Saúde lança campanha sobre uso de medicamentos e cosméticos
BELO HORIZONTE (14/02/08) – Cabelos alisados com produtos químicos, emagrecimento rápido e rejuvenescedores milagrosos que afetam a saúde. Por tais motivos e com o intuito em conscientizar a população sobre o risco da utilização de produtos (medicamentos e cosméticos) sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e/ou de procedência desconhecida, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) lançou, nesta quinta-feira (14), a campanha de alerta sobre o uso desses produtos.
Durante o lançamento da campanha, no auditório da SES, foram discutidos problemas como medicamentos sem procedência, adulterados, falsificados e fórmulas emagrecedoras. Ao todo, em 2007, cerca de 190 denúncias chegaram à Vigilância Sanitária, considerando um aumento de 30% em relação aos anos anteriores.
“Os riscos da utilização de produtos com origem desconhecida e sem registro na Anvisa, como emagrecedores milagrosos e escovas progressivas, tiveram destaque em 2007. Um produto que não apresenta qualidade compromete e traz riscos à população”, enfatizou a gerente de Vigilância de Medicamentos e Congêneres, Teresinha Póvoa.
Os principais problemas levantados com as denúncias encaminhadas à gerência de Vigilância de Medicamentos e Congêneres vão desde cosméticos, como protetor solar e escova progressiva com o uso de formol; há medicamentos antireumáticos (Fator P - produto sem procedência), falsificados (Viagra, Levitra, Glivec), adulterados e fórmulas emagrecedoras manipuladas ditas “naturais”, com associações medicamentosas proibidas, podendo levar a óbito.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Marcus Pestana, é preciso uma ação incisiva para todas as denúncias, e, para isso, a parceria da iniciativa privada, fundação e sindicato se faz essencial. “Através de atividades permanentes do sistema de saúde, montamos estratégias preventivas e pedagógicas. Temos de levar à população o conhecimento e riscos que os cosméticos e medicamentos duvidosos podem trazer a saúde”, destacou.
Parceria e Prevenção
Pestana ressaltou, também, os objetivos principais para que produtos irregulares não cheguem à população. São eles: parceria e prevenção. Para ele, é preciso gerar emprego e renda, por isso a importância de incentivar as indústrias, mas por outro lado, preocupar com a saúde da população. “’É preciso ter rigor com determinados produtos. As denúncias são analisadas pela Anvisa e a população precisa buscar produtos de qualidade”, finalizou.
Presente e parceira na campanha, a presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos e Químicos para Fins Industriais no Estado de Minas Gerais (Sindusfarq), Giana Marcelline, explicou a necessidade de conscientização não apenas por parte da população, como também das indústrias, visto que “as empresas têm investido em qualidade, possibilitando uma concorrência justa e regular com produtos irregulares. É importante saber se há registro na Anvisa”. Para o deputado estadual Ademir Lucas (PSDB), as indústrias têm que priorizar a saúde da população oferecendo produtos de qualidade e eficácia.
Estiveram presentes na solenidade o deputado estadual Délio Malheiros (PV), o deputado estadual Dr. Viana (DEM) e a gerente geral de Cosméticos da Anvisa, Josineire Melo Sallum.
Produtos perigosos
Em busca da beleza, diversas mulheres vão a centros estéticos ou preparam produtos caseiros para manter os cabelos lisos, mas para isso, muitas utilizam um produto perigoso se usado em quantidades superiores à permitida, o formol. Ultimamente, o produto é utilizado em concentrações maiores que a permitida 0,2%, com a função de alisante.
Michelle Pinheiro, 26, sabe o risco que o produto pode trazer, mas ainda assim, prefere se arriscar. “O cheiro é forte, incomoda e arde os olhos, porém prefiro fazer para ter menos trabalho com os cabelos no dia-a-dia. A aplicação dura em média seis meses. O efeito prejudicial que sinto é a queda acentuada do cabelo depois do procedimento”, enfatizou.
O formol é considerado cancerígeno pela OMS. Quando absorvido pelo organismo por inalação ou pela exposição prolongada apresenta como risco o aparecimento de câncer na boca, nas narinas, no pulmão, no sangue e na cabeça. O superintendente de Vigilância Sanitária, José Geraldo, esclarece que não é permitido pela Anvisa o uso do produto como alisante, e sim como conservante.
Campanha
Serão implementados o planejamento de ações voltadas para a saúde do consumidor, boletim de Farmacovigilância/Cosmetovigilância, implementação e divulgação do Formulário de Notificações de Desvio de Qualidade e Evento Adverso relacionados com o uso de produtos sujeitos à Vigilância Sanitária e campanhas educativas.
Para a campanha publicitária, que vai de 18 a 29 de fevereiro, serão utilizados 479 outdoors e 5.270 inserções nas rádios, ambos em Belo Horizonte, região metropolitana e interior do Estado. A campanha é uma parceria da SES com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Conselho Regional de Farmácia e Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg).
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