeira, DVD, máquina de lavar roupa e freezer.
Economia de eletricidade
Na quarta-feira pela manhã, Lamounier e o engenheiro mecânico e integrante do Green (Grupo de Estudos em Energia da PUC Minas), Alexandre Salomão de Andrade, que presta consultoria à Cohab-MG, apresentaram o sistema de aquecimento usado em Minas no 54º Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social. As explicações técnicas despertaram muito interesse dos participantes e autoridades, que também visitaram o estande do Lares Geraes para conhecer detalhes e benefícios do sistema. O estande mostrou um exemplar genérico de aquecedor solar cedido pela JMS/Grupo BHSolar e doado depois do evento a pesquisadores de energia renovável de Alagoas.
O representante do Green mostrou um gráfico que cruza o déficit habitacional do país com o consumo de megawatts/hora, se fosse coberta toda a escassez de habitações. Nesse caso, a demanda energética aumentaria 8,8 megawatts, aproximadamente 69% da produção da Usina de Itaipu. A instalação do aquecimento solar nessas moradias faria, então, expressiva economia de consumo de eletricidade, pela substituição do chuveiro elétrico nos banhos diários.
O presidente da Cohab-MG sugeriu ao Fórum e à ABC que incentivem a adoção do aquecimento solar nos conjuntos de habitação de interesse social do país. “O pequeno valor da amortização do aquecedor é plenamente compensável pela redução no consumo de energia”, comentou Lamounier, lembrando que a estimativa de economia de energia é de 35% medida em kWh.
Para o presidente da Cohab-MG, a implantação do equipamento em grandes conjuntos é vitoriosa. Destacou que isso se deve ao êxito da experiência piloto e pioneira da parceria da companhia com a Cemig e a Agencia Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que já implantou 2.121 aquecedores em diversos conjuntos habitacionais. O uso do aquecimento solar pelas famílias atendidas pelo PLHP aumenta a renda de cada uma.
Além disso, o uso de energia renovável e alternativa à eletricidade induz, indiretamente, novos padrões de conforto pessoal e familiar. E também produz mudanças culturais e comportamentais entre os mutuários. O próprio cuidado dos usuários com a manutenção do aquecedor, especialmente da placa coletora, implica certa aculturação tecnológica, que se desdobra em benefícios como a difusão do uso ecologicamente correto de energia e até o uso de computador, o que, no entanto, ainda está por ser aferido em pesquisas nos conjuntos habitacionais servidos de energia solar.

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