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Saúde reforça importância da doação de leite materno ao BLH

Segunda-feira | 01/10/2007 | 18:50·Atualizado em 26/05/2013 | 18:27
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BELO HORIZONTE (01/10/07) – No Dia Nacional de Doação do Leite Humano, comemorado em 1º de outubro, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) reforça a importância da amamentação para a criança. Instituído no ano de 2003, a data visa sensibilizar a todos sobre a necessidade de doar o leite materno aos Bancos de Leite Humano (BLH), a fim de que ele seja pasteurizado e distribuído. Por meio de um procedimento simples, coleta e doação têm impactos relevantes para a vida do recém-nascido e de outros lactentes em situações especiais.

Joelma Palma Dias e Hugo César Pereira são pais de Victor Hugo, de 8 meses, e, há cerca de um mês, realizam um trajeto quase diário de Contagem, onde moram, até a Maternidade Odete Valadares (MOV), em Belo Horizonte. Entretanto, o esforço não tem desanimado o casal, já que esse deslocamento é, segundo Joelma e Hugo, o que vem salvando a vida do filho. Logo no segundo mês de amamentação, a mãe deixou de ter leite e teve de recorrer ao industrializado e ao de soja.

Porém, aos cinco meses de idade, uma rotavirose e a falta de adaptação da criança ao alimento fizeram com que Victor Hugo evacuasse bastante, levando à perda da flora intestinal. “Foi o leite materno que deu a vida para ele! O nosso filho já não conseguia subtrair mais nenhuma vitamina do leite industrializado, nem do de soja. Isso levou o Victor a uma desnutrição, que chegou à fase avançada. Quando não havia mais nenhum recurso, chegamos até a comprar um leite especial. Foi aí que a médica sugeriu o materno”, relatou Joelma.

Hugo César destacou que, desde que começou a buscar o leite humano na MOV, são nítidas as mudanças. “Quando o Victor recebia o leite de soja, amamentávamos de hora em hora. Agora, com o que buscamos aqui, ele se alimenta de três em três. Além disso, a evacuação diminuiu e o sangramento acabou”, detalhou. Hoje, segundo o pai, o bebê está bem nutrido, mas com o intestino ainda machucado. Por esse motivo, ele lembra que a doação não pode parar e pede a colaboração de todos. “A distribuição sempre foi apertada, mas nunca faltou leite aqui. E muito por conta da disposição do pessoal do banco de leite, que tem sido pai e mãe do meu filho”, complementou.

Qualquer mãe saudável que estiver amamentando e tiver leite excedente pode fazer a doação nos municípios que contarem com o Banco de Leite, onde o alimento é processado e ofertado gratuitamente. Existem, ainda, postos de coleta em algumas cidades. O BLH também realiza ações de incentivo, proteção e promoção do aleitamento materno, bem como controle de qualidade no leite humano ordenhado, diminuindo os índices de morbi-mortalidade infantil.

“A distribuição do leite materno aos bebês cujas mães não produzem mais o alimento visa melhorar a qualidade de vida da população. Além dos nove bancos de leite, Minas Gerais conta, ainda, com 18 hospitais Amigos da Criança, que incentivam o aleitamento, e cerca de 500 profissionais capacitados no manejo e promoção da amamentação”, enfatizou a referência em Aleitamento Materno da SES, Karla Caldeira.

Benefícios

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef) recomendam que, para um melhor começo de vida, as mães dêem somente leite materno a seus bebês nos primeiros seis meses. Fatores como melhor digestão, composição química balanceada, ausência de fenômenos alergênicos e proteção que confere contra infecções contribuem para a superioridade do leite humano. Por esse motivo, a recuperação e o desenvolvimento de recém-nascidos prematuros são mais rápidos devido às propriedades nutricionais e imunológicas do leite materno.

“A mãe que estiver em condições de doar e morar em cidades com banco de leite e postos de coleta pode procurar orientação de um profissional de saúde até mesmo nas unidades básicas. Lá, ela vai aprender a fazer a coleta e será orientada quanto às técnicas de retirada e de higiene, e ainda receberá um recipiente. Por isso, quem puder doar potes de vidro, com tampa de plástico, como os de maionese, aos postos também estará colaborando com a doação”, declarou a enfermeira do BLH da Maternidade Odete Valadares, Iêda Passos.

“Em Belo Horizonte, nós ainda propusemos a Rede Solidária, que reúne todas as maternidades de referência em aleitamento materno, mais as unidades básicas de saúde. O nosso objetivo é promover um trabalho uniforme de todos os profissionais, no incentivo à amamentação e, principalmente, à doação. Além do banco da maternidade, existem outras cinco unidades de coleta na capital”, destacou a coordenadora do Posto de Coleta do PAN Saudade, Maria de Lurdes Megda, se referindo aos hospitais das clínicas, Sofia Feldman, Santa Casa e Odilon Behrens, mais o PAN Saudade, localizado no distrito Leste de Belo Horizonte.

O leite distribuído aos BLH visa alimentar bebês prematuros, crianças com baixa imunidade ou coma alergias a outros tipos de leite, portadores de outras deficiências e aqueles que se enquadram em casos excepcionais, conforme orientação médica. Além da coleta que é feita nos postos e nos bancos, os profissionais promovem, ainda, a busca em rota, por meio da qual o leite é coletado no domicílio da doadora.

“É importante reforçar que as mães que podem e querem doar sejam saudáveis, ou seja, não fumem, consumam bebidas alcoólicas ou façam uso de determinados medicamentos, e estejam munidas do cartão de pré-natal. A sociedade precisa desenvolver esse ato de solidariedade e, por isso, é importante que as mães queiram participar”, convocou a presidente da Sociedade Mineira de Aleitamento Materno, Cleonice Liboeiro da Motta Ferrari.

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