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Técnica de modelagem transforma papelão em flores no CMRR

Quinta-feira | 06/09/2007 | 10:08·Atualizado em 29/06/2013 | 05:50
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BELO HORIZONTE (06/09/07) - Pétalas de papelão, miolo de jornal. Filtros de café usados dão textura e pigmentação natural aos galhos. Desde 7 de agosto, cerca de 30 pessoas estão envolvidas na confecção de flores do Cerrado. A matéria-prima principal é o papelão que, por meio da técnica de modelagem, transforma-se em arte. Resultado de uma parceria entre o Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR) e a Ong Reciclar-T3, a oficina “Potira de Minas” terminará em setembro, com a apresentação de uma réplica do Cerrado, com ipê-amarelo, flor-de-pequizeiro e ciganinha.

“Potira em tupi-guarani é flor. As boas-vindas à primavera terá como enfoque o consumo consciente e a preservação do Cerrado mineiro. A mostra será um convite à reflexão de nossas atitudes e hábitos para o uso racional dos recursos naturais”, destaca a diretora-executiva do CMRR, Vera Schaper. Para a criação de flores gigantes, além da fibra longa e as diversas camadas das caixas de papelão, os sacos de cimento são inteiramente usados pelos participantes da oficina. “Essa metodologia de modelagem está sendo aplicada pela primeira vez em Minas Gerais. Acreditamos que o papelão é um material nobre e não pode ser desprezado”, afirma o facilitador da Reciclar-T3, Nado Soares.

Para aliar técnica à criatividade, nas primeiras aulas, os alunos tiveram como tarefa pesquisar sobre as flores do Cerrado mineiro. Cada aluno escolheu uma flor, estudou cada parte e, na seqüência, avançou para a seleção dos materiais. “Tivemos a liberdade de escolher o material. Alguns optaram por tampinhas de garrafa PET, outros preferiram usar jornal para o acabamento”, diz a aluna Karine Marliza Bastani.

A cada encontro, que ocorre sempre às terças e quintas, os alunos aprendem sobre o universo do consumo consciente, da arte e das propriedade de cada material empregado na confecção das flores, que chegam a mais de um metro de comprimento. “Não abandonamos os conceitos ambientais”, reforça Nado Soares. Todo o material usado durante a oficina foi cedido pelo CMRR e as caixas de papelão e sacos de cimentos doados pela Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare). Arame, cola, agulha e barbante também fazem parte do dia-a-dia das aulas do “Potira de Minas”.

Cerrado Mineiro

De acordo com o a Fundação Biodiversitas, o Cerrado ocupa cerca de 47% da cobertura vegetal de Minas Gerais. O bioma vem, entretanto, reduzindo-se de maneira acelerada como resultado da exploração das carvoarias. Hoje, está presente em maior extensão no Norte de Minas, particularmente nas bacias dos rios São Francisco e Jequitinhonha.

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