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Samu Macronorte recebe visita de gestores paranaenses

Terça-feira | 07/06/2011 | 18:38·Atualizado em 29/06/2013 | 12:04
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MONTES CLAROS (07/06/11) - O Samu Macronorte recebeu, nessa segunda-feira (6), uma comitiva da região Sudoeste do Paraná que veio conhecer a organização do serviço de atendimento às urgências no Norte de Minas. “Estamos nos preparando para implantar o Samu 192 regional e organizar a rede de atendimento às urgências e emergências e queremos conhecer a experiência do Norte de Minas, que se tornou uma referência para todo o país, principalmente em como otimizar recursos e custeio”, justificou a coordenadora geral do Projeto Samu 192 na região paranaense,  Kelly Cristine Custódio dos Santos.

Pela manhã, o coordenador médico do Samu Macronorte, Enius Versiani, apresentou a estrutura física do complexo regulador e a organização do Samu na região. Ele ressaltou as dificuldades vivenciadas no início da implantação do projeto pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e como foram sendo feitas as adequações para que essas dificuldades pudessem ser superadas. “Além da predisposição do Estado em viabilizar o projeto, a região contou com a colaboração, união e receptividade de todos os municípios e da bancada de deputados, que abraçaram o projeto”. Ele destacou que a grande distância entre os municípios e a baixa densidade demográfica são algumas das dificuldades apontadas pelo médico. “Mas logo no primeiro ano da regionalização do serviço, de acordo com as estatísticas, tivemos uma redução de mil mortes/ano por causa evitáveis na região”, completa.

Ao fazer um comparativo entre as regiões, o prefeito do município paranaense de Chopinzinho, Vanderlei Crestani, diz que no sudoeste do estado, região com 42 municípios e 570 mil habitantes, também há algumas dificuldades marcantes. “A principal delas é o fato de não termos uma universidade para formar recursos humanos, o que acaba onerando o serviço, porque precisamos trazer médicos e enfermeiros de fora”, ressalta.

O prefeito de Realeza, Eduardo Gaievski, explica que atualmente o Governo do Paraná se espelha em Minas Gerais para criar políticas públicas de saúde. “Uma delas é o HospSus, nos mesmos moldes do Pro-Hosp mineiro, que ajuda no fortalecimento dos hospitais públicos, mas infelizmente o investimento do estado não é igual ao praticado em Minas. Da mesma forma, estamos buscando organizar a rede de atendimento às urgências e a regionalização do Samu192, mas também não contamos com a mesma predisposição do Governo do Paraná encontrada pelo Norte de Minas”, observa.

Segundo o prefeito, é importante fazer esse comparativo para encontrar o equilíbrio do custeio. “Enquanto no Norte de Minas o município contribui com 13 centavos per capita, no Paraná a proposta é pagar R$1,50 per capita. Além disso, ainda não temos a classificação de risco, que já está na atenção primária no Norte de Minas, não temos médico intensivista na região e o Corpo de Bombeiros, que é um importante parceiro nesse processo, funciona de forma comunitária, o que representa mais um custo para o município. Então, temos algumas etapas a serem vencidas e precisávamos conhecer in loco o Samu Macronorte, que é a melhor referência de organização de Samu em rede atualmente, principalmente considerando ser esta uma região ainda em situação de vulnerabilidade social”, avalia.

Também integraram a comitiva, os prefeitos Wilmar Reichembach, de Francisco Beltrão; Fernando Gugik, de Coronel Vivida; Daniel Cattani, vice-prefeito de Pato Branco; e a Secretária Municipal de Saúde de Francisco Beltrão, Cintia Ramos.

Consórcio Público

No segundo momento da visita, o assessor da presidência do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgências Norte (Cisrun), Sinvaldo Alves Pereira, apresentou aos visitantes a estruturação gerencial do Cisrun, responsável pela gestão do Samu Macronorte. Sinvaldo explicou que, diferentemente do Samu dos outros municípios brasileiros, que têm custeio tripartite, sendo 25% municipal, 25% estadual e 50% federal, o Samu do Norte de Minas obedece outro padrão. “Os municípios entram com 15%, o Estado com 35% e o governo federal com 50%. Os investimentos na compra das ambulâncias ficaram a cargo do Ministério da Saúde, mas a sede do Complexo Regulador foi construída e equipada com recursos provenientes do Tesouro Estadual. Além disso, o Estado está fortalecendo os hospitais microrregionais, criando novos leitos de UTI, o que está permitindo a ampliação do número de procedimentos de média e alta complexidade, reduzindo sensivelmente as transferências inter-hospitalares e o tempo-resposta do atendimento”, explica. Segundo Sinvaldo, atualmente, 22 hospitais da Macro Norte estão integrados à Rede de Urgências Norte, dispondo de 2.169 leitos, sendo 116 deles de UTI.

Até o final do dia, os visitantes esclareceram as dúvidas em relação à constituição do consórcio público, à participação do Governo do Estado na viabilização do serviço, e à lógica do gerenciamento da Rede de Urgências Norte, que atrela economia de recursos à promoção de saúde de qualidade aos usuários do SUS.