Saúde ensina profissionais a identificar mosquito da dengue
BELO HORIZONTE (11/06/08) - Atualmente, 20 municípios do leste mineiro, sob jurisdição da Gerência Regional de Saúde de Governador Valadares (GRS-GV), realizam exames para a identificação da larva do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Com o objetivo de ampliar o número de localidades participantes, técnicos de Capitão Andrade, Jampruca e São Geraldo do Baixio participam, até quinta-feira (12), de capacitação que irá treiná-los para a identificação mais precisa da larva.
O técnico de laboratório da GRS-GV, Darci de Almeida, afirmou que o objetivo do treinamento é “capacitar funcionários, indicados pela Secretarias Municipais de Saúde sob responsabilidade da GRS-GV, tornando-os aptos a identificar as larvas do Aedis, os focos e os pontos de proliferação”.
A auxiliar de laboratório da GRS-GV, Maura Dias, explicou o critério de seleção dos municípios. “Capitão Andrade, Jampruca e São Geraldo do Baixio são municípios digitadores (incluem casos de dengue no sistema) capacitados para a identificação das larvas. Com isso, enviarão apenas 10% de amostra para revisão no laboratório da GRS-GV”. Segundo Maura, são seis horas diárias de curso para que os técnicos aprendam a identificar a larva do mosquito transmissor.
Para o laboratorista de Capitão Andrade, Gleisson Pereira de Figueiredo, o treinamento possibilita agilidade na identificação do vetor. “Quanto mais rápido identificarmos o foco, mais ágil será o combate ao vetor. No tempo entre o envio e a confirmação ou não do foco havia a possibilidade de os vetores e os focos aumentarem. Agora, realizando o exame no próprio município ganhamos em tempo para combater a dengue”.
José Dias, referência-técnica em Endemias da GRS-GV, enfatizou que tanto a capacitação profissional quanto a participação da população são fundamentais no combate à doença “Profissionais preparados facilitam a identificação de focos, larvas e, assim, agilizam o combate ao vetor. Para combater a dengue, ninguém deve ficar parado. As ações de prevenção são fáceis e podem ser feitas rotineiramente. É preciso ter atenção constante”.
Ações de conscientização e mobilização social estão sendo sugeridas e programas pela GRS-GV “O trabalho conjunto do setor de endemias com o núcleo de mobilização social é muito importante. Discutimos, elaboramos projetos e sugerimos aos municípios. Os meios de comunicação têm sido parceiros no combate à doença. Contra a Dengue, cada um deve fazer sua parte. Dengue é um problema de cada um e pode matar”, ressaltou José Dias.
Fechar bem as latas e enviar os sacos de lixo para coleta, colocar areia nos pratinhos dos vasos de plantas, tampar caixas d’água, cisternas, poços e outros depósitos de água para consumo, guardar os pneus, as garrafas de vidro e PET em locais secos e cobertos. Bandejas externas de geladeira e ar-condicionado; vasos sanitários; suportes de garrafões de água mineral; ralos de cozinha, de banheiro, de sauna e de ducha; cacos de vidro nos muros são outros focos com os quais se deve ter cuidado.
Doença
As pessoas devem estar atentas aos sintomas que identificam a dengue, doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti. Muitas vezes, é confundida com a gripe, durante o aparecimento dos primeiros sintomas. O melhor é evitar a auto-medicação e procurar a Unidade de Saúde mais próxima.
A dengue provoca febre alta, dor de cabeça forte, dores generalizadas pelo corpo, principalmente nas articulações, músculos e atrás dos olhos. E ainda, fraqueza extrema e manchas vermelhas pelo corpo.
A dengue hemorrágica é a forma mais grave da doença e além dos sintomas da dengue clássica, pode apresentar dor forte no abdômen, vômitos, desmaios, queda de temperatura, queda de pressão, irritabilidade e sonolência. Uma pessoa que já contraiu dengue por um tipo de vírus, só pode pegar a doença outra vez se for por outro tipo. Os sintomas da dengue hemorrágica podem se manifestar na primeira infecção, mas aparecem com mais freqüência na segunda vez que a pessoa contrai a doença. O período de incubação varia de três a quinze dias.
Como não há vacina contra a dengue, quando confirmada a doença, o tratamento do paciente é feito com repouso, ingestão de bastante líquido – soro caseiro, água filtrada e sucos – e remédios para dor e febre (analgésicos e antitérmicos). Os remédios que tenham em sua fórmula o ácido acetilsalicílico (melhoral, AAS, aspirina e outros) devem ser evitados.
O Aedes aegypti pode ser facilmente identificado. É um mosquito preto que possui listras e manchas brancas e é mais escuro que os mosquitos comuns. Quando se encontra na fase de larva e pupa, desenvolve-se em água parada. Ele pica preferencialmente durante o dia ou à noite com as luzes acesas.
Só as fêmeas do mosquito sugam sangue para desenvolver os ovos, que são pequenos e podem ficar até 450 dias aderidos às paredes em recipientes secos. Depois de molhados, os ovos eclodem e dão origem às larvas.
O mosquito adulto vive cerca de 35 dias e pode voar distâncias de aproximadamente cem metros. A dispersão do mosquito para distâncias maiores se dá com o transporte de ovos e larvas em recipientes. Uma única fêmea pode picar várias pessoas.
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