Saúde auditiva recebe reforço no Dia Nacional da Surdez
BELO HORIZONTE (10/11/08) - A audição, sentido essencial para o desenvolvimento normal da linguagem, da fala e da cognição, tem a importância reforçada em 10 de novembro, o Dia Nacional da Surdez. No Brasil, segundo resultados do Censo 2000 (IBGE), aproximadamente cinco milhões e setecentas mil pessoas possuem algum tipo de déficit auditivo. Desse montante, cerca de 600 mil pessoas estão em Minas Gerais. A Triagem Auditiva Neonatal (TAN) e a distribuição de aparelhos são algumas das medidas adotadas para melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem com o problema.
Nas crianças, o distúrbio auditivo pode acarretar dificuldades de aprendizado e comunicação. Foi o que aconteceu com Cristian, que não tinha a fala e a linguagem desenvolvidas até os três anos de idade. Devido à perda acentuada da audição, se comunicava por de gestos. Ao adotá-lo, a mãe, Lúcia Viana de Souza, entrou com um pedido para aquisição gratuita de um aparelho auditivo. “Com o aparelho, o Cristian começou a comunicar e está começando a construir a fala,”diz.
A prevenção é imprescindível ainda na infância. A TAN é o único procedimento que possibilita o diagnóstico precoce de alterações auditivas em bebês. Por ser realizado logo após o nascimento, o diagnóstico possibilita a intervenção em tempo hábil, antes que a deficiência se agrave e cause dificuldades para a criança nas suas relações sociais, familiares e na escola.
Para realização da triagem, 45 maternidades estão sendo credenciadas para avaliar todos os recém-nascidos do Estado até 2010. O investimento para compra de equipamentos está previsto em R$1.152.300,00. Para o custeio serão investidos R$2.662.200,00 anualmente, considerando uma cobertura de 100%.
A fonoaudióloga Adriana Martins lembra que a própria mãe pode auxiliar na detecção de problemas auditivos. “Caso a criança demore muito a falar, não reaja a sons, não entenda o que as pessoas dizem ou só compreenda quando o falante está muito próximo e de frente. Essas atitudes podem representar problemas auditivos,” ressalta. Além disso, segundo a fonoaudióloga, o ideal é que a mãe leve o filho para uma avaliação auditiva, antes que ele inicie o processo de alfabetização. Assim, atrasos na fala e na aprendizagem podem ser evitados.
Aparelhos
Além da TAN, a Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde do Estado, realiza a oferta gratuita de aparelhos auditivos a pessoas com o problema. Existem diversos modelos de aparelhos, com características específicas para cada idade ou problema. Entre 2005 e 2007, já foram fornecidos 18.766 aparelhos.
Nos adultos, a perda auditiva é uma conseqüência do processo de envelhecimento. À medida que a população envelhece, o indivíduo acumula exposição ao barulho e a outros fatores de risco, pode perder a audição chegando até a surdez.
Sem o aparelho, segundo a fonoaudióloga Adriana Martins, o indivíduo tem pouca compreensão da fala, o que acarreta uma piora da qualidade de vida, pode provocar frustração, seguida de isolamento e depressão. Através da utilização do aparelho auditivo, é possível melhorar a qualidade de vida ao reinserir o indivíduo nas relações sociais.
Avanços e desafios do SUS na assistência à saúde auditiva
A implantação da Política Nacional de Saúde Auditiva, em 2004, possibilitou a ampliação do atendimento às pessoas portadoras da deficiência. “Antes, a assistência à saúde auditiva apenas fornecia os aparelhos. Agora, além disso, há o acolhimento do paciente, sua avaliação e acompanhamento,” explica Gabriela Cintra, da Coordenadoria de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência da SES.
Dessa maneira, hoje, o atendimento ao deficiente auditivo é realizado de forma integral. Antes da distribuição da prótese, há uma avaliação para definição criteriosa do aparelho para cada paciente. Depois é preciso realizar um acompanhamento para auxiliar na adaptação ao aparelho, explica Gabriela Cintra.
Há ainda a organização da fonoaudiologia de forma descentralizada. Hoje, o Estado com 86 serviços de Fonoterapias, que possibilitam o acompanhamento do tratamento no próprio município ou no município mais próximo da residência do paciente. Segundo Gabriela Cinta, “muitas vezes, o paciente precisa fazer terapia duas vezes por semana, a fonoaudiologia descentralizada evita longas viagens”.
Como desafios, Gabriela Cinta ressalta a necessidade de “ampliar o serviço para atender o maior número pessoas e credenciar a Rede de Saúde com mais um ponto de atendimento.” Hoje, a rede conta com 13 Serviços de Atenção à Saúde Auditiva habilitados pelo Ministério da Saúde, distribuídos no Estado de acordo com o Plano Diretor de Regionalização. O investimento mensal para Programa de Atenção à Saúde Auditiva é de R$ 2.509.919,58. Esse valor é destinado aos programas para sanar as causas da deficiência auditiva, com vistas a minimizar o dano dessa deficiência na população e garantir o tratamento do usuário.
Como prevenir perdas auditivas
- As mães devem ficar atentas à infecção de ouvido. É necessário fazer sempre um acompanhamento médico. As infecções, quando são recorrentes e duradouras, podem causar perda de audição;
- O uso de medicamentos e antiflamatórios deve ser feito sempre com orientação médica, pois alguns remédios em dosagem mais elevada e de uso prolongado podem levar a perda auditiva;
- Vacine-se contra rubéola;
- As grávidas devem fazer o pré-natal, pois outras doenças além da rubéola podem levar a surdez do bebê;
- Ao nascer, o bebê deve passar por uma análise auditiva, pois existem causas de origem genética, por exemplo, que são detectadas apenas após o nascimento;
- Pelo menos uma vez ao ano é necessário fazer um acompanhamento médico com otorrinolaringologista ou com fonoaudiólogo;
- A exposição a ruídos intensos e em períodos prolongados deve ser evitada. Quem trabalha nesses ambientes, deve usar equipamentos de proteção auditiva;
- Jovens devem evitar ouvir músicas em alto volume em aparelhos de som.

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