Projeto Gastronomia no Morro chega ao Aglomerado Santa Lúcia
Chefs de cinco renomados restaurantes da capital mineira subiram o morro do Aglomerado Santa Lúcia para provar as delícias da gastronomia local, no último sábado (19). Em uma degustação aberta à imprensa, puderam saborear os pratos que cinco cozinheiros do Aglomerado prepararam com criatividade e serviram no Salão Paroquial da comunidade. Ivo Faria, do Vecchio Sogno; Leandro Pimenta, do The Lab; Frederico Trindade e Felipe Rameh, do Trindade; Henrique Gilberto, do Belo Comidaria e Paula Cardoso, do Haus Munchen participam do projeto Gastronomia no Morro, fruto de parceria entre a Secretaria de Estado de Turismo e o Museu de Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu).
O objetivo é não só reforçar Minas como o Estado da Gastronomia, como também mostrar que gastronomia não se resume a pratos requintados, sofisticados e caros. De acordo com o secretário de Estado de Turismo, Agostinho Patrus, “a gastronomia tem um aspecto social fundamental de gerar oportunidade, emprego e fazer com que as pessoas possam ter uma vida melhor”.
O almoço degustação contou com entrada, três pratos principais e sobremesa. Cada prato foi apresentado pelo mestre de cerimônias Bruno Silva, morador da comunidade. A inusitada salada de umbigo de banana, serralha e ora-pró-nobis e o “peixe que não é peixe, é a folha de assapeixe” foi a entrada, prato da cozinheira Wanusa Aparecida da Silva. Os pratos principais ficaram a cargo de Vander Álvaro Cordeiro, o Deco, com o seu galopé – ensopado de pé de porco e galo, Frederico Gonçalves, que fez a moranga recheada com carne seca, e Maria da Consolação de Souza, a Lia, com a sua língua recheada ao molho de vinho e banana frita. A sobremesa, de Maria de Fátima da Silva Colares, foi o creme chinês – mescla de gelatina com doce de abacaxi cobertos com chantilly caseiro.
Durante a apresentação dos pratos, os cozinheiros conheceram os chefs, que, nos próximos 14 dias vão oferecer uma espécie de estágio a cada um deles. O secretário Agostinho Patrus, afirmou que essas duas semanas serão um grande aprendizado para as duas partes, os chefs do morro e os chefs da cidade, e antecipou a segunda etapa do projeto, cujo anúncio oficial deverá ser feito no dia 2 de novembro, quando os chefs dos cinco restaurantes participantes farão uma releitura dos pratos apresentados nesse primeiro momento. O evento acontecerá no restaurante Vecchio Sogno, comandado por Ivo Faria.
Entre uma etapa e a outra, Ivo Faria receberá Frederico Gonçalves, que aprendeu a cozinhar sozinho e hoje trabalha como subchef de um restaurante em Lagoa Santa. “O projeto vem nos estimular e nos dá a oportunidade de mostrar aquilo que a gente tem de melhor”, disse Frederico. Leandro Pimenta, que vai compartilhar seus conhecimentos culinários com Deco, diz que o projeto é rico e inovador “Não só pela troca de experiências, mas também para o mercado da gastronomia”, ressalta. Paula Cardoso recebe Wanusa, criadora da receita do peixe que não é peixe e Henrique Gilberto vai acompanhar Maria de Fátima, dona da sobremesa. Os chefs do restaurante Trindade ficarão com Lia e farão a releitura da língua recheada.
Para Ivo Faria, a iniciativa vai despertar o interesse de outros jovens pela gastronomia. “Vários chefs podem surgir daqui e se tornarem famosos”, diz ele, que, de origem humilde, se transformou no principal chef de Minas Gerais, reconhecido mundialmente.
Ao final do evento foi servido o famoso chá de Dona Jovem, madrinha do projeto, homenageada pelo secretário Agostinho Patrus. “A sua imagem, assim como a de Dona Lucinha, é referência da gastronomia mineira”, diz Patrus. O chá consiste em uma mistura de erva cidreira, manjericão, casca de maçã e canela.





















Notícia Relacionada
Projeto Gastronomia no Morro chega ao Aglomerado Santa Lúcia