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Secretaria de Saúde lança publicação sobre o câncer

Segunda-feira | 14/09/2009 | 18:56·Atualizado em 30/05/2013 | 12:33
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BELO HORIZONTE (14/09/09) - Se quanto mais se conhece sobre o inimigo, maiores são as chances de vencê-lo, Minas Gerais deu um importante passo na luta contra o câncer. Nesta segunda-feira (14), o Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), lançou o primeiro volume de Registros Hospitalares de Câncer. A obra contém a descrição de 52 mil casos da doença, enviados por 23 hospitais especializados. Os registros fornecerão suporte para os programas de prevenção e tratamento.

Na publicação, há informações sobre as características dos pacientes, frequência com que procuram as unidades de saúde, recursos empregados para o diagnóstico, formas de medicações e avaliações. Os registros, coletados entre os anos 2000 e 2006, traçam um painel completo da realidade do tratamento no Estado, já que os hospitais que forneceram as informações se localizam em diferentes regiões mineiras.

Os dados, que farão parte do banco do Instituto Nacional do Câncer (Inca), ajudarão a mostrar em quais localidades o atendimento precisa de melhorias e investimentos. “Esse volume de informação será muito importante para que o poder público saiba onde aplicar recursos para o tratamento da doença”, explicou o gerente de Vigilância Ambiental de Saúde, Francisco Lemos.

A publicação não será uma ferramenta apenas para os gestores públicos. Os profissionais de saúde também poderão consultá-lo para aprimorar o atendimento, principalmente em relação à rapidez no diagnóstico da doença, fundamental para a cura. O livro conta com as descrições dos diferentes cânceres que afligem a população, o que, segundo a Coordenadora do Programa de Avaliação e Vigilância do Câncer (PAV-MG), Berenice Antoniazzi, auxiliará médicos e enfermeiros. “Nosso objetivo é que haja mais agilidade no atendimento inicial, possibilitando salvar mais vidas”, disse.

Referência

Mesmo antes do lançamento da publicação, o esforço da Secretaria de Saúde em realizar os registros já se tornou referência para outros Estados, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Registros de Câncer, Paulo Rebelo. “Minas Gerais tem sido polo na questão da coleta de informações sobre a doença. Essa publicação possui um valor histórico”, destacou.

Esse valor foi reconhecido por representantes do Governo do Paraná. Alice Eugênia, que trabalha na Secretaria de Saúde daquele Estado, ressaltou as qualidades dos registros coletados em Minas. “A publicação é um exemplo para nossa Secretaria, algo que iremos buscar nos próximos anos”, ressaltou.

Treinamento

Os registros devem aumentar para a próxima publicação. Para isso, a SES e o Inca iniciaram, junto com o lançamento do primeiro volume, um curso de capacitação para 120 profissionais da saúde, vindos de 35 hospitais de Minas Gerais, 10 da Bahia e dois do Paraná. O objetivo do treinamento é ensiná-los a transmitir as informações do prontuário de atendimento de um paciente com câncer para um sistema de registros próprio, que servirá de base para o segundo volume e para o banco de dados do Inca.

Cacilda Nepomuceno é uma das alunas do curso. Ela quer ajudar o Hospital Ibiapaba, de Barbacena, na região do Campo das Vertentes, onde trabalha, a agilizar o registro dos casos de câncer. No primeiro volume, o hospital foi responsável por 729 casos descritos. A maior dificuldade, segundo ela, é analisar o prontuário. “A leitura do prontuário requer muita atenção para que o sistema seja corretamente preenchido”, disse.

Câncer em Minas

Segundo a estimativa do Inca feita em 2008, até dezembro de 2009 Minas Gerais registrará 44.420 casos. Desses, 22.260 afetarão mulheres e 22.160 afetarão homens. De acordo com a coordenadora do PAV-MG, Berenice Antoniazzi, as principais causas das doenças são o uso de tabaco e bebidas alcoólicas.

No Estado, o câncer de mama é o tipo que mais atinge as mulheres, com 4.280 casos esperados, um risco estimado de 42 casos a cada 100 mil mulheres. Os outros tipos são o câncer de colo de útero e o câncer de cólon e reto. Em Belo Horizonte são esperados 860 casos câncer de mama, com um risco estimado de 65 casos a cada 100 mil mulheres.

Para os homens, em Minas Gerais, o câncer de próstata apresenta o maior número de casos novos esperados, com 5.050 doentes. Um risco estimado de 51 casos a cada 100 mil homens. Os outros casos mais freqüentes serão os cânceres de próstata, de traquéia, pulmão e estômago. Em Belo Horizonte, são esperados 890 casos, com um risco estimado de 75 casos a cada 100 mil homens.

Importante lembrar que os cânceres são evitáveis, em sua maior parte, a exemplo do câncer de mama e de próstata. As ações de promoção à saúde são fundamentais para a redução dos casos.